Consumo, a mais urgente das transições

Não provocou grande alarido ou discussão, a notícia que há mês e meio dava conta de aproximadamente 307 mil mortes prematuras na UE, em 2019, provocadas por poluição sob a forma de partículas finas (partículas em suspensão no ar com diâmetro inferior a 2,5 micrómetros), associadas, predominantemente, a doenças cardíacas, AVC’s e cancros pulmonares.

O número até diminuiu, face a 2018 (348 mil), segundo o relatório divulgado no passado dia 15 de Novembro pela Agência Europeia do Ambiente, e o motivo, aparentemente, prender-se-á com a melhoria da qualidade do ar no espaço europeu. Não deixa, contudo, de ser um número assustador, que poderia ser drasticamente reduzido, caso os Estados-membros optassem por cumprir as metas de qualidade do ar, defendidas por amplo consenso científico. E mais assustador se torna quando percebemos que esta “variante” de poluição atmosférica tem um impacto considerável nas crianças, não só na sua saúde como no seu desenvolvimento. [Read more…]

Transição energética e o aumento do preço da electricidade

Em tempos de inflação exponencial no preço da energia eléctrica (e ainda vamos no adro da Igreja), o Parlamento búlgaro aprovou uma moratória a congelar os preços desse bem para fins domésticos.
Acontece que a União Europeia obriga todos os Estados-membros a comprar electricidade na “bolsa de energia” e impõe a liberalização do preço para fins domésticos até 2025.

Imagem do Observador

A ver vamos como iremos conseguir viver com a folia desta transição energética que nos impõem sem regulamentação do preço da electricidade e com a União Europeia a fazer de conta, mas a manter-se esta tontice, caminharemos para um empobrecimento acelerado de todos os europeus.

Transição energética: a mudança que deixa tudo na mesma

 

Não nego, de forma alguma, a ameaça, sem paralelo, que representam as alterações climáticas. Estou até profundamente convicto que nada é mais urgente que resolver este problema, responsável por criar e agravar um conjunto de outros problemas, todos eles preocupantes. Não obstante, e correndo o risco de ser rotulado de negacionista, tendo em conta aquele que é o pensamento dominante e já bem enraizado, parece-me que a transição energética em curso, na forma e à velocidade a que nos está a ser imposta, ignorando um sem-número de variáveis e consequências que não estão a ser tidas em conta, tem tudo para dar em nada. Na melhor das hipóteses. Pelo menos no que à defesa do clima diz respeito.

Ano após ano, ao longo dos últimos dez, quinze, construiu-se e consolidou-se uma narrativa, no centro da qual está a ideia de que recursos como os painéis solares, os carros eléctricos e os aerogeradores, entre outras tecnologias “verdes”, vão salvar a humanidade da extinção. E, durante muito tempo, poucos foram aqueles que a colocaram em causa. Contra mim falo, que rapidamente me deixei converter à nova religião verde, sem questionar grande coisa. Seguir o rebanho é sempre a opção simpática, principalmente quando tudo parece evidente demais para não ser verdade. Não que considere as tecnologias ditas verdes um embuste. Nada disso. O problema é que não nos estão a contar a história toda. Que não é tão verde como parece.

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Conversas vadias 32

Sejam bem-vindas, e bem-vindos, à trigésima segunda edição das “Conversas vadias”.

Desta feita, os vadios foram António de Almeida, Carlos Araújo Alves, José Mário Teixeira e João Mendes (que entrou em andamento). E, ainda, a assinalar, a ausência especial de António Fernando Nabais, por razões de sono estético.

Temas da vadiagem: o Orçamento do Estado; o cai ou não cai o Governo; o papel e o futuro dos partidos políticos da Esquerda à Direita; líderes partidários e candidatos; o papel(ão)do Presidente da República; os desejos íntimos (políticos) de António Costa; bazucas e bombas avulsas; impostos e serviços públicos; a crise e a transição energéticas e os caminhos da Europa; e Rabo de Peixe e o inquérito aos crismandos adolescentes (incluindo sobre sexo fora do casamento ou até mesmo com animais). Para finalizar, as habituais sugestões que contaram com cinema, música e televisão (lulas incluídas).

