O «Brasília» e a profusão de Centros Comerciais

Fui num dos útimos dias ao «Brasília», o velhinho Centro Comercial do Porto. Foi o primeiro grande Shopping da cidade, construído muito antes do «boom» que depois se verificou.

O «Brasília» acompanha-me desde muito novo. Ali vi o «Bambi», no histórico Cinema Charlot que já fechou portas há muitos anos. Por ali andei diariamente, durante a adolescência, a coleccionar postais e calendários antigos na loja do Simarro.

Anos depois, já na Faculdade de Letras, ali bem perto, era cliente diário da «CopiPorto», o mais simpático Centro de Cópias que então existia na cidade.

Pela mesma altura, ainda um rapaz livre e descomprometido, o «Brasília» era uma parte obrigatória das minhas noites. Jantava no «Diário», ali na Carvalhosa, ficava até às duas da manhã no «Diu», do outro lado da rua, e depois siga para o Bingo da «Brasília» até às 3 horas. Os outros iam para jogar, eu só ia para continuar na cerveja, porque àquela hora nada mais restava senão o bar do Bingo. Uma vez, não me deixaram entrar e não percebi por quê. 🙂

Depois do Bingo, iamos acabar a noite nas «roulottes» da rua D. Pedro V. Chegava às 5 da manhã a casa e dormia umas horitas, porque às 9 tinha de estar a trabalhar no Museu da Imprensa ou então a estudar (dormir) nas aulas da manhã.

Há uns 15 anos que não entrava no «Brasília». Desta vez, fui por causa da Venda de Natal do MIDAS e da ajuda que todos devemos aos animais. Mesmo ao lado, está também a Venda da UNICEF e do Lions.

Apesar de tudo, fiquei contente. O piso principal do Shopping, por exemplo, está todo ocupado e uma grande parte com lojas mais ou menos importantes. Dizem-me que por vezes tem mais gente do que o Cidade do Porto, o tal mamarracho que – não me admira – um dia acabará mesmo por ser demolido. E não será pelo facto de o Tribunal já ter emitido há anos a respectiva ordem.

Por estar em plena Rotunda da Boavista, o «Brasília» tem sabido resistir. Algo ainda mais admirável quando não param de abrir novos Centros Comerciais – ainda neste mês, foram mais dois na Maia, o Jardim e o Vivaci.

 Ainda bem. Já faz parte da memória da cidade.