A geringonça jornalística

BF

Sempre atenta, a equipa da página Os truques da imprensa portuguesa chamou a atenção para a forma como alguns jornalistas, como foi o caso de Bernardo Ferrão do Expresso, se referem ao governo em funções como “a geringonça”, um termo cunhado por Paulo Portas. Não me choca o uso do termo, como não me choca a utilização de “irrevogável” quando o tema é anterior líder do CDS-PP. Mas uma coisa é serem usados por uma pessoa como eu ou o caro leitor. Outra muito diferente é ser um jornalista de um dos maiores grupos da imprensa nacional, um jornalista que, imagino, deve observar princípios de ética, isenção e deontologia, que deve ser objectivo e informar de forma imparcial. Infelizmente, Bernardo Ferrão não é o único protagonista desta forma tendenciosa e destrutiva de fazer jornalismo. A geringonça jornalística.

Imagem@Os truques da imprensa portuguesa

Comments

  1. Esperança Santos says:

    Mas nós temos Jornalistas em Portugal? A sério? E onde estão eles que não os tenho visto?

  2. João Cardoso says:

    Quando um adversário comete erros é de bom tom deixá-lo continuar a espalhar-se. Cada vez que a oposição bater com a cabeça na parede utilizem carinhosamente o termo geringonça 🙂

  3. A.Silva says:

    Ontem no noticiário da SIC noticias às 15:00, depois de uma reportagem no comício do PCP no Seixal, com Jerónimo de Sousa a acusar PSD, CDS e a comissão europeia de coordenarem os ataques ao actual governo, nomeadamente ao orçamento em discussão, remata o “jornalista”:

    “As habituais criticas comunistas à forma como o país é conduzido.”

    Não sei se é preconceito, cassete, ou estupidez, ao menos o “jornalista” podia limpar os ouvidos.

    A.Silva


    • Acho que é altura de em blogues como este se deixar de usar o termo ‘jornalista’, com ou sem aspas, porque isso é uma coisa que não corresponde minimamente àquilo que fazem essas pessoas. Há que começar a chamar esta actividade apenas e só de propaganda. Jornalismo é um eufemismo para truques de propaganda.

      Eu tirei um curso de jornalismo há mais de uma dezena de anos, e acabei por jamais exercer, porque cheguei à conclusão que a profissão, a tal da ética e da independência, não existe, e isso é por demais óbvio. Um político ou um banqueiro pode dizer a maior barbaridade em frente às câmaras de televisão, que toda aquela gente de microfone em riste estará lá só para registar, sem fazer o contraditório. Jornalismo sem contraditório é jornalismo?

      E claro que o jornalismo se extinguiu por motivos muitos precisos: a manutenção da plutocracia e do neo-liberalismo económico vigentes jamais será compatível com um jornalismo que questiona ou que investiga, ou que é rigoroso, factual. Neoliberalismo coexiste apenas e só com propaganda; quanto mais ‘lacaia’, quanto mais ‘a voz do dono’, melhor.


    • Talvez seja apenas formatação. Talvez não saibam mais. E isso até é bastante conveniente para quem dirige as redacções.

  4. Ana A. says:

    “… um jornalista que, imagino, deve observar princípios de ética…”

    Caro João, não vale a pena “bater no ceguinho”! A ética, ou se tem ou não! É intrínseco ao carácter, e quando é imposta, é o que se sabe!

  5. Nascimento says:

    ÉTICA? Mas, está tudo doido? Como disse uma ENORME FILÓSOFA TUGA ,A ENORME , A DISTINTISSIMA, ( TERESA GUILHERME…ups…)- neste país que tem ética morre á fome!
    Qunto ao pu…edo ” informativo”??? Rien de novo. Aliás, os parvalhôes e parvalhonas de ESQUERDA QUE VÃO ÁS MANIFES, até se pelam por “aparecer”nas télélés! Ou não é?Não têm o MEZZO? ARTE? CANAL 2? Atão estão a contribuir para estes merdosos? Moi non. E muito menos nos canais tugas da cabo…dass, é só futibol pá!