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Conversas vadias 32
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Não quero pagar a transição energética

Talibãs do politicamente correcto, pretendem impor a sua visão dogmática à sociedade, apresentando como verdade cientificamente inquestionável, matéria que está longe de consensos científico e levanta questões ainda por responder. Os que não embarcam na agenda, são apresentados como negacionistas ou excêntricos, na melhor das hipóteses.
No entanto, existem evidências históricas que o clima do planeta Terra era mais quente que hoje, entre 800 e 1200 DC. Já entre 1350 e 1850 DC era mais frio que hoje. Se é irrefutável que a temperatura aqueceu nos últimos 150 anos, é questionável que seja apenas como nos tentam vender, motivada pela revolução industrial, ou poderemos então apontar os vikings como responsáveis pelo anterior período de aquecimento? Obviamente que o primeiro destes factos é omitido pela corrente dominante e acéfalos avençados, já o segundo é propagado até à náusea. Não interessa que os cidadãos, possam levantar questões que coloquem em causa o pensamento oficial. [Read more…]

Conversas vadias 31

Vadiaram bravamente Francisco Miguel Valada, António Fernando Nabais, José Mário Teixeira, Orlando Sousa, João Mendes e António de Almeida. Começou-se por Aristides de Sousa Mendes, fez-se uma referência velada ao único deputado que pôs em dúvida o valor do antigo cônsul português em Bordéus, reconheceu-se que a ditadura pode ser prejudicial à saúde, de Brecht chegou-se à importância dos trabalhadores e dos pequenos em todas as grandes conquistas, falou-se de Carlos Moedas, das eleições no PSD, ou seja, de Rui Rio e de Paulo Rangel, acompanhou-se o guião do filme do Orçamento de Estado, aludiu-se a Ricardo Salgado, à vergonha nacional das taxas de Justiça ou de justiça, mais a transição energética, a pobreza na rica Catalunha, os vários capitalismos. Como de costume, encerrou-se com sugestões – cinema, música, postais (sim, postais mesmo em papel), política musicada, viagens e formação em guerrilha urbana.

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Conversas vadias 31
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Porque os dirigentes já cá não estarão….

 

Ultimamente tem havido vários casos em que os tribunais puxaram as orelhas aos governos e parlamentos para que levem a sério a crise climática e tomem medidas à altura. O acórdão  do Tribunal Constitucional alemão é um importante exemplo, tendo decidido que a protecção do clima é um direito fundamental – e que as medidas preconizadas na Lei do Clima aprovada pelo parlamento alemão foram consideradas insuficientes.
O “Tribunal na cidade de Karlsruhe disse, em comunicado, ser necessário “aliviar o peso” que se antevê para a população na próxima década, uma vez que a falta de regulação agora implicará “reduções com cada vez mais urgência e a curto prazo” no futuro.“

Ou seja, a continuação dos abusos que praticamos contra o Planeta vão exigir das gerações futuras uma austeridade desproporcionada – já não falando em worst case scenarios. Quem continua a ignorar isto – por exemplo, os liberais – assume-se como enorme egoísta.

No passado dia 2 de Setembro, houve mais uma decisão judicial importante, a que os governos da UE deveriam finalmente dar ouvidos:

o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que o obsoleto Tratado da Carta da Energia (TCE) não é aplicável entre os estados-membros da EU e, como tal, as empresas e investidores europeus do sector da energia não o podem utilizar para processar os governos da UE pela perda de receitas que atribuem a medidas políticas em prol do Clima, usando o ISDS (tribunais arbitrais privados).

Isso é o que está a acontecer, por exemplo, no caso das gigantes energéticas RWE e Uniper contra o governo holandês pela decisão do governo holandês, de Dezembro de 2019, de proibir até 2030 a produção de energia a partir do carvão.

Mais de um milhão de cidadãos e mais de 400 organizações da sociedade civil exigem que os estados europeus abandonem o TCE, uma arma das multinacionais para bloquear a transição energética.

O governo português é um dos que não quer sair, remetendo para uma modernização nada-morta.

Procrastinação, submissão e cheias

Ocorrem inundações dramáticas na Alemanha e os políticos vêm debitar frases feitas e bem sonantes. Como o líder da CDU, Armin Laschet, candidato a chanceler nas próximas eleições de 26 de Setembro, como sucessor de Merkel: “É necessário acelerar as medidas de protecção climática”. Tal hipocrisia chega a ser dolorosa: durante 16 anos, no estado federal da Renânia do Norte-Vestefália (NRW), Laschet e o seu partido bloquearam uma viragem nos sectores da energia e dos transportes. Laschet sabotou a expansão da energia eólica e teimou na combustão do carvão.

Há 30 anos que os líderes políticos se recusam a tirar as palas, subjugados pelo poder dos lobbies e dos interesses das multinacionais. O número de postos de trabalho, que supostamente andaram a defender, já podiam ter sido criados há décadas em actividades económicas sustentáveis, de futuro. Mas para isso, era preciso que tivessem visão e coragem e não inércia e moleza perante a pressão dos poderosos.