[António Alves]
Tenho todos os livros de Aquilino Ribeiro. Autor clássico com uma escrita regionalista e panteísta. Desconfio que grande parte das pessoas, hoje, na era da escrita simplificada ajustada ao “sms”, julgará que Aquilino falava uma espécie de brasileiro do nordeste.
Mas não, escrevia num português maravilhoso.
O mesmo português que a minha avó materna, natural de Sever do Vouga, falava.
Mas isto vem a propósito de quê? Dos incêndios, pois claro. Querem saber onde tudo começou? Em Salazar, pois claro. E por muito que custe aos teóricos do “antigamente é que era bom”, é a mais pura das verdades. Leiam “Quando os lobos uivam“.
Quando os lobos uivavam
Mini-drama em 1/10 de Acto.
Abre o pano; em cena, Margarida, a empregada de limpeza – licenciada em Letras e a recibo verde – de Passos Coelho, trabalha e, nesse interim, vai explicando ao primeiro-ministro:
Margarida – Numa entrevista, dizia sobre Aquilino Ribeiro, Salazar: ‘É um inimigo do regime. Dir-lhe-á mal de mim; mas não importa: é um grande escritor’
Passos – Quem é esse Aquilino Ribeiro?
Cai o pano (envergonhado)
Prà frente, Portugal
A propósito da base IX, 9.º, do AO90, lembrei-me das eleições presidenciais de 1986.
Durante a campanha, alguém terá dispensado a leitura do imprescindível Tratado de Rebelo Gonçalves:
A exemplo de ‘à’ e ‘às’ ou de ‘ò’ e ‘òs’, recebem o acento grave certas formas que representam contracções de palavras inflexivas terminadas em ‘a’ com as formas articuladas ou pronominais ‘o’, ‘a’, ‘os’, ‘as’ (Bases Analíticas, XXIV). Estão neste número (…) ‘prò’, ‘prà‘, ‘pròs’ e ‘pràs’, contracções cujo primeiro elemento é ‘pra’, redução da preposição ‘para’
(1947: 185)
e
— Prà rua, que é sala de cães! — gritava ele…
(Aquilino Ribeiro, “Terras do Demo”, 1.ª parte, cap. VIII)
(apud 1947: 282).
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Isto é, em vez de “Prà Frente, Portugal”, adoptou-se
Fonte: EPHEMERA – Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira
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Por exemplo, neste caso, [Read more…]
A máquina do tempo: Gualdino Gomes – uma operação de resgate (1)

Da esquerda para a direita, Abel Manta, Aquilino Ribeiro, Gualdino Gomes e Júlio Costa Pinto. Esta fotografia, tirada em 1938 á porta da Havaneza, no Chiado, é a única que se conhece de Gualdino Gomes.
no
mes da literatura e da cultura: Alexandre Herculano, Gonçalves Crespo, Cesário Verde, Oliveira Martins, Gomes Leal, João de Deus, Eça de Queirós, Tomás Ribeiro, António Nobre, Gervásio Lobato, D. João da Câmara, Fialho de Almeida, Bulhão Pato, Mário de Sá-Carneiro, Marcelino Mesquita, Gomes Leal, Maria Amália Vaz de Carvalho, Teófilo Braga, Augusto Gil, Wenceslau de Morais, Florbela Espanca, Raul Brandão, Henrique Lopes de Mendonça, Fernando Pessoa, Leonardo Coimbra…
Não interessa agora nada quem tem razão na grande e dispensável novela pública Bárbara vs. Carrilho, embora este último não se poupe à hostilização canina da ex-mulher e ao desbragamento revelador ou ocultador de uma intimidade morta e enterrada, matéria a que deveríamos ter sido poupados. Não faltam por aí exemplos, por causa dos filhos ou do pretexto deles, de como a loucura toma conta da razão e o desvairamento toma desproporções e razões que a compaixão e o bom senso desconhecem: qualquer um de nós pode ser algoz ou vítima; qualquer um pode ser acusado injustamente de acções não praticadas nem sequer praticadas com o sentido que se lhes atribui, apenas por fusão sináptica e obsessão dos acusadores. Não é preciso ser-se displicente. Basta ser-se humano. Bárbara, no seu disciplinado silêncio e nas marcas do seu enorme sofrimento, consegue fazer avultar a sua dimensão de vítima absoluta, mas não será essa a matéria que me interessa aqui e explorarei neste post. 







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