Educação e Mark Twain

“I have never let my schooling interfere with my education”.

(Mark Twain)

Na passada Segunda-feira, dia 19, fui assistir a duas peças de teatro, no âmbito da “2ª Mostra de Teatro Escolar“, em Vila Nova de Famalicão. Estava especialmente motivado (envaidecido, confesso), pois a primeira peça tratava-se de uma adaptação livre do meu livro, pelas mãos de um amigo, o Prof. Fernando Silvestre, que dirige o grupo de teatro “O Andaime”, da escola secundária famalicense Camilo Castelo Branco. E cedo apercebi-me que a grande maioria dos espectadores eram adolescentes, o que fazia todo o sentido, pois tratava-se de teatro escolar.

Da primeira fila, não pude perceber bem o que se passava nas filas mais longínquas, onde se acantonou a maioria da estudantada de várias escolas. Uma vez que a tónica dominante das peças era a comédia, os risos abafavam muita coisa, mas nem tudo, e fui apercebendo-me de alguns estranhos barulhos, num contínuo ruído de fundo que não cessava.

Na noite do dia seguinte, dia 20, conversei com alguns dos presentes na sala, que, por azar ficaram junto dos ditos estudantes, e relataram-me a sua revolta e irritação: durante ambas as actuações houve uma incessante troca de bocas entre rapazes e raparigas, sendo que algumas destas ostensivamente comentavam que “aquele é que é bom”, “com aquele até eu ía”, e pelo meio mandavam mensagens, guinchos e palavrões. Isto, numa média etária entre os 14 e os 16 anos.

Confesso que fiquei indignado, mas não propriamente chocado. O que, também, já é mau sinal.

No dia seguinte, dia 21, a comunicação social lembrou-me que naquele dia assinalava-se o centenário do falecimento de um dos meus autores favoritos: Mark Twain. E, mercê do que se passara nos dois dias anteriores, logo veio à minha mente a citação acima transcrita que uma vez foi informalmente debatida numa conversa de rua a que assisti, entre professores do SPN, há uns bons anos atrás: “Eu nunca deixei que minha escolaridade interferisse com a minha educação”.

Hoje, parece-me que a sociedade está a promover que a educação interfira na escolaridade. E de que maneira… A pior!

Nota: por injustiça, não referi que o trabalho do grupo “O Andaime” foi excepcional. Fica aqui a devida nota correctiva.

Comments

  1. Ricardo says:

    “Na noite do dia seguinte, dia 20, conversei com alguns dos presentes na sala, que, por azar ficaram junto dos ditos estudantes, e relataram-me a sua revolta e irritação: durante ambas as actuações houve uma incessante troca de bocas entre rapazes e raparigas, sendo que algumas destas ostensivamente comentavam que “aquele é que é bom”, “com aquele até eu ía”, e pelo meio mandavam mensagens, guinchos e palavrões. Isto, numa média etária entre os 14 e os 16 anos.

    Isto, numa média etária entre os 14 e os 16 anos.

    Confesso que fiquei indignado, mas não propriamente chocado. O que, também, já é mau sinal.”

    Mas olhe que não se deve chocar muito dado eles terem a idade que têm. Acredito que mais dois aninhos eles já não fazem comentários desses. Entre 14 e 16 anos ainda é normal, têm as hormonas aos saltos.

    Quanto à questão da separação fronteiriça entre educação e ensino, não é sensata. Como é que uma figura como o professor não tem um papel de educador essencial sobretudo se estivermos a falar de crianças com 6, 7, 8, 9, 10, 11 anos… Toda a figura significativa para a criança, quer queira quer não queira vai interferir na educação dela. Esperemos que queira e da melhor maneira. Acho que estamos de acordo. Claro, se calhar não é feita da melhor maneira. Que tal a escola começar por tentar estreitar os laços entre os pais e a escola? Eu acho que seriam uma boa ideia. Melhor, uma ideia sem a qual, não temos futuro.

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