Excessivo é ter que o ouvir


Ontem, na AR, Passos repetiu vezes sem conta no debate parlamentar e consequente votação da descida da TSU para as empresas: “O aumento do salário mínimo é excessivo”. Excessivo é ter que o ouvir. Causa lesões cerebrais irreversíveis.

Comments

  1. Cátia Pereira says:

    O aumento do salário mínimo ficou de ser aumentado, caso houvesse igualmente um aumento de produtividade, se não houver aumento de produtividade e houver na mesma um aumento salarial, como é que a empresa fica? Alguém pensa nisso? Penso que só mesmo os patrões… Porque aqui em PT só se quer aumentar salários, mas também tem de ser analisado se as empresas o podem fazer, pois se não puderem, o que é preferível? A empresa iniciar uma fase de incumprimento, atrasos salariais e chegar à falência ou manter os custos salariais e aumentar a produtividade? Nem a descida da TSU os partidos foram capazes de conceder… Mas afinal as empresas não devem ser saudáveis? Ah não espera, o que interessa é o salário mínimo aumentar e acabou! O resto que se lixe. É que até parece que o nosso país é dos mais produtivos da EU e que o salário mínimo cá em Pt é de 200€… As pessoas não podem simplesmente exigir, há que perceber o que se exige e se realmente será possível os aumentos!

  2. Cátia Pereira,

    Como já tive oportunidade de escrever na resposta a um comentário publicado noutro post, eu considero que a relação entre aumento salarial aliada ao aumento de produtividade é uma falácia que pode e é usado pelo patronato para não conceder os ditos aumentos salariais. Em primeiro lugar porque a produtividade pode ser sistematicamente martelada pelo próprio patrão para se justificar a não aumentar. Em segundo lugar, porque o Estado (não é que o faça porque felizmente o INE ainda é uma entidade minimamente independente) também poderá fabricar números que justifiquem um baixa de produtividade. Em terceiro lugar porque a compra de maquinaria de ponta de uma empresa poderá também ser uma razão que leve um patrão a não aumentar por considerar que o aumento de produtividade se deveu ao seu investimento em aquisição de novas tecnologias.

    Aceito porém que o aumento dos salários, em particular do salário mínimo nacional esteja indexado a três outras variáveis: inflacção (deveria ser obrigatório aumentar o salário mínimo todos os anos consoante a oscilação da inflacção) aumento dos lucros da empresa em relação ao período homólogo anterior ou crescimento económico do PIB do país ou até aos três em conjunto se for caso disso. Em primeiro lugar porque se o custo de vida está mais caro e o salário mínimo está consagrado na lei para que o trabalhador possa usufruir de um rendimento mínimo que lhe permita assegurar a sua subsistência ou a subsistência das pessoas que tem a seu cargo, o salário mínimo deve acompanhar a inflacção do custo de vida. Em segundo lugar porque se o país está a crescer, um aumento de rendimento poderá ajudar a manter esse ciclo de crescimento, a partir do momento em que as pessoas, com um rendimento superior, tenderão a consumir mais. O consumo interno aumentará uma espiral económica positiva que se manifesta, como sabe, no aumento do escoamento dos stocks das empresas, na criação de empresas, na criação de empregos, no aumento das contribuições tributárias para a SS e para o fisco, na diminuição dos apoios sociais a pagar a desempregados, etc. A única forma de um aumento salarial num ciclo de crescimento não influir directamente num aumento do crescimento no ciclo seguinte chama-se aumento das importações nesse mesmo ciclo. Nesse cenário, a coisa pode dar para o torto porque o dinheiro poderá rumar a outras paragens e é chato para a nossa balança comercial e para a nossa balança de pagamentos.
    Em terceiro lugar porque se a empresa gerou mais-valias superiores às do ano homólogo, será de expectar que os patrões sejam obrigados a partilhar um share, nem que seja pequeno, com todos os agentes que trabalharam em função dos resultados. O que acontece é que o aumento dos salários ou dos prémios em Portugal nunca acompanha o aumento da riqueza dos patrões e nem sequer é uma ínfima parte de todas as empresas lucrativas.

    Felizmente, o nosso país está a crescer. Não está a crescer o que deveria estar a crescer face à dívida pública (externa) que temos que pagar, mas está a crescer. Se está a crescer quer dizer que mal ou bem grande parte do tecido empresarial português está a crescer. E se está a crescer, deve-se legislar no sentido de se aumentar os salários sempre que o país cresce. Quando decresce, curiosamente, pela mesma lógica, o salário dito medo desce.

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