Que raio de jornalismo é este?


MCE

Não me choca minimamente que se parodie o que se tiver que parodiar. A liberdade de expressão é um dos poucos valores que ainda me fazem acreditar num futuro risonho para a nossa sociedade. Mas uma coisa é o que eu, o caro leitor ou um apoiante da direita radical diz ou escreve sobre o governo. Outra, muito diferente, é a forma como um jornalista o faz. E depois do episódio que aqui trouxe há um mês atrás, sobre a falta de profissionalismo do jornalista Bernardo Ferrão do Expresso, é do mesmo jornal que nos chega outro exemplo de como as agendas ideológicas estão a condicionar o que resta do jornalismo neste país.

No Expresso Curto de ontem, escrito pelo director-adjunto do Expresso Miguel Cadete, por três vezes é usada a palavra “geringonça” para fazer referência ao governo. Sem aspas. E este é apenas um exemplo entre muitos outros a que todos os dias assistimos na imprensa nacional. Onde pára a isenção, a ética a objectividade e o rigor que devia nortear o trabalho destas pessoas? Que raio de geringonça jornalística vem a ser esta?

*****

P.S. Aconselho vivamente que visitem e acompanhem no Facebook a página Os truques da imprensa portuguesa. Que grande trabalho têm eles feito a desmontar os inúmeros embustes com que muita da nossa imprensa nos bombardeia todos os dias.

Comments

  1. Carvalho says:

    Pasquins de qualidade rasca, como Expresso, Correio da Manha (sem til) e outros como desportivos e tal, só existem porque há quem os alimente.
    Se fizessem como eu, que nem em papel, nem na Internet nem em suporte nenhum alimento tais palhaços, esses órgãos de desinformação já não existiam.
    Porque existem excelentes alternativas a essas porcarias.
    Mas enquanto houver quem enche a cabeça de merda, haverá quem lhe sirva a merda desejada.

    • A que excelentes alternativas se refere Carvalho? Olhe que, e faço aqui o meu mea culpa, acho que o Expresso nem é dos piores. Tendo em conta a existência de jornais como o I, o Sol, o CM ou o pseudo-jornal Observador.

      • Carvalho says:

        Refiro-me a todos os órgãos de informação (jornais, revistas, blogues, televisões) que não consideram os leitores como atrasados mentais que precisam que lhes indiquem o caminho e que, em lugar de opiniões encomendadas se limitam a transmitir factos; os jornalistas devem apenas transmitir factos, sem comentar nem opinar; as opiniões e conclusões devem ser os leitores a tirá-las e não os jornalistas.
        Pessoalmente sigo todos os dias os serviços noticiosos do NHK e da BBC, por exemplo. Mas há outros muito bons.

  2. Afonso Valverde says:

    Deixei de ler jornais há mais de 10 anos porque verifiquei que não tinham qualidade noticiosa.
    Seleciono o que quero ler. Dou valor à opinião, mas sustentada na verdade possível com origem no contraditório e sem “rodriguinhos” ideológicos.

  3. atento às cenas says:

    o jornalismo morreu faz tempo
    estivesse vivo e teria reagido a toda esta miséria

  4. Ana A. says:

    Jornalismo independente só se for formado por Jornalistas em cooperativismo. Senão, teremos sempre os empresários no negócio com os seus respectivos “colaboradores” – co-la-bo-ra-do-res!

  5. António Melo says:

    De facto, João Mendes, tem toda a razão. O jornalismo português entrou numa fase descendente há já alguns anos. Razão tinha o Marinho Pinto quando dizia que “os jornalistas não passavam de microfones com pernas”. Para além de serem a voz do dono e de reproduzirem acriticamente o discurso oficial (quando a direita está no poder) e oficioso (quando ela está na oposição), os jornalistas já nem se incomodam com o código deontológico, escrevem com os pés (há textos inenarráveis de tão mal escritos, sem noção de sintaxe ou de semântica) e regurgitam as opiniões que lhes são sopradas pela conveniência do momento. Qua a matilha do pote e a escumalha da “saída limpa” tratam o actual governo e a maioria que o suporta como “geringonça” ainda se compreende ; não sabem nada, não aprenderam nada, não esqueceram nada e a sua única motivação é voltarem a abancar à manjedoura do orçamento. Que os jornalistas o façam, é indesculpável: significa que nem por si próprios têm respeito e que tudo ignoram da dignidade da profissão que supostamente exercem. Assim, proponho que a coligação PPD/CDS se passe a designar como “arrastadeira” (aquele instrumento que serve para recolher as fezes e a urina dos acamados e doentes).

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