Mário Machado, o privilegiado

A extrema-direita, querendo apresentar-se como antissistema, teima em ser o seu pior reflexo. Basta ver o caso de André Ventura, que passa a vida com o sistema na boca, mas também no bolso. Ou no bolso dele, do sistema. Do SL Benfica à CMTV, passando pela elite de milionários com quem se reúne e junto da qual obtém financiamento para o seu partido, não esquecendo as origens políticas do outrora afilhado de Pedro Passos Coelho, que nunca deixou Ventura cair, mesmo quando o próprio CDS se afastou da sua candidatura à autarquia de Loures, nas Autárquicas de 2017. O cheiro a racismo era já demasiadamente nauseabundo para tolerar. E quando abandonou o PSD, um dos partidos que é em si mesmo o sistema, o líder da extrema-direita não veio sozinho. Trouxe e continua a atrair inúmeras figura da casta de privilegiados da São Caetano à Lapa. E do que resta do Caldas.

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O debate do verdadeiro sistema

Vi meia hora do debate entre Costa e Rio e fui interrompido por motivos de força maior: o meu filho não queria ver. E eu sou um tipo que respeita a hierarquia cá de casa, de maneira que mudei a TV para o Panda e nem arrebitei cabelo. Lá voltarei.

No entanto, não posso deixar de constatar o seguinte: este debate é a maior demonstração daquilo que é o sistema. Não o sistema fantasioso da extrema-direita, dos beneficiários de RSI com Mercedes à porta, mas do verdadeiro sistema, aquele que se ocupa de eternizar PS e PSD no poder.

Todos os debates tiveram 25 minutos. Este teve mais de uma hora. Porque é que Costa e Rio têm direito a este tratamento especial? Porque as suas propostas são melhores? Porque são necessariamente melhores governantes? Nada disso. Porque as cadeias televisivas assim o decidiram. E porque o sistema não permite sequer que qualquer outro partido seja considerado alternativa. Porque a sua sobrevivência depende desse status quo.

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Isto é sobre a TAP, mas podia ser sobre outra coisa qualquer

Uma vez na Grécia, um estudante a quem eu disse – depois de saber que não se pagam propinas naquele país – que era privilegiado, respondeu-me o óbvio (que na verdade eu sabia, porque óbvio desde sempre para mim, mas usei mal a palavra) – «não é um privilégio, é um direito».

Mais nada! É só isto. Aplicado a tanta coisa, não apenas à educação. Ao trabalho e aos direitos dos trabalhadores. Aos serviços e aos direitos dos consumidores. À saúde e aos direitos de todos nós a ela. E por aí fora. [Read more…]

Reposição das subvenções vitalícias: como a casta tenta justificar o privilégio injustificável

Casta

A casta recuperou o seu privilégio aristocrata e o incêndio deflagrou na opinião pública. Cientes da indecência e da imoralidade que a decisão do TC constitui, uma decisão forçada pelo pedido de fiscalização preventiva da medida decorrente de um raro momento de convergência entre o bloco central, alguns deputados sentiram a necessidade de se justificar, o que por si só é ilustrativo do peso na consciência que carregam. De outra forma não sentiriam tal necessidade. [Read more…]

Subvenções vitalícias: Maria de Belém e a convergência do bloco central

Bloco Central

Sócrates acabou com elas, Passos Coelho tentou ressuscitá-las, algo que causou embaraço e alvoroço num Parlamento que vive acima das suas possibilidades, e agora é o Tribunal Constitucional, esse perigoso baluarte da extrema-esquerda, que vem repôr as subvenções vitalícias, com retroactivos, aos titulares de cargos públicos que haviam perdido este privilégio de casta. A medida, segundo o DN, terá um impacto de 10 milhões de euros nos cofres do Estado. [Read more…]