O Bloco e os cobardes

ANGOLA ACTIVISTS TRIAL

O Bloco de Esquerda apresentou hoje, na Assembleia da República, um voto de condenação à repressão em Angola, exigindo a libertação dos activistas detidos pelo regime opressor liderado pelo carniceiro Eduardo dos Santos. O PCP uniu-se à direita para o chumbar.

Como era de esperar, PSD e CDS-PP votaram contra a iniciativa bloquista. Não admira tendo em conta o passado de relações vassalas do anterior governo com a ditadura angolana, com tantos e tão humilhantes episódios que terminaram com o governo português curvado e de rabo para o ar, perante a hegemonia dos oligarcas de Luanda. Rui Machete que o diga!

O que choca – mas não surpreende* – é o voto contra do PCP (o PEV absteve-se), sempre pronto para defender os direitos humanos e atacar todas as formas de opressão mas incapaz de ter a coragem de denunciar de forma objectiva a brutalidade do regime angolano ou de qualquer regime opressor que aparente defender os ideais comunistas. João Oliveira afirmou no plenário que as restantes forças políticas “não poderão contar” com o PCP para “operações de destabilização de Angola”. E assim se acobardam os comunistas.

O grupo socialista absteve-se mas não na totalidade, com alguns deputados (7) como Alexandre Quintanilha, Isabel Moreira ou Pedro Delgado Alves a votar favoravelmente a proposta do BE, a quem se juntou o deputado do PAN André Silva.

É vergonhoso assistir a toda esta encenação num país democrático, com partidos tão distintos como CDS-PP e PCP a defender e legitimar a brutalidade do regime angolano. Haja quem se descole da cobardia e defenda os direitos humanos. Um aplauso para o BE, para o PAN e para os deputados do PS que não se refugiaram por trás de uma abstenção quase tão cobarde como os votos contra da coligação PàF/PCP.

*****

Foi ilustrativa a forma como Edgar Silva contornou a questão (cirúrgica e nada inocente mas ainda assim legítima) do moderador do debate com Marisa Matias, quando confrontado com uma pergunta, manifestamente retórica, sobre o lugar (inexistente) da democracia na Coreia do Norte. O candidato presidencial deu voltas até chegar a uma conclusão deveras brilhante. A de que a democracia não é um privilégio da Coreia do Norte.

Comments


  1. Para quem não tem que mostrar responsabilidade nem resultados na governação dos interesses de milhares de cidadãos , vulgo país, pode dar-se ao luxo de actos heroicoa e pífios. As consequencias outros terão que as sofrer.

    • José Peralta says:

      Pois ! Como é um” luxuoso acto heróico e pífio” NÃO COMENTAR, NADA CONDENAR nas grandes “democracias” que são a actual Angola e a Coreia do Norte…Que se lixem os direitos humanos e os interesses de milhares, de milhões de cidadãos desses países !

  2. Mário Reis says:

    Tão politicamente corretos.
    Se há pombos nas cidades em excesso, também pode haver excesso de gente boa…e é uma satisfação ver as iniciativas do BE e de outros híbridos dos tempos modernos que peroram incansáveis por direitos humanos e interesses de milhões de pessoas. Mau, mesmo muito mau, é mesmo ter uma opinião pública na modalidade específica de boiada em manada. O ter-se dado voz às lebres… é um grande avanço “civilizacional” não estivéssemos a falar de coisas sérias.

    • José Peralta says:

      Mário Reis – Folgo em saber da apologia que faz do “politicamente correcto pcpista”…por acaso, um híbrido dos tempos modernos…uma no cravo, outra na ferradura ! Porque nos anos de chumbo, da prisão, da tortura e da clandestinidade, era um perigo “civilizacional ” as lebres terem voz ! Peniche, António Maria Cardoso, pide, Caxias, dizem-lhe alguma coisa ?


    • Mário Reis – Bom era mesmo que Portugal tivesse agora o regime da Coreia do Norte para não ter essas lebres incómodas, não é? Ficava só a manada a acenar bandeirinhas ao Grande Líder que nasceu na Montanha Mágica! Já as lebres, pelotão de fusilamento com elas, que é para aprenderem a não “perorar” por direitos humanos…

  3. Mário Reis says:

    E se lessem e apresentassem argumentos em vez de comentários desmiolados.

