Presidente Obama – já valeu a pena !

Com a entrada de 40 milhões de americanos pobres no Sistema Nacional de Saúde, feito que muitos tentaram mas mais ninguem conseguiu, Obama dá, internamente, esperança a quem apostou na sua eleição.

Com o tratado de não proliferação nuclear assinado hoje com a Rússia que  diminuiu em 74%  as ogivas nucleares na posse de ambos os países, Obama dá esperança a quem, externamente, rejubilou com a sua eleição.

Para certa Direita nada vale a pena porque o paraíso há muito que está alcançado, para certa Esquerda nada vale a pena porque há muito que o destino é o inferno!

Mas a vida mostra todos os dias que há razões para haver esperança. Obama é capaz! Obama merece!

yes, we can!

Publicozinhar "notícias"…


Hilariante! Um dos tais referenciais da sapiência copy-paste, “publicozinhou” um artigo, alertando que milhares de russos se concentraram em Vladisvostok, Irkutsk, São Petersburgo e Kalininegrado (Conisberga, Prússia Oriental), exigindo a demissão da dupla Putin-Medved.

A patetice apressada não tem limites e noticia por noticiar. Gigantescas manifestações? Vejamos essa quase “revolução de massas”:

VladisvostoK: 500 manifestantes

Irkutsk: centenas de manifestantes

São Petersburgo: “umas” mil pessoas

Kalininegrado (Conisberga): “cerca de 2000” manifestantes.

Decerto coçando a cabeça e franzindo o sobrolho com o ar mais sério deste mundo e arredores, o escriba conclui a prosa, dizendo que …“em Janeiro, as manifestações anti-Putin mobilizaram um número superior a dez mil russos, o que deixou o Kremlin muito inquieto.” (sic)

Dadas as devidas proporções, seria o mesmo que em Portugal se organizassem manifs a exigir a queda da dupla Cavaco-Sócrates. Assim, teríamos uma avassaladora mole de revolucionários, desta forma repartidos:

Funchal: 20 manifestantes

Guarda: “algumas dezenas” de manifestantes

Porto: “uns” 50 manifestantes

Bragança: “cerca de 100” manifestantes

Paciência…

Uma história quase anónima, mas com um blogue e 37 livros malditos

 Talvez nada disto se tivesse sabido se a bibliotecária da pequena cidade fabril de Ursk, aos pés dos montes Urais, na Rússia, não tivesse um blogue.

 

Parece que foi assim: o Serviço Federal de Luta Anti-Drogas (SFLA) russo enviou uma circular às autarquias. O que estas fizeram pelo país fora não sabemos. O que, sim, sabemos, é que o pelouro da Cultura da autarquia de Ursk reenviou à biblioteca municipal local a lista que lhe chegara do Serviço Federal.

 

E também sabemos, graças a essa anónima bibliotecária que contou a história no seu blogue, que essa lista continha os títulos de 37 obras que se recomendava que não fossem entregues aos leitores. Escrevo “anónima” não porque ela se tenha escondido atrás do anonimato, mas porque, não sabendo eu ler russo, apenas posso reproduzir o que me conta o “El País” acerca deste assunto e aí não consta o nome dessa mulher.

 

Os 37 malditos são-no porque, terá dito o SFLA, incitam ao consumo de narcóticos. 

E aí estão os previsíveis William S. Burroughs e Irvine Welsh, mas também Philip K. Dick, Pérez-Reverte e Tom Wolfe. Estão também escolhas mais originais, como monografias sobre esta temática assinadas por cientistas de renome e até um manual de cultivo de cogumelos.

 

Uma vez descoberto o caso: a imprensa indignou-se; os responsáveis do serviço anti-drogas local sacudiram a água do capote; e o porta-voz oficial do SFLA negou a intenção de proibir qualquer obra literária, tudo isto mais ou menos por esta ordem de acontecimentos.

 

O único dos intervenientes nesta história de quem sabemos o nome é – talvez por ser aquele que está mais alto na escada hierárquica – este mesmo porta-voz: Nikolái Kartashov. O senhor Kartashov lembrou que só uma ordem judicial pode proibir a circulação de uma obra literária e remata com a sua interpretação do ocorrido: “Deve ter sido uma iniciativa particular de algum funcionário local, fruto do ser fervor profissional e pouco inteligente”. Deve ter sido.

 

Mas isto para dizer-vos que, não tivesse a senhora bibliotecária de Orsk cruzado o umbral da blogosfera, e quem sabe o índex dos narcóticos teria ficado debaixo do balcão de todas as bibliotecas russas, enquanto, sub-repticiamente, nos arquivos empoeirados um a um iam sumindo-se os livros malditos. E ainda dizem que os blogues podem afastar leitores dos livros. 

 

Coitada Da Alexandra

OS RUSSOS ACEITARÃO REENVIÁ-LA PARA PORTUGAL?

.

Com a capa de tudo fazer para melhorar a vida da Alexandra, as assistentes sociais Portuguesas, e depois o juiz Português, cometeram o crime de mandar entregar a Alexandra a sua mãe.

Alexandra foi levada para a Rússia, onde ao fim de algum tempo, as autoridades entenderam que a mãe da miúda não serve para tal, e estão a ponderar enviá-la para um orfanato.

Não estão a pensar reenviá-la para Portugal. Na Rússia, dizem-me, só há possibilidades de adopção por casais russos.

