O beatério já manda?

A gente lê e não acredita. «M’espanto às vezes, outras m’avergonho» com o país em que vivo.
Então não é que o Álvaro já fez saber que vai negociar com a Igreja o fim de dois feriados religiosos! O Álvaro, membro de um Governo democraticamente eleito. O meu Governo porque, mesmo não gostando dele, não tenho outro.
Em bicos de pés, como sempre, a Igreja, cujo feito mais impressionante dos últimos tempos foi a tentativa de expulsar de um anexo do Santuário de Fátima uma velha acamada, já anunciou que o feriado de 8 de Dezembro é inegociável. Mas inegociável o quê? O beatério já manda?
Com que direito é que uma instituição privada julga ter tamanho poder sobre as decisões políticas de um país? Com que direito é que o Estado laico celebra com essa instituição Concordatas e outros documentos que mais não são do que uma forma de privilegiar uma Igreja em relação a todas as outras? Com que direito é que o EStado laico se submete às directrizes da Igreja?

Comments


  1. Não será propriamente a única instituição privada a ter tamanho poder sobre um país … poder bem pequeno, aliás, se comparado com o dos verdadeiros tubarões.
    Mas, por princípio, não discordo do que diz.


  2. Com o mesmo direito com que a igreja sempre se imiscuiu com os assuntos políticos desde há séculos. Igreja e estado são de uma espantosa similitude de intenções! Quer numa quer noutro há interesses a defender e imagens a proteger. Se pensarmos bem, esta esgrima politico-religiosa é uma farsa destinada a manter bem patentes, perante a opinião púbica, as duas “autoridades”.

    Mas isto é o que se faz à boca do palco, porque nos bastidores permanece intocável o conluio milenar!

  3. jose carvalho says:

    se o beato diz que quer o 8 de Dezembro já manda

    se diz qye é o 15 de Agosto, é acusado de ceder feriados. em que ficamos ?


  4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Concordata_entre_a_Santa_S%C3%A9_e_Portugal_(2004)

    Artigo 30º

    Ou seja, o governo está obrigado a negociar com o Vaticano, o estado mais totalitário da Europa (e no resto do mundo tem pouca concorrência).

  5. Carlos says:

    Amigo, qual é a sua religião? Tenho cá uma fé que é “intolerância”, Mas olhe que essa religião, é muito pior do que religião católica e, até, do que a religião dos que se dizem “testemunhas de Jeová” ou outras seitas semelhantes, ou piores. Portanto, o amigo muda de “religião”, ou vai viver toda a sua vida num inferno.

  6. Konigvs says:

    Já há muito tempo que coloquei um tópico num fórum sobre “estado laico x feriados católicos”. É uma completa aberração que todas as pessoas de todas as outras religiões tenham de gozar feriados que não lhes dizem absolutamente nada, e por certo nos dias importantes da sua religião terem de trabalhar. Onde é que está a lei que diz que todos os cidadãos não são iguais em direitos e não podem ser descriminados pelo credo religioso?

    Muito interessante também é ver os católicos, aqueles que o são porque só porque sim – ah e que também põem a cruzinha no “católico” nos censos não vá o nosso senhor castigá-los ao fogo do inferno – depois não saberem por que é que é feriado!!
    Isso então adoro!!
    São tão importantes os feriados católicos que os seus crentes nem sabem quais são, e enchem os cemitérios no 1 de novembro e o dia que a igreja lembra todos os que já morreram é no dia 2, mas isso agora não interessa nada!!


  7. Anda tudo preocupado com os tostões que esses malandros dos funcionários públicos – os maiores responsáveis pela degradação das contas públicas, sabe-se agora – e ninguém protesta pelo facto do Estado, com o fim de quatro feriados, ter de gastar mais doze milhões de euros?!

  8. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Só li disparates de muitos quilates – querem DIREITOS das MINORIAS (eu perteno a uma minoria e não sou da UURD que ocupou o cinema s. Jorge e rouba as pessoas até ao pescoço ?? querem um feriadozinho e “ponte” para irem para a praia e ainda dizem o que disseram ??’ – porque não acabam com o 10 de junho – ou é DIA DA RAÇA ?? mas que grandes trabalhadores que contribuem nos feriadoa para compensar o que os ladrões (católicos no governo actual & outros LADRÕES vêm agora reclamar para sacarem mais ??
    Deixem a tradição ou são também contra as TOURADAS de Barrancos ou há tradições mais à maneira do que outras ??’ têm algum critério tudo o que escreveram ?? quem mais nada sabe fazer acaba com o que tem milénios – que gente culta tem o meu país e TOLERANTE e sábia – não acham que se devia acabar com o DOMINGO ??? porque não mudam o domingo para outro dia que mais vos convenha e não ofenda a vossa laicicidade ??? de tão modernos e universais que querem ser acabam por ser o quê ?? o que é ser português – habitante europeu da PERIFERIA ??

  9. Ana Maria says:

    A negociação decorre da Concordata existente entre dois estados soberanos – Portugal e a Santa Sé. É um documento diplomático, nos termos do Direito Internacional, que tem de ser respeitado, e que foi revisto em 2004.
    Naturalmente que quem não concorda sempre pode ir trabalhar aos dias santos. E também aos Domingos, porque , para quem não sabe, a única razão porque existe folga ao Domingo é porque a Igreja Católica insistiu com o Estado.
    Até meados do século XX, em Portugal, ainda era costume trabalhar 7 dias por semana, sobretudo no comércio.


  10. Caro senhor começo o meu post por citar um pequeno excerto deste seu texto “o Estado laico celebra com essa instituição Concordatas”. Ao proferir estas palavras, da forma como as profere, denota algum desconhecimento pela história de Portugal, um país que como sabe foi construído pelos Reis Católicos, que foram conquistando e, mais tarde, reconquistando o território que hoje temos como nosso. As Concordatas surgiram como forma de o Estado poder usufruir também ele de alguns espaços que estavam na posse da igreja e que constituem parte importante do nosso património histórico, que de outra forma seria penoso ou até mesmo impossível usufruir deles, falo por exemplo do espaço extremamente importante como é o Mosteiro dos Jerónimos. Bom, poderia dizer que neste caso o Estado resolveria a situação nacionalizando esses espaços expulsando a Igreja dos mesmos, concordo.
    Mas coloco-lhe a seguinte questão: “Sabia que a Igreja tem um papel extremamente importante na sociedade portuguesa, seja esta laica ou não?”
    É verdade, a igreja católica que parece odiar cegamente, tem tido nos últimos anos e está a ter um papel muito importante na Sociedade Civil no apoio aos mais carenciados e aos desprotegidos deste país, através de instituições como sejam as Santas Casas das Mesericórdias. É verdade, e nisto concordo consigo que existe, por vezes, uma proximidade demasiado grande entre os poderes da igreja e do Estado.
    Mas não deverá o Estado, embora laico, ter uma postura de diálogo com uma instituição secular que representa uma série de atitudes e valores partilhados pela maioria dos portugueses?
    Termino, dizendo que não estou aqui a defender ninguém, nem sequer sou católico praticante, embora baptizado.

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  1. […] pretende aumentar os lucros patronais e segundo porque meter um estado como o Vaticano ao barulho é coisa terceiro-mundista, desde já adianto a conclusão: já que estamos num tempo de regressos ao passado, acabem com o 25 […]