Ó Álvaro, explica lá isso!

Álvaro santos Pereira afirma que acabou o tempo “dos subsídios e obras faraónicas”

  

Álvaro Santos Pereira e três secretários de Estado recebem subsídio de alojamento

Comparando as duas notícias, parece que, até ver, só acabaram as obras faraónicas, já que alguns subsídios continuam. Como funcionário público, e, portanto, colega do Álvaro, fico contente por ver que, neste caso, o Estado, afinal, pensa nos seus servidores, especialmente aqueles que são obrigados a trabalhar longe de casa. Só falta estender o mesmo direito a  todos os funcionários públicos que estejam nas mesmas circunstâncias. Mal posso esperar por esse anúncio!

A Vítor Gaspar soletrado em três palavras: filho da puta

Trata-se de intervenção do ministro da Economia, que estaria a submeter ao colectivo medidas de intervenção na economia. Terminada a exposição, o ministro Vítor Gaspar afirmou seca e cortantemente: “Não há dinheiro”. Mas Santos Pereira insistiu; e então o ministro das Finanças retorquiu-lhe apenas: “Qual das três palavras é que não percebeu?”. É, efectivamente, um bom número, mas que revela três coisas inquietantes: a pesporrência de Vítor Gaspar, a falta de respeito dele para com o PM e a incapacidade deste para meter na ordem o seu ministro das Finanças.

Magalhães e Silva citando Maria João Avillez

E em filho da puta, qual será a palavra que Vítor Gaspar não percebe?

O beatério já manda?

A gente lê e não acredita. «M’espanto às vezes, outras m’avergonho» com o país em que vivo.
Então não é que o Álvaro já fez saber que vai negociar com a Igreja o fim de dois feriados religiosos! O Álvaro, membro de um Governo democraticamente eleito. O meu Governo porque, mesmo não gostando dele, não tenho outro.
Em bicos de pés, como sempre, a Igreja, cujo feito mais impressionante dos últimos tempos foi a tentativa de expulsar de um anexo do Santuário de Fátima uma velha acamada, já anunciou que o feriado de 8 de Dezembro é inegociável. Mas inegociável o quê? O beatério já manda?
Com que direito é que uma instituição privada julga ter tamanho poder sobre as decisões políticas de um país? Com que direito é que o Estado laico celebra com essa instituição Concordatas e outros documentos que mais não são do que uma forma de privilegiar uma Igreja em relação a todas as outras? Com que direito é que o EStado laico se submete às directrizes da Igreja?

Andas a desiludir-me, Álvaro

Ó ÁLVARO EU ATÉ GOSTAVA UM BOCADINHO DE TI, HOMEM!.

Das desilusões que a nível geral me tens provocado, talvez que por falta dos meios que não tens para gerir convenientemente tão grande Ministério, não vou falar agora.

Foste para mim, uma lufada de ar fresco na habitual politiquice Nacional, com aquela coisa de “chamem-me Álvaro, que eu gosto”.

Não é que eu entenda que os gajos todos te devam chamar assim, afinal sempre és Ministro e mereces um bocadinho de respeito, mas nós, os que em ti votamos e acreditamos (sim, que embora ninguém soubesse que irias ser tu o eleito na altura das votações, os votos devem ser-te extensivos à posteriori) podemos e devemos tratar-te como assim o queres. Somos uma espécie de amigos do peito. Os outros que te tratem por Senhor Ministro.

Mas hoje, Álvaro, meu amigo, fiquei a saber que tens desrespeitado os meus outros amigos e conterrâneos, e porque para além de amigos como tu, são conterrâneos, passam à tua frente, como facilmente entenderás. E, diga-se em abono da verdade, fiquei um bocadito aborrecido contigo. Fiquei sim, fiquei! [Read more…]

Álvaro Santos Pereira, o ministro que discorda do economista que há em si

A ideia de que somos um país de baixos salários é simplesmente errada. Portugal tem os salários que merece e que se adequam ao nosso nível de produtividade e de desenvolvimento. Quanto muito, os nossos salários médios são demasiado altos para a baixa produtividade. No entanto, mesmo que isso seja verdade, não devemos pensar que a nossa economia está perdida e o nosso futuro hipotecado. Mesmo os “fundamentalistas dos salários” têm que reconhecer que ainda compensa a muitos investidores (incluindo espanhóis) investirem em Portugal, pois os nossos custos salariais são ainda razoáveis quando comparados com as médias salariais de muitos dos nossos parceiros europeus. Por outro lado, mesmo os fundamentalistas são forçados a admitir que o crescimento dos nossos salários tem ficado bem aquém do registado na maioria dos países do Leste europeu, o que, a médio prazo, lhes retirará a atractividade salarial face a Portugal. Por fim, mesmo os fundamentalistas dos salários têm que reconhecer que existem outras considerações para além dos salários. A inovação e mesmo grande parte da imitação depende bem mais de factores como o sistema de incentivos do que de meras comparações salariais.

Álvaro Santos Pereira, Os mitos da economia portuguesa, Lisboa 2007, p 70

Para os distraídos: aumentar o horário de trabalho é na prática baixar os salários. Os chamados 13º e 14º mês fazem parte do salário anual de quem os recebia, os ordenados, tal como os orçamentos, fazem-se ao ano. Aumentar o horário de trabalho também é um eufemismo para reduzir salários. Fundamentalistas, portanto.

O novo governo

Assunção CristasO Eduquês envergonhadoIndependentemente da cor partidária, acho que este é um bom governo. O que não era difícil, bastando cortar com a governação pela propaganda comunicação.

  • Estou muito curioso quanto a Nuno Crato. Acho que foi boa escolha, espero que consiga acabar com o sucesso educativamente estatístico.
  • Ao contrário de muitos portugueses que têm ido em busca do sonho luso lá fora, Álvaro Santos Pereira largou os seus desmitos no Canadá para ser ministro cá.
  • Assunção Cristas, que ganhou mediatismo nos últimos tempos, fará parte da estreante geração “ministros que já tinham página no Facebook”, pelo que tenho uma certa curiosidade em perceber se esta página se manterá aberta. Se não for fechada, estaremos perante um novel meio de contactar o titular (a titular, no caso presente) de uma pasta ministerial.
  • Surpresa, surpresa, o homem que colheu os louros pela prévia informatização do fisco vai comandar a Saúde. Vai ser giro acompanhar o que O Jumento vier a, recorrentemente, escrever (aposto).

Quanto aos restantes ministros, vamos ver como corre. O programa troiquiano está definido de há dois meses a esta parte e, a bem de todos, esperemos que este governo seja capaz de o cumprir e que isso nos tire da fossa onde estamos há uma década.

segue-se o texto «O Eduquês envergonhado» de Nuno Crato, publicado no Expresso / revista Actual a 27 de Outubro de 2007. [Read more…]