O vinho, as mulheres e o coiso


A metafísica é coisa complicada, pelo convém respirar fundo – e talvez beber um copo – para nos aventurarmos nas suas profundezas. É que a tese de Jeron Dijsselbloem segundo a qual os habitantes dos países do Sul – nós, portanto – andam de mão estendida à caridade dos povos superiores do Norte por estoirarem a massa toda em mulheres e vinho, levanta sérias perplexidades. É que “os do Sul” só podem ser, por razões que decorrem da mais elementar e hermenêutica, os homens, os varões. Isto porque andam a gastar dinheiro em vinho e mulheres. Para o Coiso, eles são o sujeito, elas e o tintol o objecto. Ora, sendo assim, fica-me a dúvida: o que andam a fazer as nossas compatriotas além de serem objecto da nossa meridional lascívia? Será que elas são ontologicamente diferentes, quiçá superiores a nós? Na verdade, lá dizia lord Byron que, entre os portugueses, as mulheres pareciam pertencer a uma espécie diferente dos homens, já que elas eram bonitas e eles feios. Claro que não se pode excluir a hipótese de algumas delas andarem também a beber uns copos e a gastar numerário com outras mulheres, que isto ou há igualdade ou comem – e bebem…- todos. Mas persiste a dúvida que nos atormente a alma: será que o ranhoso flamengo pensa que o mal é só dos homens sulistas e se propõe resgatar as respectivas mulheres das suas latinas garras? É que sabemos bem o que significa para esta corja “resgatar”.

Então depois de nos levarem o dinheiro, as empresas públicas – as privadas já lá estavam – e de nos exaurirem a economia a fim de resgatar os seus próprios bancos, querem levar-nos as mulheres a fim, talvez, de nos livrar da tentação e resolver o seu problema demográfico? E não quererão levar também o vinho para que não afoguemos nele as máguas de ficarmos sem elas – e, de caminho, substituir por ele a sua deslavada cerveja?

Que é feito das honestas invasões através das quais os povos bárbaros obtinham esses bens arriscando o coiro em combate? Se isto fosse à antiga, estão ver o Dijsselbloem à frente das hostes flamengas, em posição de combate, para nos arrebatar as mulheres, os dinheiros, os vinhos e a vida? O único risco que corríamos era o de morrer de riso.

Mas ele, nada. Fica-se. O tempora! o mores! de que nos serve sermos leões se somos assim devorados por vermes e percevejos?

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Alguém já informou o Sr, Jeron Dijsselbloem que o Elefante Branco já fechou e que o Pérola Negra agora virou discoteca?
    É que se o homem não está avisado, não admira que diga dispartes destes!

  2. Konigvs says:

    Isto é tudo uma questão de perspetiva.
    Quando por aqui muito se falou no Bicho da Madeira que fez um buraco de não-sei-quantos- mil-milhões nas contas públicas portuguesas, e se descobriu toda a série de investimentos de milhões, completamente inúteis que veio a implicar roubar o subsídio de Natal para pagar esses luxos inúteis deles, não vi aqui ninguém a querer passar a mãozinha no Alberto e dos madeirenses. Bem pelo contrário, ainda me lembro das sátiras diárias.

    Aquando da recente reunião dos informáticos pseudo-empreendedores, ouvia uma reportagem na rádio. Uma qualquer alemã mostrava-se muito impressionada com o Pavilhão Atlântico, mas de imediato perguntou ao repórter: “Então foi neste tipo de coisa em que vocês se enterraram de dívidas?

    Isto é muito interessante de analisar, porque quando a pimenta está no cu dos outros é sempre refresco. Mas quando os ladrões e corruptos somos nós ficamos muito ofendidos que nos chamem aquilo que nós somos. Percebe-se. É mais ou menos como as putas, que mesmo sendo putas não gostam que lhes chamem de putas.

    • Paulo Só says:

      Está enganado. O povo português possui uma longa tradição de auto-flagelação. O que se deve recusar é a introdução na política de uma pseudo moral rasteira e de um vocabulário chulo, como aliás o da sua última frase. O povo holandês deve ter concluído o mesmo, ao arrasar o partido desse senhor nas últimas eleições. Para parafraseá-lo há mais putas nas igrejas e entre os ricos e os bem pensantes do que no Cais do Sodré, como qualquer pessoa minimamente culta sabe desde Gil Vicente.

    • Senhor (qualquer nome que não sei ler), gosta de ser insultado por algum idiota que se sente superior a si? Que bom para si, eu não gosto. Sou portuguesa, do sul, gosto de beber, de homens e não devo nada a ninguém, para além de ser roubada na minha reforma. Toda a vida trabalhei e trabalho, pagando os impostos devidos sobre os recibos que passo, juntando-os à dita mutilada reforma. Faço trabalho totalmente voluntário, pagando para me deslocar para os locais, do meu próprio bolso. Sou uma cidadã normalíssima. Porém não gosto de rótulos de estrangeiros. Ele que se meta com a mãe dele, bárbara assassina que lhe deu um pai que ele nem conhece (gosta desta definição?) …………

  3. ZE LOPES says:

    A frase foi mal traduzida. O que ele disse é que se os turistas do Sul, lá em Amsterdão, gastarem todo o dinheiro entre a “Zona Vermelha” e as “coffee shops”, depois não venham cá pedir crédito.

  4. Paulo Ribeiro says:

    se não houvessem homens a gastar dinheiro em prostitutas, como será que a mãe desse senhor lhe pagava a educação que teve?

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