Genealogia da moral

Abundam nas redes sociais – nestas redes inclui-se toda a comunicação social, que também é uma rede – referências críticas às últimas remodelações governamentais, designadamente a aspectos relacionados com os laços familiares que unem certos membros do Governo da República.

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Arte de Furtar

Ao fim de uma longa maratona-sprint de onze horas para presidente ver, o Conselho de Ministros do Governo de Portugal, SARL, subtraído já dos membros que, exaustos, tiveram que ser retirados pelos bombeiros, de helicóptero, para um SPA em Chamonix, decidiu que é preciso despejar quatrocentos milhões de euros nas zonas ardidas.

O PSD veio imediatamente prestar a sua solidariedade e concordância com tão generoso bodo.

O PCP pergunta de onde vem o dinheiro.

O português médio, com a quarta classe antiga, deve levar desde já as mãos à carteira e tentar descobrir se as notas já começaram a escorrer, identificando aqueles que afiam o dente e vertem baba.

Começou a gatunagem.

Nem o Pinóquio

Por acaso, naquele conselho de ministros, três dias antes do estouro do BES, o comunicado final omitia uma das resoluções adoptadas: a alteração à lei sobre protecção de investidores e hierarquia de credores numa resolução. Maria Luís Albuquerque explica: foi por lapso.

Fantasia

Tudo se prepara para a reunião do Conselho de Ministros. Estão todos lá, acompanhados dos seus numerosos secretários de estado. Passos Coelho assume a presidência e vai afivelando um sorriso torpe e ligeiramente sinistro. Portas afaga a breve cabeleira, naquele gesto triunfal que tão bem se lhe conhece. Vão aprovar leis duras. Serão cortes, despedimentos, perda de direitos, tudo quanto os presentes pensam que os portugueses merecem. Subitamente faz-se um silêncio estranho. A luz torna-se mais fraca, o ar parece ficar opaco, a temperatura baixa e provoca arrepios. Então, uma sombra começa a definir-se. Um vulto de trajos negros como a noite agiganta-se. E uma voz profunda, rouca, sombria, gela o sangue dos presentes: I’m Batmam.

Conselho de Ministros

conselho de ministros
Entraram na sala. Estavam todos. Os seus computadores, ligados em rede, esperavam pela palavra-passe que cabia ao primeiro ministro introduzir. Este, movimentou os dedos como quem os aquece e,fazendo o seu sorriso mais inteligente, digitou: ABRE-TE SÉSAMO.

E, afinal, quantos reunidos é que os ministros tiveram?

tiveram reunidos

A estas perguntas pertinentes e importantes, os senhores jornalistas não respondem. Nunca respondem.
O que serão reunidos? Alguma coisa de comer? Tratando-se de ministros, e se os reunidos fossem enviados por mim, seriam assim algo parecido com bombons injectados com veneno, ou uma praga de animaizinhos tipo sanguessuga. Sanguessuga não, que isso já eles são. Mas qualquer outro tipo de praga.
Podem ser prémios exclusivos para ministros, tipo os Óscares dos mais mal vestidos, mas para personagens do governo (desculpem, algo me impede de lhes chamar personalidades) altamente desqualificadas como profissionais e seres humanos.
Sendo os reunidos algo tão importante que até aparece nas notícias, por que motivo não tiveram câmaras a filmar essa cerimónia de atribuição de reunidos? É muita incompetência, os senhores ministros num momento tão importante e não estiveram cobertura mediática.
Quando li este rodapé, pensei que ia ver algo de interessante, mas afinal, estive uma grande decepção. A SIC não esteve imagens para transmitir. Daí eu presumir que nenhuma equipa de reportagem teve no local. Tá mal.

Se agora já se escreve assim, imagino o que irá acontecer dentro de uns anos, quando se começarem a sentir os efeitos dos sucessivos cortes na educação.
Mas não tem mal, nessa altura faz-se um novo acordo ortográfico que contemple estes e outros erros.

