Coisas que não se dizem


Foto retirada do Expresso, um dos jornais de que J. V. foi Director.

Foto retirada do Expresso, um dos jornais de que J. V. foi Director.

É verdade, Sr. Joaquim Vieira, não se pode dizer ou escrever aquilo que o senhor escreveu na sua página do Facebook. Fica-lhe mal. Quer publicidade? Venda-se de forma honesta, não precisa de insultar ninguém para lograr os seus intentos. Lamentável!

Para quem não sabe do que se trata, deixo aqui o que Joaquim Vieira escreveu sobre os Jogos Paralímpicos. Propositadamente, não coloco link da página, para não lhe dar a publicidade de que o homem parece precisar tão desesperadamente. Ora aqui vai:

«Sou só eu a achar que os Jogos Paralímpicos são um espetáculo grotesco, um número de circo para gáudio dos que não possuem deficiência, apenas para preencher a agenda do politicamente correto?
NOTA: Este post já me valeu diversas ameaças de morte, além da condenação a todas as penas do inferno, para não falar das pragas sobre os familiares mais próximos, que, coitados, não têm nenhuma responsabilidade no que penso e escrevo. Não discorro sobre o grau de intolerância que muita gente aqui revela, mas tenho de admitir que a forma sintética como escrevi o post deu origem a equívocos, e por isso, como já disse num comentário em baixo, não posso deixar de lamentar ter ferido a sensibilidade de muitos com esta opinião. Fui acusado de muita coisa que não sou (entre elas, a que considero mais grave, de fazer a defesa do eugenismo) e que está nos antípodas da minha visão do mundo e da minha filosofia de vida. Sou totalmente a favor da inclusão e dos direitos dos menos capacitados, e entendo mesmo que nesse terreno ainda existe muita coisa por fazer e reivindicar, designadamente quanto à vida quotidiana. Aceito também que tenham a ambição de enveredar por práticas desportivas, assim como de entrar em competição. A minha crítica dirige-se ao espetáculo montado com os Jogos Paralímpicos e não aos que neles participam, que cumprem um sonho de vida e procuram dessa forma a sua realização pessoal. Choca-me a atribuição do estatuto de Jogos Olímpicos (ou equiparados) a estas provas, como se houvesse dois universos que se equivalessem ao mesmo nível e não se cruzassem (daí eu ter falado em apartheid desportivo). Mas Jogos Olímpicos só há uns, e, como eu também já disse, destinam-se a premiar os melhores da raça humana, homens e mulheres, em cada modalidade. Os Jogos Paralímpicos, sinceramente, não sei a que se destinam. Lamento desiludir muita gente, mas há só um Usain Bolt e um Mark Phelps. Não existe o Usain Bolt nem o Mark Phelps dos Paralímpicos. Por muito que alguns nos queiram convencer do contrário.» – Publicação de 8/09 às 13h46 – Sim, infelizmente, tive que ir ver com os meus próprios olhos para poder falar com conhecimento. 

Concordo que há aproveitamento de quem quer ser «politicamente correcto». Compreendo que se possa estar contra esse aproveitamento. Defendo que devemos sempre, porque temos esse direito, falar sobre o que nos parece errado. Mas nunca, nunca, denegrindo outros, sobretudo pessoas que só pelo seu esforço nos merecem tanto respeito. Usain Bolt? Mark Phelps? Quem seriam eles se tivessem nascido com deficiência? Fala este senhor que os Jogos Olímpicos se destinam a premiar os melhores da raça humana. Exactamente, os melhores, não os mais bonitos ou perfeitos. Os melhores. Quem é melhor do que um atleta com deficiência que vai aos Paralímpicos?

 

Comments

  1. Não tendo nada a ver, não é “Mark” é “Mike” ou “Michael Phelps”!

    E concordo, o homem é um idiota.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Do lixo só pode sair mau cheiro e os restos não passam de um qualquer excremento. Joaquim Vieira é exactamente isto: lixo social, um ser rasteiro, sem qualquer sensibilidade.
    Estou certo que dos seus restos mortais putrefactos, nem moscas nem larvas se interessarão, tal a repugnância que emite.

  3. Não, o homem não é um idiota. É uma pessoa que tem uma opinião diferente, que a contextualiza com lógica e argumentação consistente. Quase de certeza que a mensagem dele se destina a pessoas que não entendem o que é liberdade de expressão e de opinião como quem fica horrorizado com o que ele disse. Para maior horror veja o que diz o Milo: https://youtu.be/Y06MnHvaIpM
    Have a nice day!

