Cristiano Ronaldo, o mau exemplo do costume

No final do jogo em que a selecção portuguesa foi justamente derrotada, falhando o apuramento directo para o Europeu, Cristiano Ronaldo, o capitão de equipa, não fez nenhuma declaração. É um dos casos em que o jogador é, de longe, melhor que o desportista, entendendo-se, aqui, desportista como um cultor do desportivismo, como um homem que se mostra digno na vitória e na derrota.

Desta vez, Cristiano Ronaldo não fez figuras tão tristes como nas ocasiões em que dirigiu gestos obscenos ao público ou em que cuspiu em frente às câmaras, quando Portugal foi eliminado pela Espanha, no Mundial de 2010. Seja como for, o uso de uma braçadeira de capitão e o facto de ser um ídolo de tantos jovens deveria trazer responsabilidades acrescidas a Cristiano Ronaldo e, no final do jogo de ontem, impunha-se que tivesse dado voz à tristeza e à esperança, como o fizeram Paulo Bento e Nuno Gomes. Infelizmente, o extraordinário jogador continua a não saber perder, mantendo uma imagem de menino mimado e de portuguesinho típico, com tudo o que isso contém de falta de civismo.

É certo que qualquer pessoa que goste de jogar seja o que for não pode gostar de perder, mas o caminho que deve ser percorrido pela humanidade é o de se afastar dos instintos primários. Saber perder é, portanto, mais humano do que não gostar de perder, é a diferença entre a razão e o coração.

Eusébio chorou quando Portugal não chegou à final do Campeonato do Mundo de 1966, mas esteve sempre mais preocupado com o jogo do que consigo e soube, tantas vezes, cumprimentar o adversário, o que aconteceu, por exemplo, com os guarda-redes que defrontou. Ainda hoje, é aplaudido em todo o mundo. Cristiano Ronaldo é assobiado, mas, vítima de um excesso de auto-estima, pensa que isso acontece por ser rico, bonito e um grande jogador. As qualidades inegáveis do jogador português mereciam um homem da mesma estatura, mas, até hoje, não foi possível.

Comments

  1. Daniela Major says:

    Hear hear!! Tem toda a razão, o Ronaldo tem que crescer como jogador e já não pode comportar-se como toda a gente lhe devesse alguma coisa.

  2. Konigvs says:

    Ponto n.1 Portugal não falhou o apuramento para europeu.

    Sobre o Cristiano, nunca na vida que ele deveria ser o capitão da seleção. Um capitão é uma voz de comando dentro de campo, uma referência para os colegas, uma espécie de pai dos jogadores mais jovens que chegam pela primeira vez. Ser capitão tem a ver com capacidades de liderança, com humildade e repeito pelos adversários e colegas e nada tem a ver com ser mais ou menos mediático.
    Talvez quando ele se sair com um “perguntem ao Bento” as coisas mudem de figura, só que aí já será tarde.

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  1. […] a chutar para a frente, assumindo o estranho papel de… adversário. Não tenho nada a acrescentar àquilo que escrevi há cinco anos e concordo com o que o Ricardo escreveu há […]