Erros que se pagam caro


danilo

Créditos: Alberto Fernandes – zerozero.pt

Danilo Pereira está um senhor jogador. Para além de todo o trabalho defensivo que faz e que não é pouco nesta estratégia de bloco defensivo baixo de Nuno Espírito Santo, o treinador do Porto está a conseguir transformar em definitivo o médio num jogador muito completo. Exemplo disso foi a transformação feita no jogador no capítulo do passe, procurando sempre que recupera a bola lançar os companheiros no contra-ataque com verticais passes de ruptura

Vitória justa da Juventus? Aceita-se. Não é possível escamotear a verdade dos factos: os bianconeri dominaram grande parte da partida, tiveram mais posse de bola e construíram 90% das oportunidades de golo da partida. Por demérito essencialmente de um jogador: Alex Telles. Com duas paragens cerebrais inconcebíveis para este nível, o lateral esquerdo brasileiro (jogador que anda longe de me convencer ao contrário de Miguel Layún) ofereceu o domínio de um jogo até então bastante equilibrado aos italianos e demonstrou mais uma vez que não acrescenta qualidade a esta equipa do Porto.

A expulsão de Alex Telles foi efectivamente o momento do jogo. Até à meia-hora de jogo pode-se dizer que o jogo estava equilibrado e que o Porto estava a cumprir uma estratégia que poderia render um resultado bastante positivo. No plano defensivo, o encurtamento de espaços, o convite ao ataque organizado (obrigando a Juve a praticar um futebol em que não se sente tão confortável), a cobertura exímia que Danilo e Rúben Neves estavam a realizar e que por conseguinte impedia que o jogo chegasse Paulo Dybala (para criar oportunidades de golo, esta Juve precisa de romper pelo meio de forma a colocar o jogo nos pés de Dybala à entrada da área porque o argentino é o verdadeiro criador desta equipa) e a agressividade colocada na disputa das bolas divididas, em especial nos corredores (Maxi e Herrera não permitiram muitas veleidades a um desapoiado Alex Sandro; Mario Mandzukic estranha a posição de falso extremo e nem sequer “entrou” no Dragão) colocavam muitas dificuldades à construção de jogo dos italianos. No ataque, Yacine Brahimi (devidamente apoiado por Alex Telles e pelas desmarcações de Soares para o flanco esquerdo) dava mostras de estar inspirado para uma das suas fantásticas noites europeias.

Facto disso, na primeira meia-hora da partida, foi a necessidade que a Juventus teve de colocar em campo vários processos de jogo. Os italianos começaram por explorar o corredor esquerdo. Quando se aperceberam que Alex Sandro não estava a conseguir lidar com Maxi passaram a variar o jogo rapidamente da esquerda para a direita à procura da magia de Juan Cuadrado ou da profundidade e da capacidade de cruzamento que o internacional suiço Stephen Lichtsteiner oferece ao jogo dos bianconeri. Gorados os resultados de tais investidas,  chegaram inclusive a tentar servir as desmarcações de Higuaín e Dybala através de passes aéreos por cima da defesa do Porto ou a tentar um jogo de tabelas para entrar na área portista. O máximo que os italianos conseguiram (pode-se dizer nos primeiros 60 minutos de jogo) foi criar perigo através de remates de meia distância, aproveitando o facto de terem dois jogadores que à entrada da área (Pjanic, Dybala, Cuadrado) só tem olhos para a baliza quando a carreira de tiro exterior está aberta. Mas efectivamente um dos grandes problemas que denoto nesta equipa italiana orientada por Allegri é a inexistência de jogadores que consigam fazer a diferença no 1×1 no último terço. O técnico italiano tem Dybala, tem Cuadrado a espaços (quando o colombiano consegue receber a bola na quina da área pela direita é um jogador com um drible fortíssimo) mas depois falta-lhe mais qualquer coisa na esquerda do ataque. Por outro lado, Felipe e Ivan Marcano foram conseguindo fazer esconder “El Pepita” Higuaín do jogo.

A equipa não estranhou a expulsão porque no fundo Nuno não teve que alterar nada no sistema de jogo. Mas, perdeu potencial ofensivo com a necessária saída de André Silva (Nuno precisava de deixar em campo o avançado mais forte e combativo que tem no plantel; Soares acabou por fazer o que lhe era permitido fazer; tentar segurar a bola à espera de apoio sempre que a equipa queria sair no contra-ataque), recuou ainda mais as linhas para os últimos 30 metros de forma a suster o volume de jogo que se avizinhava por parte dos italianos, todas as unidades foram obrigadas a correr mais para continuar a encurtar os espaços para fechar linhas de passe (principalmente no corredor central) e teve dificuldades em sair deste colete de forças, se bem que no início da 2ª parte, o Porto ainda conseguiu dar um àr da sua graça.