    • Helder P. says:

      A opinião dele é parecida com a do organizador da edição de 1936. Os jogos a servirem para demonstrar a superiodade de uma raça e a humilhação dos “untermenschen” das restantes.

    • Maquiavel says:

      Os idiotas defendem-se uns aos outros…

      • …na falta de argumentos lá vem a mãozinha do insulto baixinho, não é?

        • ernesto Martins vaz ribeiro says:

          Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. A opinião do referido Joaquim Vieira e a sua “democratica” defesa do referido figurao corresponde na prática, à apologia da raça ariana pura, opinião que um papão do século passado defendia, se bem se lembra. Haja decoro, porque em democracia não pode valer tudo.

    • Pelo menos esse tal de Milo tem melhor aspeto que o Olavo de Carvalho. Deve ser a sua única vantagem.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro Luís FA.
      Hitler tinha também uma opinião diferente dos outros.
      Será que essa opinião cabe no seu conceito de democracia e tolerância?
      A Democracia não pode deixar-se anular por aqueles que a desprezam. Este ser de nome Joaquim Vieira respeita alguém?

  4. Quando não se pode emitir opinião porque fica mal, ou porque há gente que se sente insultada mesmo sem que o autor tivesse insultado, o caso é grave. Talvez fosse melhor contextualizar e debater o que este senhor quis dizer. Transformar isto em estados de alma tipo facebook é redutor e transforma-nos a todos em censores de nós próprios.

  5. Não estou mesmo nada a ver como se poderia contextualizar o que o tal senhor disse sem fazer com que ele parecesse o que já foi dito sobre ele.

  6. Manuel Rocha says:

    Não vale a pena, não chamar os bois pelos nomes.
    Quem trata as “minorias” como esse “senhor” as trata, está ao lado do “homem da mosca” que também dizia que a raça ariana era a única que tinha direito a existir, e todos os outros, fossem judeus, comunistas, ou outros não arianos deviam ser liquidados
    Esse senhor não chegou a tanto porque seria politicamente incorrecto,, mas pensa como o Hitler. Mas há muitos mais a pensar assim,, mas, não se assumem como tal. Há que tira-los da toca.

    Saudações humanistas

    • Agora fiquei um pouco confuso. Não há arianos comunistas? Pretende portanto tirá-los da toca. Para quê? Para fazer como o Hitler? Eu, que me dei ao trabalho de ler o que o “senhor” escreveu, o que percebi não foi que tratasse mal as minorias, mas que não gostava de ver a deficiência transformada em espectáculo. É uma opinião. Não é a minha, mas obriga-me a refletir sobre as minhas opiniões.

      • Não é “deficiência transformada em espetáculo”, mas sim seres humanos fazendo desporto competitivo, e tendo um pouco de atenção mediática — what’s the big deal? Em que é que isso ofende os Joaquins Vieiras desta vida? Talvez seja, isso sim, uma oportunidade de superarem (herculeamente) os estigmas sociais representados pelas declarações do (esse sim, anormal) Joaquim Vieira. Ou será que o destino das pessoas com necessidades especiais é a completa invisibilidade social e mediática? Por amor de Deus, ele fala em espetáculo grotesco, o que denota um enorme respeito pelos atletas em causa! Sim, isto é um ataque a uma minoria. Aliás, se não fosse um ataque a uma minoria (excluidos de fazerem parte do clube dos “melhores da raça humana”, segundo esse senhor), os comentadores de direita estavam-se nas tintas para a hipotética “liberdade de expressão” do senhor.

        Nota positiva: em Braga (não sei se noutros lados também, não vi) existem outdoors de apoio a um atleta dos jogos paralímpicos (da mesma forma que havia outdoors com atletas olímpicos naturais da cidade). O fim deste tipo de preconceitos medievais também passa por aqui. O fim de julgamentos do tipo “deficiência transformada em espetáculo grotesco”, passa por aqui. Representam o país e a terra de onde vêm como os outros.

  7. Karma is a bitch:
    Atleta paralímpico faz melhor tempo que o campeão olímpico.

    http://www.cmjornal.pt/desporto/modalidades/detalhe/atleta-paralimpico-faz-melhor-tempo-que-o-campeao-olimpico

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