Visão das “campanhas sujas” de Gaia

A reportagem da revista Visão publicada há alguns dias sobre as “Campanhas Sujas” da política, todas elas a norte e a principal das quais em Gaia, tem alguns pontos de interesse, apesar de a maior parte da informação publicada já ser conhecida e até já ter sido analisada pelas autoridades judiciais.

Mas há algumas novidades na peça jornalística que importa assinalar.

A primeira novidade é o aparecimento em cena de um grande grupo empresarial chamado Trivalor, dono de empresas como a Gertal, cujo negócio principal é o fornecimento de refeições escolares. Ou como a Strong, que se dedica à Segurança Privada. A Visão diz que a Trivalor terá financiado campanhas eleitorais do PSD e do PS. O que a Visão não diz é que a Gertal fez o maior contrato de todos os que constam do Portal Base com a Câmara de Gaia, num valor superior a 12 milhões de euros, no ano de 2015, já Eduardo Vitor Rodrigues era presidente de Câmara havia cerca de dois anos. Também não diz que a Strong, empresa do mesmo grupo, “ganhou”, no mesmo ano, o concurso para fornecimento de serviços de segurança à autarquia, destronando uma empresa concorrente que prestava esse serviço há vários anos.

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Autarca de Gaia constituído arguido pelo Ministério Público

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia e Secretário Nacional do Partido Socialista, foi constituído arguido pelo Ministério Público no âmbito de um processo judicial no qual está acusado dos crimes descritos nos artigos 180º, nº1 e 183º, nº2, do Código Penal – crime de difamação com publicidade e calúnia.

Segundo noticia hoje o jornal PÚBLICO, o autarca, que aguarda os ulteriores termos processuais sujeito a termo de identidade e residência, não quis comentar assunto.

A não ser que um motivo de força maior me leve a regressar publicamente a este tema, nada mais adiantarei sobre ele, uma vez que está a ser tratado no local próprio, que é o Tribunal.

Direi apenas, por agora, que, além dos aspectos criminais em análise, não é possível ignorar a relevância política de factos tão graves, imputados agora pelo Ministério Público ao presidente de uma das maiores Câmaras do país que, inexplicavelmente, se mantém como membro do Secretariado Nacional do PS e se prepara para uma recandidatura autárquica.

Parece claro que este exemplo é indigno do legado histórico do Partido Socialista e da ética republicana de que se diz defensor.

Judite recordas-me a outra…

No passado dia 8 de Março, logo às primeiras horas da manhã, fui acordado por quatro simpáticos e anónimos inspetores da PJ – só um se dignou identificar-se.
(…)

Enquanto me “arrumavam” a casa – tudo no estilo “Feng-Shui” – fui questionado sem nunca conhecer os motivos que se escondiam por detrás de tão agradável e matutina visita (nota: para a próxima, sff, tragam-me o café e os jornais da manhã, obrigado).

Rui Cruz, activista do Tugaleaks e de outras causas, contituído arguido, ainda não sabemos porquê, mas pode ler o que o Rui por enquanto pode contar.

* de uma cantiga do Fausto

Olha, quem diria

António Mota, presidente do grupo Mota-Engil, está a ser ouvido no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) pela equipa de investigação da Operação Furacão, tendo sido constituído arguido por indícios da prática de crimes de fraude fiscal agravada e branqueamento de capitais, soube o SOL.

Claro que um processo iniciado em 2005 precisava de 5 anos para chegar a esta conclusão. O advogado de António Mota chama-se Daniel Proença de Carvalho. Precisam de um desenho?

O arguido Rangel e a sua crónica

Emídio Rangel foi constituído arguido pelo DIAP de Lisboa que considera existirem indícios de prática do crime de difamação, avançando com o mesmo para julgamento. Em causa uma crónica publicada a 8 de Março de 2008 (e obviamente escrita na véspera) onde descrevia a manifestação de professores que ia ter lugar nesse dia. Emídio Rangel, o célebre homem do berbeqim, anda amofinado. A crónica desapareceu dos arquivos do Correio da Manha, certamente devido a um erro informático, mas fica aqui reproduzida, depois de recuperada das profundezas da net, onde o mais difícil é desaparecer alguma coisa. Lida hoje é um documento histórico que atesta o nível com que os professores foram tratados durante o governo de Sócrates I. De resto recuperar textos dos blogues sobre este tema deixará nos próximos tempos muito socratista à beira de outro ataque de nervos.

 

HOLIGANS EM LISBOA

 

Tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações .

Eles aí estão ‘em estágio’. Faz-me lembrar os hooligans quando há uma disputa futebolística em causa. Chegaram pela manhã em autocarros vindos de todo o País, alugados pelo Partido Comunista. Vestem de preto e gritam desalmadamente. Como diz um tal Mário Sequeira, em tom de locutor de circo, “à maior, à mais completa, à mais ruidosa manifestação de sempre que o País viu” .

Eu nunca tinha apreciado professores travestidos de operários da Lisnave, como aqueles que cercaram a Assembleia da República, nos anos idos de 1975, com os cabelos desalinhados, as senhoras a fazerem tristes figuras, em nome de nada que seja razoável considerar. Lembro-me bem dos meus professores. Não tinham nada que ver com esta gente. Eram referências para os seus alunos. A maior parte escolheu aquela profissão porque gostava de ensinar. Talvez por isso eram todos licenciados e com um curso (dois anos) de pedagógicas. Aprendi muito com eles e quando dei aulas, no liceu e na universidade, utilizei muitas vezes os seus métodos.

Estou-lhes grato para a vida inteira. Hoje as coisas são bem diferentes, embora seja óbvio que estes manifestantes são só uma parte dos professores. Felizmente ainda há milhares de professores (talvez a maioria) que exercem com toda a dignidade a sua profissão. A manifestação é contra uma professora que agora é ministra. Uma ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza tal que só os inúmeros boatos, a manipulação e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que de boa-fé pretende para Portugal. Se reduzirmos à expressão mais simples as suas pretensões tudo se pode resumir assim :

– Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados , como acontecia até aqui.

– Os professores colaboraram com um sistema iníquo que permitia faltas sem limites, baixas prolongadas sem justificação e incumprimento dos programas escolares.

– Os professores não são todos iguais. Quero referir-me àqueles que sem nenhuma vocação (com ou sem curso Superior) instalaram um culto madraceirão que ninguém punha em causa nem responsabilizava, mas que estava a matar o ensino.

Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço. Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra determinada. Bem haja pela sua coragem. Por ter introduzido um sistema de avaliação dos professores, por ter chamado os pais a intervir, por ter fechado escolas sem alunos, por ter prolongado os horários e criado as aulas de substituição, por ter resolvido o problema da colocação dos professores, por ter introduzido o Inglês, por levar a informática aos lugares mais recônditos do País. Estas entre outras medidas já deram frutos. Diminuiu o abandono escolar, os métodos escolares estão a criar alunos mais preparados, os graus de exigência aumentaram. O PCP pode usar a tropa de choque que agora arranjou para enfraquecer o Governo e utilizar as suas artes de manipulação e demagogia até a exaustão. Mas creio que a reforma tem de se fazer, a bem do País. É absolutamente nítido que os professores não têm razão. E os estúpidos do PSD que se aliaram ao PCP perderam o tino de vez, porque Portugal não pode parar mais. Espero ver Luís Filipe Menezes à cabeça da manifestação contra os interesses do País.

Emídio Rangel