Ficava-lhe bem dar o exemplo, Marquês Pereira Coutinho


Andava eu a ler sobre calotes ao BES, hoje Novo Banco, a propósito desta interessante posta do Ricardo. Vou por ali abaixo, Luís Filipe Vieira, José de Mello, Joe Berardo, Vasco Pereira Coutinho…Vasco Pereira Coutinho? O nome diz-me qualquer coisa, mas acho que existem vários e são todos bem-sucedidos. Qual será este? 

Vou a ver (Wikipédia) e descubro que estou perante um excelso empresário, dono de duas gestoras de fundos imobiliários, que faz fantásticos negócios, em vários países, vive num palacete em Lisboa, tem uma quinta em Silves e, pasmem-se, um castelo em Ferragudo. Em 2011, quiçá para fazer jus a tal posse, o rei Juan “porque no te callas” Carlos I de Espanha decidiu fazer dele Marquês, isto apesar de o senhor ser já filho, neto e bisneto de viscondes e baronesas. Ainda assim, a recordista de nomes da família, com um total de 10, é a sua sogra, Ana Maria Emília da Mota Veiga Pacheco Teixeira Gomes da Silva Carvalho (nunca tinha escrito um nome tão comprido, foi uma experiência interessante), só ultrapassada pela personagem do Game of ThronesDaenerys Stormborn of the House Targaryen, First of Her Name, the Unburnt, Queen of the Andals and the First Men, Khaleesi of the Great Grass Sea, Breaker of Chains, and Mother of Dragons (mais um recorde batido).

Vasco Pereira Coutinho, para além de pelos vistos andar a “pagar” impostos nos Panamás desta vida, deve uma pipa de massa ao BES, o tal que hoje se chama Novo Banco e que infelizmente (ainda) é nosso. Pelo menos as dívidas e o restante lixo que por lá ficou. Juntamente com os já citados no início desta posta, bem como com Nuno Vasconcellos (o que era mesmo a Ongoing?), Carlos Martins, José Guilherme (aquele senhor que se esquivou à comissão de inquérito ao BES para ir ao barbeiro e que deu uma célebre “prenda” a Ricardo Salgado) ou o Grupo Lena (alguém disse Sócrates?), VPC integra um grupo cuja dívida, segundo o jornal Record, ascende a 6,6 mil milhões de euros, que é mais ou menos o valor que o país perdeu com o resgate do festim do Espírito Santo. Não que estes distintos senhores sejam culpados pelas tropelias de Ricardo Salgado, mas, uma vez que é tudo malta que está bem na vida, ficava-lhes bem pagar o que devem, como as pessoas normais.

Mas Vasco Pereira Coutinho, como o presidente do Benfica ou o amigo de Ricardo Salgado, não são pessoas normais. Porque pessoas normais que pedem emprestado a um banco pagam e não bufam. E não devem 400 e tal milhões. Devem o empréstimo da casa ou a prestação do carro. Pelo que não se percebe que porque é que este grupo de detentores de tão grande calote público, principalmente alguém de tamanha nobreza, sucesso e posses como VPC, não é chamado a cumprir com as suas obrigações. 6,6 mil milhões de euros vinham mesmo a calhar para comprar uns Canadairs, um SIRESP novo ou, quem sabe, para abater à gigantesca dívida do Estado, que o resgate de bancos como o BES fez disparar. O tal que hoje se chama Novo Banco e ao qual o Marquês Pereira Coutinho deve um pipa de massa. Ficava-lhe bem dar o exemplo, não ficava?

 Foto: Victor Freitas@Caras

Comments

  1. JgMenos says:

    Nesse mundo, de «pessoas normais que pedem emprestado a um banco pagam e não bufam», as pessoas são funcionário do Estado, que lhes empresta uns cobres em antecipação de salários.
    A figura do cidadão que pede emprestado para investir, criar emprego e pagar salários a ‘pessoas normais’ não existe. E é que ainda por cima querem enriquecer!?!
    Esse caloteiro é banido, e todos são felizes para sempre!

    • José Peralta says:

      Ó “menos”…

      “A figura do cidadão que pede emprestado para investir, criar emprego e pagar salários” ?

      Claro que te “esqueceste” daquele pormenorzinho “para além de pelos vistos andar a “pagar” impostos nos Panamás desta vida”…

      E essa de “pessoas normais que pedem emprestado a um banco pagam e não bufam», serem “SÒ” funcionários do Estado…

      Essa memória, “menos”, essa memória !

      • JgMenos says:

        Oh Peralta, é obrigatório ser uma pessoa normal?
        Se te comessem acima de 60% do rendimento sentias-.te uma pessoa normal?
        Uma anormalidade exige medidas anormais.

