Banda sonora para um dia inicial inteiro e limpo

Era meia-noite e vinte. No programa Limite, da Rádio Renascença, começavam a soar os passos coordenados que antecedem os versos da icónica Grândola Vila Morena. Estava em marcha a Revolução dos Cravos. A madrugada que a liberdade esperava, a alvorada da democracia, o dia inicial inteiro e limpo.

25 de Abril Sempre, fascismo nunca mais!

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Aproveitem para ver o concerto do Agir, na RTP1, na noite de Sábado. Vale a pena perder aquela hora.

  2. Rui Naldinho says:
  3. POIS! says:

    Ainda bem que o João nos relembra, como se fosse necessário.

    Sim, porque a malta da Direita este ano se tem multiplicado a promover o “E Depois do Adeus” como a “verdadeira senha”. Os autores não têm culpa nenhuma, mas tem sido assim.

    E lá vêm os “quem me abandonou” e o “de quem me esqueci”, supostamente o “povinho humilde”. Choradinho da treta.

    Não é que, especialmente para o Venturoso Enviado o “quis saber quem sou” e “o que faço aqui” a letra não esteja a matar, tal a amnésia seletiva que lhe costuma dar, quando convém.

    Ironicamente o “Grândola Vila Morena” acabou por ser a senha do MFA porque…era uma das faixas do álbum “Cantigas do Maio” que não estava proibida de passar na rádio. Aliás, e era um sinal dos tempos, era uma das canções que mais passavam no célebre programa “Quando o Telefone Toca” da Rádio Renascença, respondendo a pedidos constantes dos ouvintes. Respondendo a um movimento espontâneo que já tinha levado Zeca Afonso ao Festiva do Rio de Janeiro em 1972 com a canção “A Morte Saiu à Rua”.

    Otelo queria que tivesse sido “Os Vampiros”, mas estava proibida em todas as rádios. Outra tentativa, a de que fosse a canção “Venham Mais Cinco”, também esbarrou na censura interna da Rádio Renascença, de que o programa “Limite” era uma vítima constante. A rádio da Igreja era ainda mais papista que os papas do regime…

    Grândola? Venham mais Cinco! Morte aos vampiros!

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  1. […] Em português europeu, Abril é Abril. Efectivamente, sempre. […]


  2. […] de ditadura e é apenas esse dia que neste Dia celebro sem reserva alguma. E celebro sim, com a Grândola que o João Mendes já colocou e com a marcha “A Life on the Ocean Wave”, de Henry Russel, adoptada como […]

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