Diplomacia, demagogia e hipocrisia: o caso Skripal e o oportunismo político

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Indústria petrolífera à prova de sanções diplomáticas. Fotografia via CBS

Percebe-se o desespero de Fernando Negrão e a necessidade de se pôr em bicos de pés para tentar marcar a agenda mediática com declarações como as que proferiu ontem, que de resto mais não foram do que uma espécie de retweet parlamentar das declarações proferidas no dia anterior por Paulo Rangel na SIC Notícias. Ou não estivéssemos perante um líder parlamentar desorientado, cuja primeira linha de oposição que enfrenta está no interior do próprio grupo parlamentar que tenta, sem grande sucesso, dirigir. Um líder parlamentar fragilizado, em sintonia com uma direcção partidária enredada em casos que se sucedem, sob fogo cerrado da imprensa afecta ao passismo. É natural que recorra ao facilitismo deste tipo de subterfúgio. [Read more…]

Eles “andem” aí…

caças

Os russos andaram aí. Voaram por cima de Portugal e, tal como Evo Morales, não chegaram a parar. O destaque no site da TVI24 é genial: “Ordem de interceção veio da NATO e foi até Cavaco. Pilotos portugueses expulsaram os russos do espaço aéreo de responsabilidade nacional por gestos.” Vejam bem o nível hollywoodesco da cena: Europa em pânico com a passagem ameaçadora de 2 aviões russos (pelos vistos eram 8 mas 6 assustaram-se com os aviões noruegueses e voltaram para trás), os gajos aproximam-se de Portugal, o comando da NATO eleva o grau de alerta e avisa a hierarquia de comando nacional até que a informação, classified, chega a Cavaco – queria dizer alguma coisa sobre este momento, mas a ideia do comunicado do comando supremo da NATO e chegar ao Cavaco é hilariante e inenarrável – os nossos caças levantam voo e expulsam os russos do nosso espaço aéreo. Com gestos. Mission accomplished. “Nem na Guerra Fria aconteceu“. Pois não. Nem em Hollywood quanto mais na Guerra Fria…

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Sanções, petróleo e os hipócritas do costume

Rex Putin

(Na foto: shake-hands entre o presidente russo Vladimir Putin e Rex W. Tillerson, CEO da Exxon Mobil)

Há algo que não bate certo nesta cruzada do Ocidente contra o opressor russo. Na verdade, existem várias coisas que não batem certo. O Ocidente – leia-se a política externa norte-americana imposta aos seus colaboradores habituais – vai endurecendo o discurso contra a suposta ingerência de Moscovo na crise ucraniana e as sanções sucedem-se. É expectável que hoje sejam apresentadas novas sanções, tanto da parte dos EUA como da UE, que incluem proibições ao sector financeiro russo de aceder a capitais norte-americanos e a empresas energéticas de se financiaram nos mercados de capitais da União. Um acto de coragem? Não é o que parece.

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