Agradecimento a Osório Mateus

Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).

Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”. [Read more…]

Nascido a 13 de Abril (e não de “abril”, como vi por aí)

VLADIMIR: Ah yes, the two thieves. Do you remember the story?
ESTRAGON: No.
VLADIMIR: Shall I tell it to you?
ESTRAGON: No.
VLADIMIR: It’ll pass the time. (Pause.) Two thieves, crucified at the same time as our Saviour. One—
ESTRAGON: Our what?
VLADIMIR: Our Saviour. Two thieves. One is supposed to have been saved and the other . . . (he searches for the contrary of saved) . . . damned.

Samuel Beckett, Waiting for Godot, Act I

 
FRANCE. Paris. 1986. Nobel Prize winning author Samuel BECKETT.
Copyright: Bob Adelman/Magnum Photos

Página de Diário II

Hoje ouvi – na boa companhia dos meus alunos estudantes de Teatro – um poema de Bertolt Brecht. Fizemos o exercício de apontar o verso ou as palavras mais marcantes para cada um de nós:

 “uma testa sem rugas é sinal de indiferença (…)

que tempos são esses onde falar de flores é quase um crime (…)

nada do que faço me dá direito de comer quando tenho fome (…)

deitei-me entre os assassinos (…)

fiz amor sem muita atenção (…) [a que melhor gravaram na memória!]

assim se passou o tempo que me foi dado viver (…)

não pudemos ser bons amigos (…)”

Ficam aqui alguns dos versos. Vale a pena ouvir tudo: «Aos que virão depois de nós».

Educação e Mark Twain

“I have never let my schooling interfere with my education”.

(Mark Twain)

Na passada Segunda-feira, dia 19, fui assistir a duas peças de teatro, no âmbito da “2ª Mostra de Teatro Escolar“, em Vila Nova de Famalicão. Estava especialmente motivado (envaidecido, confesso), pois a primeira peça tratava-se de uma adaptação livre do meu livro, pelas mãos de um amigo, o Prof. Fernando Silvestre, que dirige o grupo de teatro “O Andaime”, da escola secundária famalicense Camilo Castelo Branco. E cedo apercebi-me que a grande maioria dos espectadores eram adolescentes, o que fazia todo o sentido, pois tratava-se de teatro escolar.

Da primeira fila, não pude perceber bem o que se passava nas filas mais longínquas, onde se acantonou a maioria da estudantada de várias escolas. Uma vez que a tónica dominante das peças era a comédia, os risos abafavam muita coisa, mas nem tudo, e fui apercebendo-me de alguns estranhos barulhos, num contínuo ruído de fundo que não cessava.

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É a arte contemporânea, estúpido

No seu mais recente romance, “A vida em surdina” (Asa, 2009), David Lodge põe na boca do seu protagonista a seguinte apreciação:

“Muita da arte contemporânea assenta numa enorme estrutura discursiva, sem a qual ela pura e simplesmente viria abaixo e se tornaria indistinguível de um monte de lixo.”

A observação segue-se à contemplação de uma série de obras de arte cujos significados apenas lhe são aclarados pela explicação que consta no catálogo.

Não ponho no mesmo chapéu todas as manifestações de arte contemporânea, mas sinto-me demasiadas vezes próxima do raciocínio desta personagem de Lodge .

Uma das minhas incompatibilidades é com certo teatro pós-moderno, em que os actores parecem recrutados de entre os membros de um grupo de apoio a doentes com síndroma de Tourette. [Read more…]

Programa de radio Vidasalternativas.eu-sinopse

O programa de radio semanal VA 205 começa com uma entrevista com um dos líderes do movimento dos precários, Tiago Gillot, que nos conta as inúmeras inujstiças de que são vítimas cerca de 900 mil jovens que estao a recibos verdes.

Depois temos uma conversa com o actor Diogo Dória, do Teatro de Almada, a propósito da peça de dramaturgo Kopi ,”Uma visita inesperada” que o teatro apresenta, até ao dia 7 de Fevereiro.
Enfim,terminamoscom chave de outro, ouvindo o musicologo Raul Mesquita a explicar-nos o sentido de uma ópera do compositor barroco Handel , de nome Júlio César.Pelo meio algumas peças musicais alusivas.
Esperemos que gostem.
Nao deixem de se inscrever na nossa newsletter ,indo ao site http://www.vidasalternativas.eu .
Mas antes de terminar fica o anuncio de que a a Opus Gay, graças a uma poio do QREN, quadro de referência estratégica nacional , e da Comissão pela Igualdade, vai abrir em Évora em parceria com a Camara da cidade, um local de apoio às vítimas de comportamentos homófobicos e da violência no casal homossexual por 3 anos, com a cooperativa “Pelo Sonho é que vamos” do Seixal .
Antonio Serzedelo-editor
anser2@gmail.com

Teatro Conspirativo

É paranoia minha certamente mas algumas expressões geográficas como “ir para o norte” ou “auto-estrada do sul” irritam-me.

Já tentei racionalizar o porquê desta irritação mas não consigo encontrar uma explicação que me satisfaça suficientemente… talvez seja o facto um termo tão genérico normalmente estar associado a alguma ignorância quanto aos sítios a que se refere ou então é simplesmente o facto de os pontos cardiais serem naturalmente relativos… excepto nos pólos, qualquer ponto que seleccionemos estamos sempre a norte ou a sul de qualquer outro ponto.

Vem isto a propósito do texto introdutório ao programa do TNSJ para este inicio de 2007.
Diz Nuno Carinhas que neste inicio de ano “prosseguimos com visitações de Companhias do Sul: Teatro da Rainha, Teatro Municipal de Almada, Teatro dos Aloés e Teatro Aberto“…

É um fait-divers claro mas se fosse dado a leituras conspirativas diria que esta frase teria um segundo sentido.

Inverno e árvores de cimento

Inverno. Neve, frio, fogo dentro de casa, a hospitalidade dos amigos, a trompetista  Hilaria Kramer e Luigi Abbondanza, com quem partilhei algumas aventuras teatrais.

E esta sua casa, em Lugano, construída em 1920 por um seguidor de Gaudi.

As árvores que fotografei são colunas da casa, feitas de cimento.

Inverno (do meu contentamento) e árvores de cimento.

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