Presidente eleito por 25% dos portugueses, mas presidente de todos os portugueses

marcelo declaração de vitória

Declaração de vitória de MRS. Imagem: RTP3

Os 8.96 milhões de eleitores dividiram-se entre se absterem (cerca de 52%) e entre votar. Destes, cerca de 52% votou em Marcelo. Um vitória construída com cerca de 2.3 milhões de votos. São números que nos deveriam fazer reflectir sobre a representatividade dos políticos que elegemos.

Em termos de espectro político, o que é que representa o resultado conseguido por Marcelo? PSD e CDS tiveram, juntos, 2.9 milhões e 2.1 milhões de votos nas eleições legislativas de 2011 e de 2015, respectivamente. Constata-se que Rebelo de Sousa conseguiu, essencialmente, os votos da direita. A esquerda agiu de forma amadora e, ao não ter conseguido construir uma candidatura forte, foi o maior aliado daquele que vai ser Presidente da República.

Marcelo fez um discurso de vitória a apelar à inclusão. É um bom começo para quem se espera que seja o presidente de todos os portugueses.

Nota: Repare-se na bandeira monárquica presente na imagem. Além da ironia da situação, é capaz de ser assunto para o Ministério Público.

Comments

  1. Andreu says:

    A questão do Ministério Público não tem razão de ser. Ser monárquico não é ilegal e a bandeira não está proibida (até aparece nos livros de História). E, sim, os monárquicos podem votar, tal como os republicanos podem participar nas instituições em Espanha. Mas, claro, a verdade é que é bem melhor votarmos todos com a cruz do que escolher o chefe de estado pela lotaria dos espermatozóides.

    • j. manuel cordeiro says:

      Não estou por dentro do assunto. Por isso coloquei o “é capaz” na nota. Mas não deixo de achar irónico, apesar de perceber o motivo de oportunidade.


  2. Foi eleito pela maioria dos eleitores. Quem não apareceu não conta porque desistiu. Ao desistir, mandatou os que foram às urnas. Logo Marcelo ganhou com a maioria dos eleitores, fosse pelo que foram a votos como pelos que passaram procuração.

    • j. manuel cordeiro says:

      É verdade. Não questiono o resultado quanto a legitimidade mas sim quanto a representatividade.

  3. Atento says:

    Então quem tinha razão????
    Foi eleito o representante da coligação da direita com a extrema-direita, que tem desgovernado Portugal e explorado o povo português nos últimos quatro anos.
    Retirado do Luta Popular online:
    «Não foi possível manter a unidade das forças democráticas e patrióticas no seu pleno, aparecendo assim várias candidaturas a dividir o eleitorado democrático de esquerda. Por responsabilidade exclusiva dos dirigentes do Partido Socialista, em especial de António Costa, os erros cometidos pelo PS, repetindo erros antigos quanto à candidatura de Soares contra Manuel Alegre, levaram então à vitória de Cavaco em dois mandatos e sempre à primeira volta, dando ao governo de traição nacional Coelho/Portas um apoio que permitiu a mais negra legislatura de direita que oprimiu o País, os operários e o povo trabalhador depois do 25 de Abril.
    A divisão das forças democráticas por uma série de candidaturas levará, no meu modo de ver, a uma vitória de Marcelo Rebelo de Sousa logo à primeira volta. Aqueles que entendem que a multiplicação de candidatos no campo democrático contribuirá para segurar o eleitorado total da esquerda para uma vitória na segunda volta contra Marcelo, como é o caso de Maria de Belém, Manuel Alegre, Marisa Matias, António Costa e muitos outros, cometem um grave erro político, que pode vir a ficar muito caro às forças democráticas e patrióticas.»
    12.01.2016

  4. joao says:

    Há quantos anos temos abstenções enormes? Há quantos anos se poderia questionar a legitimidade da representatividade? E já agora quando se faz uma revisão correcta dos quadros eleitorais? Ou temos mesmo 9,7 milhões de eleitores? E se calhar até temos mas provavelmente teremos um grande numero de eleitores emigrantes e que pouco votam até porque é dificil

    • j. manuel cordeiro says:

      São sucessivamente maiores. E os cadernos não são actualizados por calculismo autárquico (eleitores dão dinheiro vindo do estado central). Ainda recentemente, quando as freguesias foram reestruturadas, recebi em minha casa uma informação para a anterior proprietária, há muito falecida, saber onde votar.

  5. Nightwish says:

    Marcelo devia agradecer a quem tanto fez para a sua eleição, as contrapartidas não devem esperar.
    Quanto à inclusão do número 3, só se for para rir.

  6. Ana Moreno says:

    Se calhar é porque estou de fora, mas a vitória de Marcelo acima de tudo assusta-me; Sou anti-presidencialista e mesmo este “semi” em Portugal já acho demasiado. E Marcelo é um espertíssimo estratega que sabe chegar onde quer e que quer exercer poder, metendo o bedelho no mais que puder, sob o manto do diálogo e de ponte. Espero não ter razão, mas o seu debate com Sampaio da Nóvoa perante as câmaras revelou um baixíssimo nível quando se trata de ter razão à viva força. E Marcelo quer ter razão à viva força. Um homem muito perigoso para presidente. Faço fortes votos de que se contenha e que o parlamento possa fazer o seu trabalho sem sobressaltos.