Marcelo isola (ainda mais) Pedro Passos Coelho

MRSAC

Na Segunda-feira, os deputados do PSD da comissão parlamentar de finanças endereçaram uma carta ao primeiro-ministro, pedindo esclarecimentos sobre o alegado envolvimento de António Costa nas negociações em curso entre o regime angolano Isabel dos Santos, o BCP e o BPI, com base numa peça publicada na passada Sexta-feira no Expresso, onde se podia ler “Costa dá luz verde a Isabel dos Santos no BCP”. A pergunta que abre a missiva não podia ser mais clara: “A que título e com base em que competência constitucional ou legal atuou o senhor primeiro-ministro?”.

No dia anterior, em declarações à imprensa durante uma visita a Vila Real, Pedro Passos Coelho afirmava a necessidade de um “esclarecimento tão transparente quanto possível” sobre a alegada interferência do primeiro-ministro no caso que tem agitado a economia nacional, acrescentando que:

Não temos boa memória dos tempos em que os governos e os primeiros-ministros se envolviam em processos societários que não respeitam ao Estado, respeitam aos privados, e era muito importante que houvesse um cabal esclarecimento dessa matéria.

Compreendem-se as declarações de Passos Coelho. Depois de mais de quatro anos a privatizar a torto e a direito e a envidar esforços no sentido de tornar o Estado o mais irrelevante possível, sem nunca acautelar o interesse nacional, é natural que o líder do PSD veja com alguma estranheza que um governo, se é que foi esse o caso, interfira num processo privado com impacto directo na economia e nas finanças nacionais. E as múltiplas ameaças que pendem sobre o que resta da banca nacional parecem-me motivos mais do que suficientes para uma postura vigilante de António Costa.

Não me choca, portanto, que António Costa tenha abordado Isabel dos Santos, perspectiva que, aparentemente, partilho com o presidente da República. Segundo o DN, Marcelo defendeu ser:

natural que o Governo, como aliás todos os governos da União Europeia nomeadamente da zona euro, estejam permanentemente atentos àquilo que é a garantia da estabilidade do sistema financeiro

acrescentando ainda que

uma realidade é haver a sobreposição do poder económico ao poder político, a partidarização da vida empresarial, intervenções em função de interesses privados ou particularistas (…)

Realidade diversa é a do cumprimento da Constituição, que subordina o poder económico ao poder político, e que determina que o poder político salvaguarde um conjunto de princípios fundamentais do Estado de direito democrático. E aí justifica-se a intervenção dos órgãos de soberania, naturalmente em articulação com as entidades reguladoras.

O perigoso catavento, hoje presidente da República, volta a causar estragos na São Caetano. Zelar pelo cumprimento da Constituição, admitir a necessidade de ser vigilante para com o sector bancário e, pior, mostrar-se tão alinhado com António Costa representará, para a direita que o ajudou a chegar a Belém, uma espécie de traição. Subiu na minha consideração e, acredito, na consideração daquilo que resta da social-democracia do PSD. Não confundir com os ilusionistas que foram recentemente à gaveta com pó buscar uma ideologia há muito relegada para mera propaganda de ocasião.

Foto@Diário Económico

Comments

  1. Rui Silva says:

    O Prof. Marcelo só engana quem quer ser enganado.
    O Prof. Marcelo é socialista, assim como Manuela Ferreira Leite, Freitas do Amaral, e muitas outras personalidades que são coerentes com os seus partidos.
    O caso do prof. Marcelo já vem de família, que sempre achou, as pessoas não são capazes , o Estado deve mandar em tudo, especialmente na economia.

    cumps

    Rui Silva

    • Socorro ! says:

      Ehehehehehe !!
      Há cada cromo na NET !
      E eu ? Sou o Papa Francisco !


    • Rui Silva, você sabe o que é ser socialista? ao chamar Marcelo de socialista creio que não.

      • Rui Silva says:

        Ok, faço-lhe a vontade, O Prof. Marcelo é tendencialmente socialista.

        cps

        Rui Silva


    • Tudo socialista, comuna e tal. Homens de direita sérios só o Rui, a Thatcher, o César das Neves e o Medina Carreira ahahahahah

      • Rui Silva says:

        Caro João Mendes,

        O Medina Carreira e João César das Neves são socialistas.

        cps

        Rui SIlva


        • Tudo socialistas. Sobra o Rui e a Thatcher. Uma espécie de vias de extinção?

          • Ferpin says:

            Aguardamos a informação do sr Rui de que a tatcher também é socialista.

          • Rui Silva says:

            Não a Thatcher não era Socialista. Ainda hoje as pessoas que viviam sob as ditaduras socialistas de leste agradecem a Thatcher e a Reagan ( outra não socialista) o derrube do Muro de Berlim que simbolicamente os libertaram “das mais amplas liberdades” .

            cps

            Rui Silva


    • E o Ex-PR é que apoiava PASSOS.O PR actual quer a gradar a quem o criticava.Que bom ser governo apoiado por que sempre protestava.

  2. Alice Silva says:

    Concordo com o que diz o PR é preciso estar atento a banca. Porque o Estado Português já Pagou bem caro os erros cometidos pelo governo anterior.

  3. pikolin says:

    e um tiro nos cornos desses filhos da puta todos annh!

  4. Joaquim oliveira says:

    Não votei por o PR actual, mas desde então estou interessado a cada palavra desse homem. Penso que devagarinho o PR vai repor no PSD as bases do que é a Social Democracia. Desde a chegada de Passos a presidência do partido, este turnou-se neo-liberal, como muitos congéneres europeias. E para a Europa isso já dura a mais de 15 anos. Se o PSD ainda se considera Social-Democrata só lhe resta 1 caminho: seguir os Sociais-Democratas, ainda há alguns, e eles espero eu vão despertar em breve. Não queria viver num país onde 1 presidente de partido não entende o que se passou na sociedade enquanto estava no poder.