Deu, efectivamente. Se Herrera tem dado um melhor destino aquele magnífico cruzamento interior do seu compatriota Layún (ter este jogador no banco é um perfeito luxo pela quantidade de oportunidades redondinhas que saem daqueles pés), o jogo seria outro. A equipa estava a ser muito sólida no plano defensivo e o Porto até poderia contentar-se com um magro 1-0 que deixava em aberto a eliminatória para o jogo da 2ª mão em Turim. Assim que vi o mexicano a fazer fraca figura na cara de Buffon pensei para com os meus botões que a jogar com 10, o Porto não poderia desperdiçar tais oportunidades se quisesse tirar um bom resultado do jogo do Dragão.

A Juventus atacou muito mas não atacou bem. Na 2ª parte, os cruzamentos não sairão bem aos seus jogadores nos corredores. Sami Khedira não conseguiu soltar-se do espartilho criado por Danilo e o do próprio Pjanic, para além das habituais aberturas para os flancos pouco ou nada se viu, exceptuando uma jogada magicada pela cabeça do Bósnio que terminaria com um fora-de-jogo muito duvidoso tirado a Paulo Dybala na área do Porto, lance que terminaria com a bola no fundo das redes de Iker Casillas. A equipa de Allegri voltou a criar perigo nos remates à entrada da área.

Até ao momento em que Marco Pjaca foi lançado no jogo. O jovem croata por completo o jogo, não pelo golo que fortuitamente marcou mas pela magia que fez içar nas trocas de bola no último terço, usando o jogo da tabelas para descobrir a chave da assertiva defensiva do Dragão. Foi assim que nasceu com muita sorte o golo do croata no Dragão e uma ou outra jogada de combinação com Miralem Pjanic nos minutos finais. O Porto sentiu obviamente o golo numa altura em que o desgaste físico já se fazia sentir. O 2º golo (Dani Alves) resulta de uma falha de marcação ao 2º poste que é intolerável a este nível (até porque Layún ainda estava fresco) mas ao mesmo tempo compreensível visto que a equipa ainda estava a tentar perceber o que é que poderia tirar da partida.

Creio, para terminar, que a eliminatória está fechada. No Juventus Stadium, a equipa de Maximiliano Allegri irá decerto obrigar o Porto a assumir as despesas do jogo em ataque organizado, retribuindo na mesma moeda a obrigatoriedade que Nuno ofereceu aos italianos  no Dragão. Os italianos sentir-se-ão demasiado confortáveis com a sua vantagem e não sentirão decerto muitas dificuldades defensivas para suster uma equipa que na verdade também sente muitas dificuldades quando é obrigada a jogar em ataque organizado. No plano ofensivo, estou certo que veremos uma Juventus bastante diferente do que vimos hoje. Veremos o futebol italiano no seu estado puro, ou seja, uma equipa cínica que não tardará a capitalizar todos os erros (como de resto capitalizou no jogo de hoje) no contra-ataque.

Comments

  1. Piorquemao says:

    Esqueceram-se de avisar os atletas do futebol corrupto do porto que “lá fora”, contrariamente ao “cá dentro”, na liga fernãodinho das facturas, pivôt corrupto proença, fontanelas pavor e rabos presos, os mergulhos não valem e quando fazem falta sobre o adversário, não é esse que é expulso, é mesmo o gajo que faz a falta,…

    Ainda por cima, pelo observado, será fácil de supor que este árbitro não gostará muito da marisqueira de matozinhos,…Com onze, jogou-se em metade do campo, com dez, jogou-se num quarto do campo e depois já se sabe, quando tudo o mais depende daquela coisa redonda que por ali anda, vulgo, bola,… é um perfeito trapézio sem rede,…

    Pergunta para um milhão: Quem é que os supermacacos vão ameaçar hoje,…???

  2. Por acaso foi uma das coisas que eu comentei várias vezes com a minha namorada ao longo do jogo: existiram ali fases em que os jogadores do Porto pensavam que o árbitro era tuga, tal foi a pujança com que se viraram a ele sempre que as suas decisões não escorregavam para os seus interesses. Quando vi o Brych rodeado de 4 gandulos no momento da expulsão e o Alex Telles de joelhos a rezar, lembrei-me dos célebres anos 90, do Paulinho e do Emerson a rodear o árbitro até ele esconder o cartão do bolso e do Jorge Costa, de joelhos, a implorar ao árbitro para não levar com o dito.
    O Soares também tentou atirar-se para a piscina várias vezes. Depois ficam com uma cara de pau e com os braços levantados a olhar para os árbitros.

    • Piorquemao says:

      Podemos bem imaginar o que está ainda para acontecer, “cá dentro”,…

      • Vai ser uma semana muito quente… muito quente!! Até porque esse jogo não decidirá a meu ver apenas o campeonato mas sim o próprio futuro do futebol português nos próximos 5\6 anos.

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