O esgoto jornalístico e a hipocrisia do velho regime


OP

A “liberdade de expressão e de imprensa”, na concepção da Direita e dos jornais que apoiam as causas de Direita, funciona assim:
– Se vários jornais, incluindo jornais de referência, como o Público, mentem nos artigos, manipulam os números nos artigos, ou usam subterfúgios semânticos desonestos nos artigos para corroborar a tese que eles próprios subscrevem, trata-se de um saudável exercício de liberdade de expressão e de imprensa.

– Se cidadãos, com ou sem filiação política, exigem a correcção dos erros e mentiras dos artigos e reivindicam a objectividade e isenção que deontologicamente deveriam pautar a actividade jornalística, já não se trata de liberdade de expressão e de imprensa, já passa para o campo dos safados da Esquerda que, alegadamente, lidam mal com a liberdade de imprensa.

É curioso, mas, objectivamente, chegámos mesmo ao distópico e paradoxal momento da história em que exigir rigor e isenção jornalística é classificado como censura e opressão aos jornais.
Vivemos num momento em que a desinformação do esgoto jornalístico, que é o Correio da Manhã, consegue ser o projecto jornalístico com maior exposição do país e em que o folhetim da extrema-Direita, o Observador, habitualmente troca de directores, jornalistas e opinadores com estações públicas e privadas de notícias. E, no entanto, se alguém de Esquerda ousa questionar esta esmagadora predominância da Direita na comunicação social, os spin doctors do costume invertem o problema e dizem que a Esquerda tem um problema com a liberdade de expressão e de imprensa. E há malta que cai mesmo nesta nova caça às bruxas, numa espécie de Macartismo renascido.
Irónico, não é?

Irónico e simples de perceber, não é?

Via Uma Página Numa Rede Social.

Comments

  1. É simples de perceber, mas não é exacto. Que eu tenha visto, ninguém se congratulou com erros nem condenou reivindicações de objectividade e isenção. O que se condenou foi um pormenorzinho curiosamente esquecido nesta súmula: que uma deputada sugerisse o despedimento de uma jornalista.

  2. Só por curiosidade. Quando se refere a “velho regime” fala do quê concretamente? Isso pressupõe um “novo regime”… qual é?

  3. Acácio Bernardo says:

    A direita queixa-se de censura mais do que a esquerda. Por isso em Portugal não há partidos de direita, só de centro. O que importa é os números e nisso devíamos olhar a plataformas isentas que registam os mesmos como o pordata. Lembro-me das agências de rating serem atacadas pela esquerda quando deixaram de ser convenientes.

  4. Num artigo do “expresso” o sobre o manifesto de apoio à Escola Pública, apenas refere doze blogues quando na realidade foram 15 e apenas escreve o nome de 5. Uma pérola!
    «Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública”, lê-se no logo no início do texto. Os autores dos blogues O Meu Quintal, Ar Lindo, Com Regras, Correntes ou Atenta Inquietude estão entre os apoiantes.»

  5. Deve doer , os ignorantes desprezarem uma opinião tão abalizada sobre o que se devem ou não ler ? e a porra deste regime que nunca mais sai com uma entidade que decida o que se deve ou não publicar. Pobres cidadãos indefesos que ficam sujeitos a este lixo; um vizinho meu bem diz que no tempo da Salazar e da União Sovietica estes esgotos já tinham sido calados.

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