O fim do mundo vai ter que esperar

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É o fim da linha. A temível Geringonça avança, impune, e nem Schäuble ou a sua clique de burocratas comunitários conseguiram, até ao momento, manufacturar uma crise suficientemente destruidora para abater a perigosa esquerda. Eles bem tentam, com a sua chantagem e declarações incendiárias, mas ainda não houve meio de liquidar a democracia representativa. Nem atribuindo ao actual governo a culpa pelo rotundo falhanço do anterior em cumprir as metas do défice no período 2013-2015 deu conta do recado. Convenhamos: era um argumento fraquinho. [Read more…]

Nevermind

Li a notícia do casaco de lã com mais de vinte anos, desbotado, com um buraco de queimadura e um botão em falta, que foi vendido em leilão por 137.500 dólares, perto de 130 mil euros. O casaco pertenceu ao Kurt Cobain (sim, posso usar o artigo para nomeá-lo, we go back) e foi usado por ele no célebre concerto unplugged da MTV, aquele que permitiu que ouvidos sensíveis (que consiste, no fundo, noutra forma de dureza de ouvido) apreciassem pela primeira vez os Nirvana.

O meu primeiro pensamento foi, naturalmente: “Puta que os pariu”. As voltas que o gajo daria no túmulo se soubesse. Um casaco todo lixado, que já estava todo lixado há vinte anos, porque não nos passaria pela cabeça que ele usasse outra coisa senão um casaco todo lixado, a ganhar valor de mercado, a transformar-se num item cobiçado, capaz de valer o que muitos não ganham em duas décadas. Pareceu-me uma espécie de derrota, vá. Que o Kurt se tenha transformado num desses ícones que os gajos fabricam para consumo rápido, lá vai overdose aos 27, ou morte na estrada, ou tiro de revólver, foi uma derrota que já era esperada. Mas vê-lo transformar-se em peça de mercado é do caraças. Até uma madeixa do seu cabelo louro tinham para leiloar, mas desistiram em cima da hora. [Read more…]

Há dois fantoches com o nome “Passos Coelho”

O segundo está à venda em leilão.

A ex-ministra amnésica e o secretário da estado burro

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O Jorge já se referiu à questão das obras de Joan Miró.
Tal como a ele, faz-me confusão a amnésia selectiva da ex-ministra Gabriela Canavilhas. Uma das maiores terroristas culturais do nosso país, uma das principais responsáveis pela destruição do Vale do Tua e da sua linha ferroviária única, tem o desplante de vir agora clamar contra a venda de algumas dezenas de quadros de um pintor espanhol. Minha senhora, sou contra essa venda, mas não me esqueço do que fez quando passou pelo Governo com um património mil vezes mais importante do que aquele que está agora em causa.
Quanto ao actual secretário de estado, é de uma demagogia incrível ao perguntar se os portugueses querem que se vá buscar dinheiro à Saúde ou à Educação para pagar aquelas obras. É que as pinturas de Miró já pertencem ao Estado, não é preciso ir buscar dinheiro a lado nenhum porque elas já cá estão. Para injectar mais 510 milhões no BPN (nunca vai parar?), sim, é preciso ir buscar dinheiro à Educação ou à Saúde. Para as pinturas não.
Para além de demagógico, é burro. Ao falar como fala, no fundo está a dizer que a Cultura não serve para nada porque os tempos são de austeridade. Ele próprio não está lá a fazer a ponta de um corno. Ele próprio não tem razão de existir enquanto secretário de estado, nem o assessor que contratou a ganhar 3 mil euros por mês, nem o seu «motorista especial», nem o raio que os parta.

Just Kidding

Fotografia de Egídio Santos

Fotografia de Egídio Santos

Mercado não quer veado

veadoNos últimos tempos temos assistido aos apetites gastronómicos do Mercado, os quais se tem manifestado em parangonas como “Dívida: no primeiro leilão pós-PEC a procura superou a oferta” (i), “Leilão de dívida pública teve grande procura e juros a dez anos em baixa ligeira “ (Público) ou ainda “Dívida portuguesa com forte procura” (DN).

Apetites não se discutem e cada qual come o que bem entende mas, com um apetite assim voraz, sempre pensei que o Mercado acabasse por comer algum veado, não destes mas daqueles que a Câmara da Nazaré tinha posto à venda. É certo que pagar a pronto, ter alvará da Autoridade Florestal Nacional e possuir um documento atestando que o comprador teria condições para abrigar os veados é capaz de ter afastado um ou outro interessado. Mas não terão sido estas simples e universais condicionantes que terão impedido o Mercado de se satisfazer com estes belos cervídeos, sendo antes o seu gosto por lixo a determinante condicionante para esta ausência.

