Carta do Canadá – Pega de Caras


exit

Que podemos fazer se estivermos dentro duma arena para onde largaram um touro? Ou fugimos ou o pegamos de caras.

Tal é o caso com a situação criada pela União Europeia, que levou ao referendo de Inglaterra. Porque, de facto, a UE anda, desde há dez anos, pelo menos, a esticar a corda da desigualdade de tratamentos, da política da ameaça e da punição, da imposição (quadrada) dos métodos económico-financeiros alemães que desaguaram no desemprego massivo, na falta de horizontes para a juventude, nos cortes cruéis dos direitos dos trabalhadores, do completo desleixo no que se refere à maneira como os governos seus apaniguados aproveitam alegremente da corrupção, do irrealismo duma moeda (o euro) que não se flexibilizou para facilitar o comércio livre, da falta de controlo de fronteiras e last but not least o espectáculo degradante que está a oferecer ao mundo com a questão dos refugiados.

Aqui cabe referir os documentários dos campos de refugiados, os depoimentos lancinantes dos desgraçados que ali apodrecem e dos voluntários, oriundos de vários países do mundo, que tentam ajudá-los. Centenas de crianças sírias são hoje a mão de obra escrava de empresários turcos, graças ao eixo Bruxelas-Berlim que vendeu largos milhares de refugiados ao governo de Istambul. É o triste dinheiro que essas crianças ganham que garante a dieta de miséria dos pais. Ao mesmo tempo, sabe-se que meninos e meninas refugiados recebem cinco euros por favores sexuais controlados por máfias.  Acresce que vivem permanentemente aterrorizados pelos bandos nazis e fascistas que os agridem, que lhes incendeiam as tendas, que os ameaçam de morte.   Acaso alguém em seu perfeito juízo podia acreditar que os povos, por esse mundo fora, num tempo de internet, ignorariam este estado de coisas ou que não reagiriam?  Passa pela cabeça de alguém mentalmente são que os agricultores, os criadores de gado, os pescadores, iriam esquecer ou perdoar a política de terra queimada imposta pelos “burrocratas” de Bruxelas e tão ligeiramente aplicada pelos cavacos de todos os países da UE?

Se as televisões portuguesas não passam este material informativo, por estarem ocupadas com o futebol, as novelas e as fofocas parvas de humoristas sem graça; se os batalhões de comentadores políticos de direita, pagos e bem pagos, não tocam nestes assuntos, por estarem ocupados com as rasteiradas ao governo; se os deputados não levantam estas questões no parlamento, por cobardia, ignorância ou servilismo a Bruxelas-Berlim, enfim se tudo isto existe, tudo isto é triste, não é culpa do povo que trabalha, que procura trabalho, que desespera de ter votado mal por ter sido levado ao engano com promessas descaradas. Se há hoje, por toda a Europa, um crescendo de movimentos nazis e fascistas, de quem é a culpa?

Não há motivos para se festejar o resultado do referendo inglês, pelas razões acima apontadas e porque vamos todos sofrer tempos de incerteza e escassez. Mas havemos de vencer esta rude prova. Havemos de fazer uma pega de caras.

Também não há razões para lamentar a decisão de Inglaterra. É uma velha democracia, uma velha nação que sabe lutar contra as tiranias – como ficou sobejamente demonstrado na 2ª Guerra Mundial. Tem aliados poderosos, que são todos os países de língua inglesa. Vai dar a volta por cima.  A partir de agora, outros países quererão sair da UE. Novos rumos e acordos virão.   Apesar de todos os pesares, Portugal e a Inglaterra são aliados há mais de 600 anos.

Comments

  1. A verdade é esta, e não vale a pena chorar, porque só não vê quem não quer ver, ou gosta desta situação que os “burrocratas” neoliberais de Bruxelas querem impor aos povos europeus .A Inglaterra é de facto a aliança portuguesa mais antiga da europa ;desde a revolução de 1383/85,que temos mantido esta aliança ,e até hoje não nos temos dado muito mal com ela ; ainda à pouco tempo pagámos o último empréstimo feito da 1ª República aos ingleses e eles não nos têm faltado com a sua ajuda na altura própria !!! Felizmente que ainda há povos na Europa que não gostam da “canga” sobre os ombros !!!

  2. Nightwish says:

    Só há a festejar com o Brexit: ou há reforma, ou há desagregação, e quer uma quer outra já vêm muito tarde. Será duro, mas o projecto europeu já cheira a podre de há tempo tempo que está morto.

  3. Rui Silva says:

    Esta arrozada de disparates nem tem ponta por onde se lhe pegue :
    A Inglaterra não aceita:
    1) Abrir fronteiras porque não quer refugiados estrangeiros por obrigação.
    2) Se algum país teve tratamento excepcional foi justamente a Inglaterra(O envelope Britânico diz-lhe alguma coisa).
    3) Não aderiu ao Euro.
    4) Não querem contribuir para os desgovernados dos países do sul.
    5) A culpa dos novos movimentos de extrema direita: o Marxismo.

    A Inglaterra saiu do pesadelo…quanto aos países como Portugal que gostam de andar de mãos estendidas, a coisa vai piorar e muito. Vamos ser mais livres de fazer Socialismo, mas com dinheiro nosso.

    Rui SIlva

    • Nightwish says:

      A fuga ao socialismo deixou a economia estagnada há 8 anos e os salários congelados à pelo menos 16. Desculpe lá se não gosto desta alternativa.

      • Rui Silva says:

        A economia nacional está estagnada há 15 anos não há 8.
        A governação desde 74 tem sido de esquerda , e grande parte da convergência com a Europa deveu-se à ajuda externa ( subsídios europeus) crescimento.

        Rui Silva

        • Nightwish says:

          Pois está, chama-se Euro e não é uma moeda única.

          • Rui Silva says:

            Com valor retro-alimentado em relação ao valor do cambio.

          • Nightwish says:

            E então? Numa moeda única ou há transferência massiva de capital, união fiscal e essa coisa toda ou não é moeda única.
            Quanto à governação ser de esquerda, teria de ser de esquerda privatizar a banca e os monopólios ao capital ao mesmo tempo que se contratualiza rendas eternas para isso ter qualquer tipo de sentido. Mas é mesmo de direita radical, e os resultados são a estagnação total de ordenados no primeiro mundo bem como uma enorme transferência de capital para o 0,1%.

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