A «mentalidade pequena» de Cristiano Ronaldo


stock-vector-cartoon-baby-crying-vector-clip-art-illustration-with-simple-gradients-all-in-a-single-layer-216397903Quando eu era miúdo, vivia convencido de que era um dos melhores jogadores da minha rua, o que era verdade, porque não havia assim tantos miúdos na minha rua. Na realidade, tinha uns pés jeitosos, o que me valia umas marcações mais duras que me assustavam e/ou irritavam, levando-me a críticas azedas aos adversários, seres horríveis que não me deixavam driblar à vontade ou mostrar a minha esplendorosa visão de jogo. No fundo, não estava muito acima das criancinhas que ficam zangadas com as mesas contra as quais se magoaram, porque a culpa só pode ser da mesa.

Crescer, na minha opinião, não implica, infelizmente, corrigir os defeitos, mas obriga, no mínimo, a saber disfarçá-los. Quando se é uma figura pública e influente, essa obrigação torna-se mais premente.  

Ainda hoje, tento jogar uma modalidade vagamente aparentada com o futebol: a principal diferença está nas artroses e na proeminência de algumas barrigas. Confesso que, no calor da luta, os adversários intransponíveis continuam a irritar-me, mas deparo-me com um problema: estou mais velho, cresci e, na esmagadora maioria dos casos, não os critico. A minha maturidade já não me leva, aliás, a insultar mesas que se atravessem no caminho dos meus dedos dos pés: quando isso acontece, esfrego a parte atingida e, de modo responsável, insulto-me violenta e abundantemente.

Portugal empatou com a Islândia, quando teve oportunidades suficientes para ganhar. Não foi capaz. Cristiano Ronaldo, que continua a ter 12 anos quando algo corre mal, queixou-se de que os islandeses, por terem uma “mentalidade pequena”, se limitaram a chutar para a frente, assumindo o estranho papel de… adversário. Não tenho nada a acrescentar àquilo que escrevi há cinco anos e concordo com o que o Ricardo escreveu há quatro.

Cristiano Ronaldo tem 30 anos, é capitão da selecção e é, um dos melhores jogadores do mundo. Infelizmente, é natural que as crianças se identifiquem com ele: têm a mesma idade mental.

Comments

  1. Manuel Santos says:

    Nem mais.

  2. eu quero ir prá ilha... says:

    Não foi alguém da família que disse:
    – Ele tem o mesmo número neurónios que uma banana.

  3. infantilidades says:

    Tenho 12 anos e ao ler isto, de facto, identifico-me bastante com o escritor deste artigo. Um blogger que critica por criticar, sem conhecer o meio de que fala e usando uma comparação da sua juventude, realmente prova que o Ronaldo é uma criança. Irei guardar para ler daqui a 6 anos e verificar se continuo a identificar-me com o que a aqui foi escrito… Provavelmente não.

  4. Cuidado caro blogger! Olhe que é crime lesa pátria criticar o menino, o melhor dos últimos 20 anos segundo ele próprio. Um parolo com dinheiro não deixa de ser um parolo. Não lhe quero mal mas não suporto a personalidade narcisista e a necessidade de se auto intitular o melhor do mundo e arredores.

  5. Maria José Peres says:

    Discordo.
    Cristiano tem, provavelmente pouca escolaridade, terá, talvez ainda pouca maturidade. Precisa de conselheiros preparados por perto.
    Porém, tecer estas considerações sobre um concidadão que levou Portugal a todo o mundo, é, na minha opinião, igualmente falta de classe.

