O observador no seu melhor; o “policiamento das praxes


AAC 2
AA de Coimbra? Não conheço. Conheço a sigla AAC, sigla que abrevia a Instituição Associação Académica de Coimbra. É o que dá poupar nos títulos.

Mas até via com bons olhos o policiamento das praxes. O policiamento a sério, sem aspas, com ordem para dar nas canelas e nas cacholas de todos aqueles frustrados recalcados (na sua praxe) que acham que o uso de uma capa e batina dá direito a super poderes ilimitados para molestar, agredir e humilhar.

Propor a supervisão das praxes por parte das instituições de ensino superior e do governo é algo que não vai mudar absolutamente nada na questão a não ser a criação de mais uma dúzia de observatórios fantasma (quase sempre criados para dar mais uns empregos aos boys das jotas) e de relatórios inconclusivos. O humilhado na praxe vai continuar a humilhar na veste de praxista, o agredido vai agredir, o veterano vai continuar a tentar abusar sexualmente da inexperiente caloira na sua primeira semana (sim, isto acontece!) e por aí adiante. Os crimes que diariamente se cometem pelas instituições de ensino superior deste país continuarão a ser silenciados pelos que os sofrem em virtude daquela estranha e arcaica Omertà imposta pelos vets e as vítimas, bem as vítimas continuarão a desistir dos seus cursos por vergonha ao invés de serem estimuladas a clamar por justiça.

Comments

  1. Konigvs says:

    do que mais me chocou ontem quando passei de relance por uma notícia sobre as praxes, é que o dinheiro dos impostos seja canalizada para que se cometam crimes autorizados pela lei…
    E só pode haver algo de muito errado quando se financia a humilhação dos outros.

    O mesmo país que não permite que eu, por minha vontade, possa ser assistido na minha própria morte, é o mesmo que pega no dinheiro dos meus impostos e o dá a gente que passa o ano todo a humilhar os outros…. e só pode haver qualquer coisa de muito tortuosa nisto.

  2. tá bem tá says:

    ainda por cima, hoje em dia aquilo é o ano inteiro. antigamente era na primeira semana e na semana académica e nada mais.

    • Podes crer. Aqui em Viseu uma das coisas que me surpreendeu em relação a Coimbra é precisamente isso: praxam todas as noites faça vento faça chuva. Em Coimbra é proibido praxar quando chove. Mas também me tenho apercebido aqui em Viseu que a cada dia que passa são menos a ir.

  3. José Peralta says:

    “Propôr a supervisão das praxes”, é uma forma sibilina, hipócrita e encapotada de as autorizar, no “género” praxes sim, mas…supervisionadas !

    Já é tempo de o Ministério e TODAS as Universidades, conjugarem esforços, para as proibir de imediato e punir “os valentões” neo-nazis !

    De que estão à espera, o ministro e os reitores ?

    E o “policiamento” ? Sim ! É para endireitar o lombo das muares (mulas e restantes cavalgaduras) que insistirem em infringir a proibição !

    Ou estão à espera que sejam os pais dos caloiros ofendidos e violentados a fazer Justiça pelas próprias mãos ?

    Se fosse um filho ou filha meus…eu não tardaria a comprar um robusto “cavalo marinho”…

    Mesmo que fosse processado pelos paizinhos dos canalhas, era preferível a chorar a morte estúpida de filhos meus !

    • Ana A. says:

      “Ou estão à espera que sejam os pais dos caloiros ofendidos e violentados a fazer Justiça pelas próprias mãos ?”
      Parece-me, caro José Peralta, que o papel dos pais, em vez de “justiceiros”, terá de ser antes de tudo, o de Educadores! Educando os seus rebentos para a cidadania e o para o respeito pelo outro e por si próprio! Tenho uma filha que entrou este ano lectivo para a faculdade. Está em Filosofia, e porque não é um carneiro e respeita o próximo e a si mesma, não aderiu à bandalheira a que chamam praxe, que aliás repudia. Talvez, porque é uma pessoa equilibrada e de bom senso, e já agora, abstémia…

  4. Que nos livrem de fascistóides engravatados... says:

    Prezada Ana:
    Primeiro a Justiça! Depois a educação…
    Concluindo:
    Umas boas bordoadas no lombo dos praxadores e está resolvida a questão.

    • Ana A. says:

      Só há praxadores porque há gente que se presta a ser praxada! Deixemo-los, pois, usufruir do seu livre arbítrio e que retirem as respectivas conclusões! Vivendo e aprendendo! Os praxados não me merecem mais respeito que os praxadores. São todos farinha do mesmo saco!

      • Joam Roiz says:

        A Ana A. desenvolve uma nova e extraordinária teoria: Algozes e vítimas “são todos farinha do mesmo saco”.

        • Ana A. says:

          Conheço uns quantos, que fazem questão de serem praxados, para depois terem também o “direito” de praxar. Não sei qual é o espanto?! Alguém, por ventura, é obrigado a aderir a essas práticas de humilhação?! Se aderem é porque estão dentro do mesmo “espírito”…

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