        • Tony Blair(JPdC) says:

          Continuas na senda de êxitos, nas asneiras que por aqui debitas. Um número fora de contexto, vale o mesmo que um saco de pedras.
          Ora, escreveste tu:
          “se te comessem acima de 60% do rendimento sentias-te uma pessoa normal?”

          E daí!? Achas muito?
          O que não faltam para aí são ordenados à volta dos 3.000,00€ brutos, tributados a 31%, já com a sobretaxa de 1,75% incluída, em sede de IRS. Com os descontos para a Segurança Social, ficam lá mais 330,00€. Ou seja, o rapaz leva para o recato do lar, 58% daquilo que ganhou. Os outros 42% ficam na Segurança Social e nas Finanças.
          Portanto, eu sentir-me-ia um privilegiado, ó Menos, porque sou uma pessoa normal.

          Vou explicar-te, porque apanhar um faccioso, é mais fácil, do que comer uma “bifana no pão, com uma boa imperial”.
          A tributação máxima em sede de IRS é de 45,3%, para um rendimento mensal bruto de 25.000,00€, (vinte e cinco mil euros). Se subir por aí acima em termos de escalão, nada varia.
          Mesmo com uma sobretaxa de 3,75%, isto irá para um valor cerca de 49%. E se for um casal sem descendentes, caso contrário ainda diminui.
          Como os descontos para a Segurança Social pagos por ti, sendo trabalhador por conta de outrém, são mais 11% . Enfim, grosso modo, tu descontas para a reforma, 2.600,00€.
          Nessa medida, levas para casa 10.000,00€, os tais 60%.
          Coitadinho, ê pouco!
          Ora, ninguém nas pequenas e médias empresas deste país, paga ordenados desses. Nem o patrão, tem direito a essa benesse.
          Mas nas empresas do PSI 20, isso é normal. Normalissimo. Pudera, é só arranjinhos!
          Talvez por isso elas estejam quase todas falidas. E nós a pagar. Ou seja, monopólios agendados pelos governantes com alguns empreendedores, os do costume, para lá ficarem a seguir.
          A ti dá-te jeito, pois! Dão-te trabalho, não é?
          Ó Menos, chora menos e mija mais. Vais ver que passa!

          • Tony Blair(JPdC) says:

            Deve ler-se:
            “Nessa medida, tu levas para casa, os tais 40%”

        • José Peralta says:

          Ó “menos” !

          60% de rendimento, aonde ? Nas fortunas ! E elas continuam a ser fortunas e ainda dão para pôr “uns dinheiritos” em “ofshores” !

          Mas os impostos sobre o rendimento do trabalho tornam os já pobres mais pobres.

          A “anormalidade”, não está nos 60% ! É tão “difícil” perceberes isto ?

    • Hélder P. says:

      Agora virou defensor dos caloteiros, Menos? Quanto contorcionismo.

      • JgMenos says:

        A ignorância é a fronteira para estupidez.
        Se não houvesse ‘caloteiros’ haveria juros?
        Se não houvesse juros, haveria reformas ( aqui abre-se um parenteses para a geringonça que paga as reformas de hoje com as reformas de amanhã)?

    • Tony Blair(JPdC) says:

      “A figura do cidadão que pede emprestado para investir, criar emprego e pagar salários a ‘pessoas normais’ não existe. E é que ainda por cima querem enriquecer!?!”

      Só um JgMenos pode inferir, que pedir dinheiro emprestado a uma instituição financeira e não pagar a essa mesma instituição, a pretexto de “investir, criar emprego e pagar salários” é normal numa sociedade.
      Para o comum racional, o normal é pedir dinheiro emprestado e pagar. Seja em que circunstâncias forem, mesmo que mitigando algum tempo mais, por uma qualquer vicissitude no percurso. Se o pretexto de investir e criar emprego é motivo para não pagar dívidas contraídas, então o país ficará infestado de vigaristas. E eles, agora, já são mais do que as mães.
      Mas como o JgMenos é uma espécie de Bruxo, tipo consultor de proximidade, que aconselha instituições financeiras e os vários clientes, a irem pelos caminhos da prudência nos negócios e investimentos em que se metem, como se a idoneidade de um cliente, a seriedade das pessoas ou das instituições que se cruzam no mercado, pudessem ser medidos por uma qualquer fórmula mágica, e não por índices de confiança, como se fosse possível prever o instinto de artimanha, de sobrevivência do “animal predador”, acabamos por ficar com mais um charlatão no Cartel de vigaristas que pululam neste país.

    • Paulo Marques says:

      Criar emprego e investimento no Panamá, só se for.

  2. anti pafioso. says:

    Mas onde anda o M P .?

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