    Declaração de voto
    Voto nº 12/XIII/1ª de Condenação pela Repressão em Angola
    Reafirmando a sua defesa do direito de opinião e manifestação, dos direitos políticos, económicos e sociais em geral, bem como o respeito pela soberania nacional, o Grupo Parlamentar do PCP não acompanha e discorda dos termos utilizados relativamente à República de Angola no presente voto e salienta que é ao povo angolano que compete decidir – livre de pressões e ingerências externas – o seu presente e futuro, incluindo da escolha do caminho para a superação de reais problemas e para a realização dos seus legítimos anseios.
    Não se pronunciando sobre as motivações concretas dos cidadãos envolvidos neste processo e sobre a forma como as autoridades angolanas intervieram no decurso do mesmo, o Grupo Parlamentar do PCP rejeita que a Assembleia da República seja utilizada como instrumento de intervenção externa contra a República de Angola, colocando-a ao serviço daqueles que – envolvendo cidadãos angolanos em nome de uma legítima intervenção cívica e política – de facto agem para desestabilizar Angola no quadro da atual ofensiva de ingerência e desestabilização no continente africano.
    A longa guerra de subversão e agressão externa que foi imposta ao povo angolano e que tantos sofrimentos e destruição causou, os argumentos e pretextos invocados para justificar a ingerência e a intervenção externa em diversos países e os graves desenvolvimentos que se lhes sucederam – de que a Líbia é dramático exemplo – aconselham ponderação e prudência.
    Recordando que a Constituição da República Portuguesa consagra a separação dos poderes político e judicial e o respeito pela soberania e independência nacionais e que tais princípios têm igualmente aplicação na relação de Portugal com outros povos, a rejeição do presente voto por parte do PCP emana da defesa da soberania da República de Angola e da objeção da tentativa de retirar do foro judicial uma questão que a ele compete esclarecer e levar até ao fim.
    Reiterando a defesa e a garantia das liberdades e direitos dos cidadãos, cabe às autoridades judiciais angolanas o tratamento deste ou de outros processos que recaiam no seu âmbito, de acordo com a sua ordem jurídico-constitucional, não devendo a Assembleia da República interferir sobre o desenrolar dos mesmos, prejudicando as relações de amizade e cooperação entre o povo português e o povo angolano e entre Portugal e Angola – que comemorou no passado dia 11 de Novembro os 40 anos da conquista da sua independência.
    Por isso não contem com o PCP para operações de desestabilização de Angola.
    Assembleia da República, 8 de janeiro de 2015

    • José Peralta says:

      Mário Reis – (…)”Declaração de voto- Voto nº 12/XIII/1ª de Condenação pela Repressão em Angola
      (…) o Grupo Parlamentar do PCP não acompanha e discorda dos termos utilizados relativamente à República de Angola no presente voto e salienta que é ao povo angolano que compete decidir – livre de pressões e ingerências externas – o seu presente e futuro, incluindo da escolha do caminho para a superação de reais problemas e para a realização dos seus legítimos anseios.” Era bom que fosse ao povo angolano que competisse decidir o seu presente e o seu futuro, SIM, MAS LIVRE DAS PRESSÕES E PERSEGUIÇÕES DITATORIAIS INTERNAS !
      Esta “declaração de voto” é um atirar de areia para os olhos e só confirma que, para o PCP, há ditaduras (como a norte-coreana) que não podem sofrer “influências nem pressões EXTERNAS”, sobretudo no que concerne aos Direitos Humanos, só porque o MPLA cumpre a mesma “vulgata” e é um partido-irmão !
      E porque é que o povo angolano, não tem o direito à Liberdade e ao exercício da sua CIDANANIA, tal como o PCP defende para o povo português ?

      • José Peralta says:

        Mário Reis – (…)”Declaração de voto- Voto nº 12/XIII/1ª de Condenação pela Repressão em Angola
        (…) o Grupo Parlamentar do PCP não acompanha e discorda dos termos utilizados relativamente à República de Angola no presente voto e salienta que é ao povo angolano que compete decidir – livre de pressões e ingerências externas – o seu presente e futuro, incluindo da escolha do caminho para a superação de reais problemas e para a realização dos seus legítimos anseios.”
        Era bom que fosse ao povo angolano que competisse decidir o seu presente e o seu futuro, SIM, MAS LIVRE DAS PRESSÕES E PERSEGUIÇÕES DITATORIAIS INTERNAS !
        Esta “declaração de voto” é um atirar de areia para os olhos e só confirma que, para o PCP, há ditaduras (como a norte-coreana) que não podem sofrer “influências nem pressões EXTERNAS”, sobretudo no que concerne aos Direitos Humanos, só porque o MPLA cumpre a mesma “vulgata” e é um partido-irmão !
        E porque é que o povo angolano, não tem o direito à Liberdade e ao exercício da sua CIDADANIA, tal como o PCP defende para o povo português ?


      • o pcp é selectivo, tal como o bloco. Nenhum tem moral para falar. Aliás, julgo que nenhum partido tem essa moral.


  4. Mário Reis – Porque o PCP não se pronuncia “sobre as motivações concretas dos cidadãos envolvidos neste processo e sobre a forma como as autoridades angolanas intervieram no decurso do mesmo”?
    É para não haver uma “ingerência externa”? Mas então o pronunciamento sobre atentados aos direitos humanos em qualquer país é sempre uma “ingerência externa”? Ou só é nos regimes amigos do PCP?
    E já agora, por que o PCP apoia dessa forma o regime ditatorial de José Eduardo dos Santos? O MPLA é da Internacional Socialista e amigo dos EUA. O que o PCP vê naquele regime que seja progressista?
    É tão difícil assim condenar o que o governo de Luanda tem feito com os jovens angolanos? É tão difícil assim condenar o processo farsa a que eles estão a ser submetidos?
    E já agora: quem está a fazer a tal operação de desestabilização do regime angolano?

  5. A.Silva says:

    Há sempre uns idiotas úteis, dispostos a lutar pela libertação imediata de Hitler Samussuku… de certeza que este e os amigos, são pessoas que só querem o bem para o povo angolano.

  6. José Peralta says:

    A.Silva ! Talvez fosse melhor dizer-nos quem é o hitler samussuku ? Não consta que “aqueles” generais ligados ao j. e. dos santos e acusados de corrupção (um deles, pelo menos), procurado pela Interpol, estejam presos !

    • A.Silva says:

      Peralta se ignora quem é esta personagem que pelos vistos não tem pudor em continuar a ostentar esse nome, veja na net que logo descobre.