  6. albertino ferreira says:

    A arrogância de não querer apertar a mão aos islandeses no final do jogo só joga contra ele e a imprensa internacional não lhe perdoa. Estou convencido que não ganhamos um único jogo…Como dizem os chineses estão cansados e precisam de férias…

  7. Afonso Valverde says:

    Ninguém lhe tira o mérito de ser “bom de bola”. É reconhecido mundialmente por isso e devemos reconhecê-lo.
    Contudo, não devemos inibir-nos por isso, de lhe poder fazer criticas quando as merece como é o caso.
    Por ser uma pessoa conhecida e reconhecida a exigência de ter comportamentos mais corteses é maior.
    Que interessa o facto de ser da Madeira ou se o fosse o caso de ser do Alentejo ou do Minho?
    Parece que etas atitudes de deslumbramento, agora, parecem indiciar que é para ofuscar o desempenho abaixo das suas próprias expectativas ou desejos.
    O facto de poder ser alvo de crítica não significa que não se lhe reconheça também méritos que os tem na sua área profissional, como milhares de portugueses nas suas apesar de a maioria não serem pessoas conhecidas a nível mundial, o que é de lamentar.
    Gosto do jogo da bola, mas não aprecio o “fenómeno global” do futebol em que se tornou o negócio.

  8. Konigvs says:

    Lia ontem essas mesmas aspas no The Guardian, a tal “mentalidade pequenina” do Cristianinho.
    Resumo da prestação dele contra os islandeses:
    Tropeça no relvado e cai: insurge-se violentamente contra o árbitro, que era falta, sua claro, e de jeito!
    Em frente à baliza, aparece-lhe a bola pela frente, era só metê-la lá dentro, e vai daí dá um belo pontapé na atmosfera, e a esta hora ainda deve andar à procura dela.
    Marcas os livres, mesmo a mais de trinta metros da baliza, e acabam todos, invariavelmente por bater na barreira ou ir para fora. No resto do tempo ninguém deu por ele.

    Aos 17 anos, na seleção, era um puto com os dentes tortos, que chorava como um menino quando perdemos a final contra a Grécia. Entretanto tem um sorriso alinhadinho e desde que meteu mais botox na cara que a própria mãe, acha-se a melhor coisa mais bonita do mundo. É por isso que é o jogador mais odiado da história, porque o mundo todo tem inveja dele, e das modelos que ele paga para se passar por heterossexual. Ao menos podia fazer como o outro, o Pezetero, e deixar a seleção. Ao menos começaríamos os jogos sempre com onze em campo.

  9. Luís says:

    O CR7 raramente faz um bom jogo nas fases finais dos Europeus/Mundiais.
    A explicação reside no facto de ter épocas muito duras e com muitos jogos.
    Naturalmente que no final da época não esteja no seu melhor – final da época essa que coincide com as fases finais em que joga a selecção.
    Compreende-se o papel dos treinadores em o porem a jogar, pois têm sempre a esperança que num livre ou num remate que só ele sabe executar seja capaz de fazer a diferença no resultado – infelizmente nesses jogos nunca ou raramente faz essa diferença.
    Nesses jogos jogamos quase sempre com um jogador a menos, pois o CR7 não defende, é pouco solidário com a equipa e com os companheiros e, como capitão, não dá o exemplo de combativo inconformismo quando as coisas não correm bem.
    Mais humildade, mais respeito pelos adversários, mais solidariedade para com os companheiros e com a equipa não lhe ficariam mal de todo.

  10. omaudafita says:

    Vá lá, o melhor comentário leva um cromo do Messi!

  11. Konigvs says:

    Nem de propósito, eu mencionei os livres, e de facto o Cristianinho também detém um recorde impressionante na seleção:
    http://www.record.xl.pt/internacional/competicoes-de-selecoes/europeu/euro-2016/grupos/grupo-f/portugal/detalhe/ronaldo-e-o-pior-de-sempre-a-bater-livres-diretos.html

Trackbacks

  1. […] Continuará a ter privilégios injustificáveis relativamente aos seus colegas, continuará a ter atitudes mimadas dentro e fora de campo, incompatíveis com o seu estatuto de capitão, e continuará a fazer negócios […]

  2. […] e age, frequentemente, com a impunidade de que se julga merecedora qualquer criança mimada. As críticas azedas que dirigiu aos islandeses foram mais um exemplo; o arremesso do microfone da CMTV foi […]

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