A revolução bolivariana chega ao Banco de Portugal

PPC CC

Durante meses, os profetas da desgraça leais ao anterior governo anunciavam a catástrofe que adviria de um governo de esquerda. Após as eleições, e principalmente depois da implementação da solução encontrada à esquerda, os mesmos catastrofistas hastearam a bandeira do caos que se instalaria na economia portuguesa, que para sua enorme tristeza tardava e tarda em chegar. Nem a queda do BANIF, que o anterior governo se esforçou por mascarar e adiar para que o inevitável não prejudicasse o resultado eleitoral, teve o impacto esperado nos juros da dívida.

Hoje voltamos a ter uma pistola apontada à frágil economia portuguesa. Segundo o Expresso, o “mercado fecha a porta aos bancos portugueses”. E quem são os responsáveis? PCP? Bloco de Esquerda? Nada disso: a responsabilidade pela decisão de que os 2 mil milhões de euros em obrigações seniores passassem para o BES mau foi do Banco de Portugal, encarregue pelo executivo de Pedro Passos Coelho de conduzir o todo o processo. O mesmo Expresso reforça que o actual governo, dos hereges esquerdistas, foi contra a decisão.

Ainda assim, o director-geral da Pimco, entidade que vem agora engrossar as fileiras dos lesados do BES, acusou o governo de António Costa de “expedientes populistas” e de recorrer ao “confisco de bens“, comparando Portugal à Argentina e à Venezuela, não poupando também Bruxelas de duras críticas pela condução das diferentes crises bancárias que se vão avolumando no espaço europeu. Nesta história, porém, os bolivarianos são de direita e têm nomes portugueses: Pedro Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa. E quem melhor que Pedro Santos Guerreiro, esse perigoso extremista de esquerda, para nos elucidar sobre o sucedido?

Carlos Costa e Passos Coelho voltam a ter de dar explicações. Porque afinal era mesmo preciso mais dinheiro para o Novo Banco, ao contrário do que diziam. Porque agora se fez o que não se quis fazer há um ano.

Mesmo que este calote não nos doa, é um calote. E um calote não orgulha, envergonha. Isto é bom? Não, é sempre mau. Seria mais justo para os credores que, em vez de de perderem tudo, vissem os seus títulos de dívida convertidos em capital. O Banco de Portugal não quis. Provavelmente, os demais bancos não quiseram: perderiam posição acionista no Novo Banco, logo perderiam receita no momento da sua venda. Mas se não é bom, é melhor ou pior? É melhor. Sacar mais dois mil milhões aos contribuintes seria insuportável, agravaria hoje a dívida pública e amanhã os impostos para pagá-la. Para escândalo de fim de ano já bastou o Banif. Agora é escândalo na mesma. Bate é noutras portas – e são portas privadas.

Até quando iremos pagar facturas do eleitoralismo do PSD e do CDS-PP?

Foto@Diário Económico

Comments


  1. não e so o psd e o cds os culpados mas sim os partidos da esquerda que levaram também o pais a ruina todos os partidos que governaram este pais governaram como uma grande M A F I A ASSOCIAçAO CRIMINOSA Encheram os bolsos e os dos amigos como provam os processos em tribunal da maioria dos políticos Não vale a pena tapar o sol com a peneira Essa palavra HONRADEZ E SERIEDADE tem muito que se diga aos nossos políticos