Bispo D. Januário: falou, levou

É a Democracia Relvas a funcionar em pleno! É a máquina laranja a fazer o seu trabalho.

“É evidente que não posso deixar de associar uma coisa à outra. É uma tentativa de linchamento da minha vida privada”

Eu por mim não tenho dúvidas – este ataque ao Bispo é um excelente exemplo da saúde da nossa Democracia! Não me canso de agradecer a quem colocou esta gente no poder!

amigos e companheiros

a solidariedade é o bem mais prezado, Dear May

….para a minha neta May Malen I Isley, para começar a aprender…

Dois conceitos de difícil definição. Dois conceitos relacionados com os sentimentos, com a interacção social. Conceitos diferentes para adultos e crianças, para classe social, para o tempo que passa e se escorre entre a cronologia da História e os hábitos definidos ao longo do tempo.

Normalmente, o conceito de amigo, é ser solidário com problemas, alegrias, amarguras, amores e desencantos das pessoas com quem convivemos em momentos e alturas diferentes. Por outras palavras, eu diria que é estar ao dispor de seres humanos que amamos e dos quais dependemos nas ideias, no trabalho e, especialmente, na educação das crianças que, por causa da nossa amizade de adultos, passam a ser não apenas pequenos que entendem em conjunto a interacção social, a dependência dos adultos e a disciplina que estes lhes incutem. Este comportamento separa já os dois conceitos que refiro: amigos e companheiros. A subordinação às formas de ser, agir, ouvir e aceitar, faz das crianças amigas e companheiras. O adulto, com maior experiência de interacção na vida social e na cronologia histórica acumulada no tempo, torna possível separar as duas palavras: amigo, dependente; companheiro, fidelidade sem condições. Acrescentaria ainda que, como conceito, amigo define uma hierarquia que depende do lugar social que a pessoa ocupa ou do lugar que alcançou na vida. Além

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o crescimento das crianças (5ª parte – o que sou)

entre os Picunche, linhagem patriarcal, a autoridade é da mulher.

 

 Queira o leitor lembrar de que gostava de debater, enquanto transfiro parcialmente para si meus dados de trabalho de campo, pelo menos dois assuntos centrais. Um, é que as crianças que crescem, o fazem na medida de que a memória social impinge a sua memória individual. É dizer, que a criança que temos em frente a crescer, é resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo que a criança vive e que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, a traves da Historia, ou com outros povos a traves também da Historia, é o que faz o que sou. Um segundo assunto, é que esta racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada também, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm tido experiências diversificados, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na Historia do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula. Eis que tenho levado ao leitor ao longo de tempo, para trás e para frente, como a linguagem Internet permite, reiterando casos e a abrir lentamente as historias, em torno ao elo processual que Victoria, Pilar e Anabela, estruturam do processo racional da reprodução social. Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano prolongado para mim, porque os Picunche os conheci sempre, os de Vilatuxe faz trinta e cinco anos hoje, e os de Vila Ruiva, vinte e dois. E queira o leitor entender que somos poucos a estudar à criança como entidade humana que entende e aprende e não é um problema a resolver. Os adultos procuram que a criança seja um adulto em pequeno,

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caluda! fuga, silêncio e fantasia

O que os adultos pedem às crianças

É o que se grita às crianças. É o que os adultos gritam às crianças, quando os adultos calculam. Quando os adultos querem pensar e pensar sem a pequenada em frente. Ou, com a pequenada em frente. Que, ao não saber o que os adultos falam, falam elas. Porque desejam ser ouvidas. E nem sempre ouvidas são. Porque o adulto tem que pensar, decidir, optar. E a pequenada fica confundida, confusa, contrariada. Ainda que não saiba que é assim que fica. E foge. E não ouve. E refugia-se na fantasia. Foge para a rua, não ouve e continua a falar, tece ideias dos contos de fadas.

1. Foge. Foge para a rua, para os amigos da rua. Eles sabem e dão acolhimento, dão camaradagem, dão ternura. Essa ternura que os adultos parecem não ter para eles, por mandarem calar. Os amigos da rua constituem um grupo unido que transfere afectividade, mesmo que dentro das disputas. Mas afectividade, essa que pode existir porque não há laços de hierarquia consanguínea, familiar, paternal, maternal. São, esses amigos da rua, todos iguais. Com a diferença de quem sabe jogar melhor ao berlinde, quem sabe atirar o pião de forma mais acertada, quem emboneca a boneca com fitas mais brilhantes. A hierarquia entre eles, define-se pelas habilidades. A hierarquia dentro de casa, é de idade. E de origem. Os filhos do papá, os filhos da mamã, os filhos do papá e da mamã, esses meios-irmãos que até avós e tios diferentes têm entre eles. Donde, a concorrência de qual é o papá mais valente, vive-se no seio do lar; e de qual é a mamã mais diligente, vive-se dentro da casa. Na rua, os adultos desaparecem para ficar o domínio da conversa apenas a aferir as habilidades para a brincadeira e o jogo. Os adultos que calculam, precisam de gritar e dizer caluda aos pequenos, enquanto combinam como vão fazer para repartir a autoridade entre esses papás que são e vivem fora, esses papás que o não são e vivem dentro. A escola, os deveres, o convívio, são secundárias. A distribuição entre os ancestrais consanguíneos, é que a conversa rival primária: o teu papá não aparece, a tua mamã anda apaixonada pela outra família e o novo bebé…Na rua,

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