Moedas, o mensageiro

Carlos MoedasComo se depreendia, e ao contrário do afirmado previamente por Passos Coelho no estilo de torpeza que lhe é próprio, a reunião deste Sábado do Conselho de Ministros teve, como principal ponto da ordem de trabalhos, ‘o corte dos 4 mil milhões de euros para efectivação da ‘reforma do Estado’.

No final, e desta vez sem o auxílio da censora Galvão, lá apareceu o Moedas na função de ‘mensageiro’. O jovem engenheiro-financeiro, a quem até nem ficaria desajustada a designação de ‘moço de recados’, traz-me à memória ‘O Mensageiro’, de Oren Moverman.

No filme, dois oficiais estão incumbidos de anunciar às famílias a morte de soldados em combate. A Carlos Moedas também foi cometida pelos chefes, Gaspar e Coelho, a tarefa de anunciar desgraças às famílias portuguesas. Haverá apenas uma ínfima coincidência sinóptica. Moedas não foi autorizado a divulgar pormenores do ‘dossier’. –Assuste-os apenas! – ter-lhe-ão ordenado os chefes.

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O governo reune Sábado e os portugueses ficarão mais lixados

CMDo ‘Público’:

Reunião foi adiada apenas porque na quinta-feira não havia ministros de Estado em Portugal que conduzissem a reunião no lugar de Passos Coelho.

Poderia dizer: – Bem feito! Vão trabalhar Sábado que se lixam! – Expressão elevada e muito cara a Passos Coelho.
Porém, quem, no final do filme, acabará por se lixar seremos nós, os cidadãos comuns. Isto é, quem está desempregado, para o ano permanecerá desempregado; os idosos de reduzidas reformas, desde que sobrevivam, dentro de um ano, comerão as mesmas sopinhas, uns pãezinhos barrados a margarina e umas peças de fruta ‘tocada’, da IPSS que deles cuida, continuando, embora, sem dinheiro para medicamentos, sofram de diabetes, do coração ou de patologias mais graves; o futuro dos miúdos será menos alegre, privados de novos ‘jeans’ ou ‘Nikes’, limitados a festas de aniversário com o máximo de três amigos e a ida às destes que impliquem gastos com prendas, nem pensar!; outras crianças no máximo enchem a barriguinha de fome, aqui e ali mitigada por um bocado de casqueiro;  para os outros cidadãos, já bem esbulhados, Sábado próximo começa a saga tortuosa das matrizes macroeconómicas, do Gaspar e do Moedas, com cortes sobre cortes, incluindo os custos com pessoal e consequentes ingressos no desemprego. Os sem-abrigo, esses esperarão em vão que o Ulrich se lhes junte.

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A Vítor Gaspar soletrado em três palavras: filho da puta

Trata-se de intervenção do ministro da Economia, que estaria a submeter ao colectivo medidas de intervenção na economia. Terminada a exposição, o ministro Vítor Gaspar afirmou seca e cortantemente: “Não há dinheiro”. Mas Santos Pereira insistiu; e então o ministro das Finanças retorquiu-lhe apenas: “Qual das três palavras é que não percebeu?”. É, efectivamente, um bom número, mas que revela três coisas inquietantes: a pesporrência de Vítor Gaspar, a falta de respeito dele para com o PM e a incapacidade deste para meter na ordem o seu ministro das Finanças.

Magalhães e Silva citando Maria João Avillez

E em filho da puta, qual será a palavra que Vítor Gaspar não percebe?

Post de não incitamento ao terrorismo

Tenham cuidado, muito cuidado…

No conselho de ministros do dia 11 foi aprovada uma proposta de lei que visa criminalizar o incitamento ao terrorismo. Foi publicado o seguinte resumo:

4. Proposta de Lei que criminaliza o incitamento público à prática de infracções terroristas, o recrutamento para o terrorismo e o treino para o terrorismo, dando cumprimento à Decisão-Quadro n.º 2008/919/JAI do Conselho, de 28 de Novembro, que altera a Decisão-Quadro n.º 2002/475/JAI relativa à luta contra o terrorismo, e procede à 3.ª alteração da Lei n.º 52/2003, de 22 de Agosto (pdf)

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