O quanto esta menina não deverá estar a sofrer. Mas claro, tudo foi feito a pensar na criança. Cambada de burros que nós temos por cá! E o arrependimento público do juiz, não serviu para nada.

Será que as autoridades Russas vão ser sensíveis aos apelos dos pais adoptivos de Alexandra, e vão deixa-la voltar?

No meio de tudo isto, só mesmo Alexandra sofre a bom sofrer, e dificilmente lhe passarão os traumas que lhe estão a infligir hoje.

.

A Turquia

turquia1

A propósito da visita do Presidente da República à Turquia vou ressuscitar uma posta que coloquei em tempos na blogosfera sobre a pátria de Ataturk – foi a 14 de Maio de 2007 e como resposta a um Amigo. Por acaso desconheço a posição do nosso PR sobre a matéria. Aliás, desde a sua célebre declaração aos portugueses sobre o Estatuto dos Açores pouco sei das suas opiniões sobre o que quer que seja.

Meu caro Amigo,

As últimas eleições francesas foram disputadas por dois candidatos, Segolenè Royal e Nicolas Sarkosy. A primeira representava a esquerda francesa e o segundo, a direita. Isto em termos muito simplistas pois, como bem sabes, Segolenè não representava assim tanto a esquerda socialista tradicionalista (que a detesta, profundamente, por a considerar demasiadamente liberal) nem Sarkosy representa certas franjas mais moderadas da direita francesa. Era o que tinham e a mais não estavam obrigados.

O Povo francês, de forma esmagadora, decidiu votar e com o seu voto fez uma escolha clara: Sarkosy. Como já escrevi antes, espero que não se arrependa. Entendo o voto francês: a insegurança que se vive nas grandes cidades francesas (que eu próprio sou testemunha no caso de Paris ou Marselha); o “papão” Europa provocado por aqueles que não querem respeitar o “Não” francês à Constituição Europeia e o desemprego crescente dos licenciados (lá como cá), sem esquecer alguma intolerância religiosa da comunidade Árabe residente em França. A tudo isto se soma a intranquilidade provocada por uma certa esquerda radical que não sabe respeitar a vontade da maioria – como, aliás, se viu posteriormente. Foi um voto profundamente “nacional”. O que se entende.

Contudo, desconfio muito das intenções de Sarkosy. Desde logo, porque entendo que violência gera mais violência e não resolve problemas de segurança. Temo que se resvale da “força da autoridade” para a prática do “autoritarismo”. A seguir, não esqueço que Nicolas Sarkosy não nasceu ontem, esteve no governo francês nestes últimos anos – mais dedicado a cimentar uma posição forte como candidato da inevitabilidade do que a governar. Mas, mais grave, considero perigoso (no mínimo) a sua posição face a uma integração da Turquia na UE. Como bem sabes, Sarko, é completamente contra. O que, a meu ver, é uma estupidez e um erro trágico para a segurança da Europa e do Mundo.

Não sendo um “turcófilo”, como se afirma Pacheco Pereira num lúcido artigo de opinião do Público (Sábado, 12 de Maio), considero a Turquia como um país europeu. Mais, é fundamental para a Turquia e para todos nós, um forte apoio da Europa aos enormes movimentos “pró-europa” existentes nas classes intelectuais e nas elites turcas. Os povos Árabes sofrem às mãos de tiranos sem escrúpulos, refugiam-se no verdadeiro ópio do povo que é o fundamentalismo religioso (todo ele, seja qual for a crença) e vivem desgraçadamente – experimentem visitar um qualquer país árabe, mesmo aqueles aqui ao pé da porta como o Magrebe e facilmente compreendem esta minha afirmação, basta olhar-lhes nos olhos. Os povos Árabes só se vão libertar deste ofensivo colete-de-forças quando, tal como nós, tiverem acesso a liberdade de expressão. Quando conseguírem ter aquilo que nós temos e que nem sempre sabemos valorizar. Ora, a Turquia, não é apenas uma das portas da Europa, é também uma importante porta na Ásia e nos países Muçulmanos. Com o desenvolvimento económico que uma entrada na UE acarreta (como connosco antes e agora nos países do leste), a Turquia seria um motor de desenvolvimento e uma alavanca democrática para todo o Mundo Muçulmano. Sabes porquê, meu caro PJ, porque todos nós, queremos o melhor para os nossos filhos e os Árabes (como antes os Russos, pegando numa célebre canção de Sting) também amam os seus filhos.
É esta a tragédia de uma certa direita quando na mão dos “Sarkos” deste Mundo.

Pode ser que eu esteja enganado. Deus queira.

Julgo que, agora, percebes melhor as minhas profundas reticências e até alguma rejeição a Sarkosy. A mesma que tenho para com certas franjas da nossa direita, agora entretidas com a “perseguição” aos estrangeiros que querem vir trabalhar para Portugal (cuja resposta dos Gatos Fedorentos foi absolutamente genial), que não entendem a importância desta força de trabalho e acréscimo cultural. Não entendem hoje, como ontem e nunca entenderão. É preciso conhecer Mundo, compreender a natureza humana e não confundir casos de polícia com problemas de segurança (que sempre existiram). Como não entenderam (nem reconhecem) a importância “dos de fora” na nossa epopeia dos descobrimentos – o período mais áureo da nossa história. Coincidência? Não me parece.