Mercado não quer veado, está visto, o que torna oportuno lembrar aquela velhinha anedota do Bocage quando ele entra no comboio e pergunta “- Um par de cornos, quem precisa?” e, perante a ausência de resposta, deixa sair entre dentes “- Está tudo servido”.

Quando Teixeira dos Santos se preocupava com os 50 milhões para a Madeira


Hão-de convir que, à luz do que se sabe hoje, soam muito estranhas estas palavras do Ministro das Finanças.
Parece que foi há tanto tempo… Teixeira dos Santos e o Governo agitavam o fantasma da crise política apenas porque a Lei das Finanças Regionais estava em vias de ser aprovada pelo Parlamento. E quais eram as consequências para os cofres do Estado? Menos de 50 milhões de euros por ano.
Entretanto, pela última emissão de dívida pública, o Estado vai pagar quase esse mesmo valor, todos os anos, apenas em juros. O tal valor que Teixeira dos Santos e o Governo consideravam pôr em causa a estabilidade política. O tal valor que, na última emissão da dívida pública, anteontem, deixou o Ministro das Finanças muito contente.
Parece que foi há tanto tempo… mas na realidade foi em Fevereiro de 2010. Há menos de um ano…

Variações à venda

Uma parte da vida de António Variações vai estar em foco, hoje, no leilão de um conjunto de objectos que pertenceram ao cantor.

Manuscritos, fotos, roupas, cassetes são apenas alguns dos muitos elementos que fazem parte de mais de 200 lotes a leiloar no Centro Cultural de Belém, cenário daquele que é o primeiro leilão do espólio de um artista pop no país. Pode ser acompanhado na internet através do site "p4liveauctions.com".

 

 

A leiloeira P4 colocou a base de licitação entre os dez euros e os mil euros. Há um conjunto de 41 cassetes originais que estiveram na base do projecto "Humanos", muitas fotografias, moedas, roupas, adereços, peças de bijutaria e objectos que o artista usava na sua arte de barbeiro.

 

Um dia destes alguém se vai lembrar de fazer um museu com o espólio de Variações. Argumentos há muitos. Desde logo, por ser o primeiro verdadeiro artista pop português. Graças ao carisma, personalidade e, claro, também aquela  excentricidade que tanto espantou um Portugal moralmente atrasado.

 

O problema é que quando quiserem fazer o tal museu, pode ser tarde demais.

Virgindade em leilão

Conta-nos o Diário de Notícias na edição de hoje que Evelyn, uma equatoriana de 28 anos a residir em Espanha, está a leiloar a sua virgindade pela internet e que a quantia que venha a obter se destinará a suportar os custos dos cuidados de saúde de que a sua mãe precisa e os estudos de Medicina que Evelyn pretende efectuar. Conta ela que a última proposta recebida foi de 2,3 milhões de euros, mas que a recusou porque o proponente, não contente com essa noite inaugural, pretendia continuar a vê-la, condição que Evelyn não aceita. Da mesma forma que não aceitará carícias ou beijos, e que exigirá o uso de preservativo, pagamento adiantado, um certificado médico que garanta que o comprador está livre de doenças, e a presença de um acompanhante, supõe-se que numa sala de espera e não no quarto. Chegar virgem aos 28 anos já pode ser considerado invulgar, não tanto seguramente como leiloar a virgindade na internet, embora essa relação possa vir a inverter-se em breve, já que, ao que parece, um leilão desta natureza não é inédito. A notícia é contada, como seria de esperar, centrando a história nela, quais as suas motivações, será de facto uma filha extremosa, disposta a sacrificar-se pela sua mãe, ou uma prostituta (porque, como sabem, as mulheres tendem a cair numa destas duas características:a virgem/mãe de família e a puta) que encontrou um esquema publicitário prometedor. Mas eu fico a pensar neles. Quem são estes homens dispostos a pagar uma soma tão avultada para passar uma noite com uma mulher a quem não poderão beijar ou sequer acariciar e com quem não poderão estabelecer uma relação futura que vá além da prestação do serviço adquirido? Desejarão publicidade ou pedirão anonimato? O que os excita: a virgindade ou o desespero? Suponho que não será o espírito filantrópico a movê-los porque esse levá-los-ia a entregar o dinheiro à moça sem o sacrifício da sua bem guardada virgindade. Quanto a Evelyn, diz que “agora só quer que tudo acabe rápido”.