Sentido de Estado e a memória curta da direita: o caso do irrevogável Paulo Portas

Agora que o chumbo está consumado, e voltando ao spin dos últimos dias, a propósito das críticas que foram sendo feitas à postura do BE e do PCP, esses bandalhos que estavam a enganar o país com uma encenação desavergonhada, confortavelmente instalados no bolso das moedas de António Costa, e que acabariam por vender o seu voto e a sua integridade por cinco tostões, mas que lá se juntaram aos seus detractores para sepultar o que restava da Geringonça – paz à sua alma! – vamos lá viajar até 2013. E vamos de submarino.

Aquando da demissão de Paulo Portas – que era irrevogável, assumia o próprio em comunicado – o país mergulhou numa crise política que significou um aumento de 8% dos juros da dívida pública, qualquer coisa como 2,3 mil milhões de euros. Foi este o preço da birra do último governo de direita: 2,3 mil milhões de euros. Acontece que as convicções de Portas, mais a irrevogabilidade da sua demissão, tinham, também elas, um preço, que Passos Coelho decidiu pagar: promoveu Portas e vice-primeiro-ministro e cedeu mais um ministério ao CDS-PP, desta feita o da Economia, com a pasta a ser entregue a Pires de Lima. E o irrevogável deixou de o ser.

Dito isto, é sempre bom recordar que a direita nunca teve e continuará a não ter moral para dar lições sobre estabilidade, responsabilidade ou sentido de Estado a ninguém. Sejam os protagonistas da crise política de 2013, sejam a IL e o CH, feitos, em larga medida, com quadros que vieram do PSD e do CDS. Por falar em CDS, como foi mesmo aquela história da ministra que assinou a fabulosa resolução do BES na praia, sem sequer a ler?

Pois.

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    Para variar das queixinhas selectivas do Centrão – a carneirada do PS que só aponta os podres do PSD, e vice-versa – temos agora as queixinhas selectivas das muletas do Centrão.

    Então e a irrevogável Dona Portas, lembra o Mendes. Bem verdade, embora não ficasse mal lembrar que essa farsa da D. Portas só deu tanto prejuízo por dois absurdos: a partidocracia que temos; e o casino financeiro de que dependemos.

    Numa democracia, seria quase indiferente se o ministro era fulano ou sicrana. Os responsáveis políticos devem ser meros executores da vontade popular, expressa em votações regulares. A D. Portas demite-se? Já vai tarde. Não há falta de substitutos.

    E sem a chantagem mamona dos ‘mercados’, esse casino ciclotímico que obriga países inteiros a viver de joelhos, não vão os histéricos ‘investidores’ perder a ‘confiança’ (que jamais tiveram ou terão), a demissão da D. Portas seria também menos onerosa.

    Sentido de Estado… neste esgoto pulhítico? Nestas máfias onde entram tesos e saem altos quadros de multinacionais? É para rir?

    • Rui Naldinho says:

      Não é todos os dias que você vê o Paulinho das Feiras de pandeireta na mão, a dançar o samba ou a bossa nova, ainda por cima com a camisa manchada de suor, ou será que entornou bebidas 🍸 ?
      Paulo Portas é um dos muitos casos de sucesso mediático, até foi director de um jornal, estilo Correio da Manhã, versão semanal, o Independente, mas cuja obra produzida vale zero. A começar logo pelas quatro folhas A4 que apresentou à CS e ao país, quando ministro de Passos Coelho, com a célebre Reforma do Estado.
      Dito isto, acredito que desta vez, se a direita alcançar o poder, tenho algumas dúvidas, mas não se pode descartar essa possibilidade, não vá a correr fazer as mesmas cagadas que fez Passos Coelho. Desta vez já não têm a desculpa esfarrapada do resgate, da Troika, etc. Esse foi o verdadeiro suicídio da direita. Escolher o alvo mais fraco, mantendo os negócios rentistas tal como estavam, os Rendeiros, Oliveiras e Costa, Salgados e Companhia. Sócrates foi só um pretexto de passa culpas.
      Quanto ao PS, escolheu o caminho que sempre quis, e do qual nunca quis sair. Agradar a gregos e troianos.
      Bem vistas as coisas, PS e PSD são ambos uma e a mesma coisa. O que lhes interessa é o protagonismo e os negócios que à pala do Estado, este pode gerar, via fundos europeus.
      O PS prefere controlar a economia inundando o aparelho de estado de militantes e simpatizantes seus. O PSD prefere controlar o regime inundando a economia de negócios parasitários, fraudulentos, rentistas, subjugando tudo e todos à sua vontade. Onde não faltam Bancos à fartura.
      Só tenho pena é de não poderem perder os dois.

