Quando os lobos uivavam

aquilino-ribeiro-quando-os-lobos-uivam[António Alves]

Tenho todos os livros de Aquilino Ribeiro. Autor clássico com uma escrita regionalista e panteísta. Desconfio que grande parte das pessoas, hoje, na era da escrita simplificada ajustada ao “sms”, julgará que Aquilino falava uma espécie de brasileiro do nordeste.
Mas não, escrevia num português maravilhoso.
O mesmo português que a minha avó materna, natural de Sever do Vouga, falava.
Mas isto vem a propósito de quê? Dos incêndios, pois claro. Querem saber onde tudo começou? Em Salazar, pois claro. E por muito que custe aos teóricos do “antigamente é que era bom”, é a mais pura das verdades. Leiam “Quando os lobos uivam“.

No rumo certo

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Terminou em Amesterdão. Obrigado jogadores! Obrigado Martim Aguiar! Obrigado Ian Smith! Obrigado a todo o staff que proporcionou um altíssimo rendimento a todos os atletas! Obrigado Luis Cassiano Neves e restante direcção da Federação Portuguesa de Rugby! O rugby português está de parabéns: a nossa selecção acaba de atingir o 5º triunfo consecutivo, passou para a liderança do grupo C da Rugby Europe e deu um passo de gigante rumo à subida para o nosso lugar natural que é o Grupo B e quem sabe rumo ao Mundial 2019 no Japão!

A última vez que isto se sucedeu foi, para terem a noção, foi no período de jogos realizados entre 2002 e 2004 quando obtivemos 8 vitórias consecutivas!

Apesar de ainda existirem algumas arestas por limar neste mandato federativo, em especial no que concerne à politica de desenvolvimento, a alguns aspectos relacionados com o quadro competitivo juvenil e sénior, no que concerne às selecções, o trabalho que está a ser desenvolvido pela actual equipa federativa e pelo staff de todas as selecções está a ser simplesmente 5 estrelas! A seguir à tempestade (a descida do Grupo B em 2016) vem a Bonança! Martim Aguiar é o homem certo para o lugar certo: sem os marialvismos do passado está a construir a pouco e pouco a equipa que quer para o nosso futuro a médio prazo, mesmo apesar de continuarmos sistematicamente a não poder contar com os nossos jogadores que alinham no estrangeiro, Martim Aguiar está a incutir algo que falta há muito ao rugby português: exigência, competitividade e espírito vencedor!

Who’s afraid of the big, bad wolf?

Recentemente fui passar um fim-de-semana ao campo. Fiquei naquilo a que se chama uma “casa de hóspedes”, destas em que a estada decorre num ambiente familiar, e que funciona às mil maravilhas se calha a gente de gostar da família que lá vive. Da família, felizmente, pouco vi, porque os seus amáveis membros rapidamente deixaram os hóspedes com a empregada e fugiram para os seus divertimentos equestres. Chegámos já de noite e não foi nada fácil descobrir o monte no qual se erguera a casa que nos receberia. Caminhos enlameados, nem uma única placa informativa, escuro como breu numa noite sem estrelas.

“Porque está tão escuro?”, perguntava esta citadina acagaçada. “Porque estamos no campo”, respondia o meu companheiro, que, como todos os que cresceram no campo, tem um gosto especial por me fazer sentir inapta sempre que deixamos a cidade para trás.

É verdade, no campo não há luz. E a escuridão, como sabem todas as crianças, é um território alarmante porque nele há espaço para que tomem corpo todos os nossos temores. Pousei o inútil GPS e fiquei a olhar pela janela do carro, enquanto o carro avançava a custo sobre trilhos de lama. Vi bandos de homens brandindo garrafas partidas, alcateias de lobos esfomeados, reuniões de feiticeiras aborrecidas com a interrupção, vi tudo isto e mais alguma coisa até que ao meu lado ouvi uma voz tranquilizadora: “É ali, já a vejo”.

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