Mário Machado, o privilegiado

A extrema-direita, querendo apresentar-se como antissistema, teima em ser o seu pior reflexo. Basta ver o caso de André Ventura, que passa a vida com o sistema na boca, mas também no bolso. Ou no bolso dele, do sistema. Do SL Benfica à CMTV, passando pela elite de milionários com quem se reúne e junto da qual obtém financiamento para o seu partido, não esquecendo as origens políticas do outrora afilhado de Pedro Passos Coelho, que nunca deixou Ventura cair, mesmo quando o próprio CDS se afastou da sua candidatura à autarquia de Loures, nas Autárquicas de 2017. O cheiro a racismo era já demasiadamente nauseabundo para tolerar. E quando abandonou o PSD, um dos partidos que é em si mesmo o sistema, o líder da extrema-direita não veio sozinho. Trouxe e continua a atrair inúmeras figura da casta de privilegiados da São Caetano à Lapa. E do que resta do Caldas.

Por estes dias, ficamos a saber que o privilégio da extrema-direita não se resume à ligação umbilical entre Ventura e o sistema. É, igualmente, extensível a delinquentes menores, mas não menos perigosos. O caso mais gritante é o de Mário Machado, ex-presidiário neo-nazi, um homem violento e várias vezes condenado, que o sistema decidiu privilegiar. Obrigado a apresentações quinzenais às autoridades, por ser arguido num processo de incitamento ao ódio racial e à violência, o discípulo de Adolf Hitler foi agraciado com a suspensão da medida de coacção, que o juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa justificou com “a situação humanitária vivida na Ucrânia e as finalidades invocadas pelo arguido para a sua pretensão”.

Em suma, estamos perante um caso em que a justiça portuguesa suspende a aplicação da lei a um arguido com historial de condenações e violência, que ameaça permanentemente o Estado português, a ordem constitucional e a paz social, para que se possa juntar a uma milícia de extrema-direita e combater num conflito no qual Portugal não está sequer envolvido. Acresce a isto que nada nos garante que Machado vá mesmo combater para a Ucrânia, a justiça não terá como acompanhar o processo e existe risco real de fuga. Para não falar no precedente que tal situação abre, legitimando que qualquer cidadão a braços com a justiça se esquive ao cumprimento da lei para se juntar à sua milícia favorita. No fundo, Mário Machado acaba por ser um Ricardo Salgado de suástica, a quem ordenamento jurídico português garante o privilégio da não-aplicação da lei. Um privilegiado, portanto.

Comments

  1. JgMenos says:

    Racismo é haver uma invasão do Hospital de VNFamalicão e aí agredirem o pessoal e os coirões cobardes se inibirem de referir ser mais um bando de ciganos a exercer a sua cultura de marginais fdp!
    Não tens vergonha nessas trombas!

    • Ernesto says:

      Como se tu tivesses referido o bando de fuzileiros que mataram o jovem polícia à pancada, seu boçal! Não te inibas, menos!!

      Já para vires com a Xenofobia e o racismo que te alimenta esse cagueiro, não te inibes nem um bocadinho!


      • A propósito, ainda estou para ouvir o venturoso quarto pastorinho pronunciar-se sobre a morte deste agente. Se alguma ovelha negra da PSP comete algum crime violento, lá vem ele defendê-la. Sobre este, que pagou com a vida o cumprimento do dever, mesmo não estando ao serviço, nem uma palavra. Gente de bem…

    • Paulo Marques says:

      “Mais um”, porquê? É mais frequente que os outros “bandos”, muitos deles fardados, nem que seja de uma agremiação qualquer, e ninguém notou?

  2. balio says:

    Eu não vejo problema nenhum em deixar Machado ir para a Ucrânia. Pois se ele estiver lá, não comete disparates cá. Alivia-se as autoridades de o vigiarem.
    Normalmente não é possível enviar a nossa malandragem para um país estrangeiro, porque esse país não aceita tomar conta dela. Mas se, neste caso específico, a Ucrânia faz a Portugal o favor de gramar lá o Machado, pois muito bem, seja.

    • estevesayres says:

      Os neonazistas prevenientes de Portugal, já estão na guerra imperialista!
      Porque ser?

    • Paulo Marques says:

      E deve ser um tribunal a decidir que alguém pode ir matar, sabe-se se lá se da mesma forma que descreve o que gostaria de fazer cá?
      E quando o homem voltar com novo armamento e novos contactos, vai ser o tribunal a levar com as consequências?

  3. estevesayres says:

    Os neonazistas prevenientes de Portugal, já estão na guerra imperialista!
    Porque ser?

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