      • Filipe Bastos says:

        Bem dito, Naldinho.

        Uma ressalva sobre a desculpa de Passos para saquear o país: a máfia do 44 deixou-o realmente na bancarrota e à mercê da Troika. Não era só desculpa.

        Claro que depois Passos e a sua máfia – Relvas, Borges, etc. – aproveitaram isso para encher os mamões do costume. Tal como diz, PS e PSD são duas faces da mesma moeda, duas poias do mesmo penico. Andam todos ao mesmo.

        Outra ressalva: eu gostava do Independente. Não era bem um CM; tinha substância, tinha bons cronistas. E fartou-se de malhar na Múmia Cavaca. Só por isso já valia.

        • Rui Naldinho says:

          É verdade que Sócrates foi o culpado.
          Em todos os crimes há um culpado, mesmo quando executado por muitos. Muitos mesmo.
          Sócrates governou um país, onde António Mexia, ex ministro de Santana Lopes, se fartou de traficar influencias. Não me parece que o dito cujo fosse do PS.
          Sócrates governou um país onde Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, terão sido manipulados por Ricardo Salgado. Não me parece que qualquer um deles, seja socialista.
          Temos João Rendeiro. Temos Joe Berardo. Temos o João Pereira Coutinho. Nenhuma destas pessoas é de esquerda.
          Numa coisa Sócrates tem razão quando afirma:
          ” Eu sou o líder que a direita sempre desejou”

      • Melga says:

        “ainda por cima com a camisa manchada de suor, ou será que entornou bebidas 🍸 ?”
        Nada Disso, a nódoa é de olio de um motor do submarino.

    • Paulo Marques says:

      A vontade popular é ver a bola a beber cerveja, pá.

      • Filipe Bastos says:

        Para sua alegria, não é? Assim os pulhíticos podem continuar a “chegar-se à frente”, como v. diz, e a tudo decidir em nome das massas ignaras que lhes pagam a mama e o tacho.

        E viva a “democracia”!

        • Paulo Marques says:

          Nem por isso, mas é o que é. Por muito atractivo que seja a vontade da multidão, também é claro que, chegando ao nível de educação adequado, continuariam a não querer preocupar-se e, em larga medida, a apoiar, para o bem e para o mal, a opinião de quem falasse melhor. Se uma democracia directa é possível, tão cedo não é, e as maiores manifestações, sejam as de 68, Ocuppy ou Jillets Jaunes mal são capazes de se organizar a si próprias, quando mais serem consistentes. E todas têm, sim, “quem se chegue à frente”, como têm as anti-restrições ou anti-imposto aos combustíveis.
          Isto não é para afirmar que o caminho não é esse; não faço ideia. Certamente não é para dizer que mais consultas seriam más em várias matérias. Só não é é solução para 2021, e se o Filipe não sente a quantidade de pessoas que também lhe caiam em cima não percebe muito de pessoas.

        • cheganoshunter says:

          o filipinho é descendente daqueles que por cá andaram nos idos de 1600 a elevar o País? é que manda um certo bafio a chegano já milita ou anda treinar pra tal.

  2. JgMenos says:

    A cambada perdeu o brinquedo!!!!!
    Vão fazer tantas perrices…

  3. POIS! says:

    E qual é a música que o Paulinho está a acompanhar?

    Aceitam-se sugestões e apostas. Aqui vai a primeira:

    “E zumba no sobreiro,
    E no sobreiro zumba,
    Eu e o Capêlo Rego,
    Toda a noite catrapumba!”

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