A desigualdade é motivadora

Daqui:

Se juntarmos às condições anunciadas no texto linkado acima, mais o seguinte:

Existência de elevador social, possível ascenção social

temos as condições necessárias para que a desigualdade seja um factor de desenvolvimento. Não podemos esquecer que mesmo com as mesmas condições básicas, os patamares a que chegamos são desiguais, não só porque todos somos diferentes, mas tambem porque podemos tomar opções de vida diferentes.

É tão lícito, optar por uma vida que dê muito dinheiro, como optar por uma vida que dê tempo para estar com os filhos, ou para ter tempo para ler ou para viajar. Não podemos é fazer a comparação entre, somente, a propriedade e a fortuna que se adquiriu.

Ora, é a sociedade Liberal que permite que de cada um se tire o melhor para o bem comum, que permite que cada um participe com as suas capacidades únicas, deixando o Homem realizar-se na sua plenitude.

O contrário disto é o igualitarismo, que quer à força que as pessoas sejam iguais, que não há diferenças e diferentes capacidades. Desta forma, há um continuo nivelar por baixo, abafar as capacidades individuais que marcam a diferença e, com ela, a capacidade de a sociedade se renovar e atingir patamares que de outra forma, nos estariam interditos. Na ciência, na saúde, na política, no social…

Não há é nenhum sistema que transforme o Homem num ser generoso e capaz de partilhar, de se interessar pelos outros, de olhar para quem não pode ou não quer chegar aos mesmos patamares, sem preconceitos.

Haver desigualdades, verificadas aquelas condições, não é imoral nem atentatório da dignidade das pessoas.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    A desigualdade (social) só é um factor de desenvolvimento no modelo de sociedade em que vivemos. Porque a desigualdade é uma constante; dificilmente encontras dois seres humanos iguais. Essa diferença é suficiente. Não é preciso acentuá-la, comendo uns e passando outros fome. O tal elevador poderia ser conseguido com base em estímulos morais e não numa progressiva retribuição material. Esta discussão tem, no mínimo dois séculos. Por isso há quem defenda o capitalismo e há quem defenda o socialismo. São duas formas inconciliáveis de ver o mundo – não existe consenso possível.

  2. Luis Moreira says:

    Há um intermédio que é o Estado de Direito, a Democracia parlamentar e a economia social de mercado, vulgo Social- democracia. Claro que podemos fazer pender a balança mais para o mercado ou mais para o social e é nesse equlibrio que se joga muita coisa. Como se viu nesta crise!Quem tem culpa que haja gajos gananciosos até ao limite?

  3. Carlos Loures says:

    A ganância é um dos motores do sistema capitalista; podes chamar-lhe ambição, mas vem a dar no mesmo. A fronteira entre o desejo de ascender (que é legítimo) e a ganância é tenue. Tal como o é a divisão entre o espírito de iniciativa e a corrupção. Os limites destes conceitos são elásticos e essa é uma das características do sistema. E, depois, vale aquele axioma cigano: «crime é quando a polícia nos apanha».

  4. Luis Moreira says:

    Sem dúvida, mas o homem não muda só porque se muda o sistema, e esse é que é o problema. Uma coisa é deixar a inciativa privada produzir, a outra é distribuir e aqui é que está o busílis…e não se distribui se não se produzir.

  5. Adão Cruz says:

    Luis Moreira:
    Uma coisa é desigualdade e outra coisa é diferença. É óptimo e saudável que sejamos diferentes. Desiguais nunca. E isto não é um jogo de palavras, mas a a autêntica e genuina filosofia social para a justiça e para a possível felicidade humana.

  6. Luis Moreira says:

    Meus caros Adão e Carlos

    Se aquelas condições , que aponto nos dois textos forem cumpridas, nã é imoral haver desigualdades. Resultam de diferentes opções de vida ou de capacidades desiguais.Não podemos comparar apenas a fazenda, há que comparar outros activos muito importantes. Tempo para a família, para ler…

  7. maria monteiro says:

    uma coisa são os nossos gostos, a nossa forma de estarmos e nos arrumarmos na vida,,, somos mesmo únicos e diferentes
    outra coisa são as desigualdades que nos são impostas aos mais variados níveis…
    Só todos juntos é que conseguimos acabar com as desigualdades

  8. Carlos Loures says:

    Acho que, como o Adão disse e a Maria reforçou, se trata de uma questão semântica – a diferença é um dado adquirido e enriquecedor; a desigualdade (de oportunidades, claro) é sempre injusta. Não faz sentido que, à nascença, haja pessoas (entre elas alguns mozarts e einsteins) condenadas à miséria e à ignorância e, em contrapartida, outras que nascem no chamado berço de ouro. O Belmiro de Azevedo, por exemplo, com alguma inteligência e muito oportunismo (podes dizer sentido de oportunidade, se o quiseres elogiar) conseguiu chegar onde chegou. O filho, basta-lhe isso, ser filho do Belmiro, para ter a posiçãop e a fortuna que tem. Por mais ue digas, o sistema capitalista não é justo. E, ao desperdiçar talentos, ao deixar génios em bairros de lata e sem despontar, comete um estúpido crime de desperdício contra a Humanidade.

  9. Carlos Loures says:

    Fiz a jogada, mas esqueci-me do remate – a diferença é enriquecedora e motivadora; a desigualdade é injusta, criminosa e lesa o capital do saber e da inteligência. E termino em estilo futebolístico – «Embrulha, Luís, e vai buscar!»