Professores – A Isabel alçada a ministra…

É claro, para mim, que há um certo número de questões, que servem para ganhar espaço de manobra, tão esdrúxulas são. Até porque não acredito que a visão que nos é transmitida do processo de avaliação seja a que esgota o assunto no que diz respeito à gestão da escola e à obtenção de melhores resultados.

Todos sabemos, que tanto os sindicalistas como os burocratas do ministério, há muíto que deram umas voltas (turísticas e pedagógicas) pela Europa e viram implementados processos de avaliação no quadro mais vasto da “Gestão por objectivos”.

Enquanto interessar às partes, transmitir esta ideia que o que se trata é dividir professores, ter inimigos a quem apontar por levantarem barreiras à governação e, aos sindicatos, que são uns “insensatos” defensores da classe, isto não anda. Como não anda na Justiça, para não ter que dar outro exemplo, que podemos desfilar uns atrás dos outros.

O exemplo que o João dá, é tão óbvio, que só por sí mostra que a avaliação não pode ser o que nos andam a vender. Como é tambem esdrúxulo, colocar professores a “assistir” a aulas para dar notas a colegas, ou passar pela escola um “inspector” que assiste a aulas para classificar professores.

Ora, como já aqui disse dezenas de vezes, ninguem conhece melhor o trabalho de cada um que os seus colegas, sejam eles da equipa da cadeira, do Conselho Pedagógico, ou de outro orgão Director da Escola.

O que leio nos jornais, as grandes divergências, sublinhadas pelos sindicalistas, já não são mais do que despojos que cada um carregará o melhor que puder sem ter que perder a face. Agora já se fala que ” a fixação de vagas não está clarificada,” o que quer dizer que agora é só saber o “como”, o “documento do ME é ambíguo” o que quer dizer que é só “limar arestas”, que “é fundamental que o documento sofra alterações” o que quer dizer são alterações e não mais do que isso…

Estas negociações são uma parte de um todo e o que resultar delas, têm que “encaixar” em outros resultados de outras negociações que por sua vez…

Ninguem acredita quando nos toca à porta, mas a verdade, nua e crua, é que a festa acabou!

O princípio socrático encavacado

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O Partido Socialista declara estar o presidente Cavaco ao serviço da oposição.

Diz-se que em política ou história, a memória é curta. Durante anos a fio, o país soube e gozou com as quase públicas desavenças entre o 1º ministro Cavaco Silva e o presidente Soares. No seu segundo mandato, Mário Soares tornou-se no promotor da alternativa ao desgastado governo do PSD e as “presidências abertas” nada mais foram, senão uma clara demarcação de Belém em relação ao governo de maioria absoluta. Inventaram-se direitos à indignação, Soares falou “privadamente em público” – até alto e em bom som diante de quem o quis ouvir, em pleno restaurante Bel Canto (1992, eu próprio escutei as suas palavras) – e todos conheciam a profunda aversão mútua que se foi criando entre os dois homens. Mais tarde, quando Cavaco quis tornar-se presidente – a velha historieta do grão-vizir que se quer tornar califa no lugar do califa – e alijou o PSD como …” esse partido”…, Sampaio surgiu na corrida a Belém e proporcionou-se ainda a alegria a Mário Soares, de “acabar o mandato dando posse a um governo socialista”. Assim, sem qualquer tipo de equívocos. É esta a alegada presidência de todos os portugueses.

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Crónica de Paris, ou a árdua tarefa de comer e beber

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Mercado de Aligre

Por ser a sexta vez que estou em Paris, ainda não senti necessidade de revisitar os principais monumentos da cidade. Ao invés, os primeiros dias têm sido ocupados a visitar uma família numerosa, que, no fim de contas, é quem nos tem permitido vir tantas vezes. Basicamente, não tenho feito outra coisa senão comer, beber e dormir sempre que me sento num sofá. Sempre adorei a gastronomia francesa, mas desta vez fiquei deliciado com a Sopa de Peixe vinda directamente de Biarritz, e, claro, com as inevitáveis tábuas de queijos e os deliciosos vinhos de Bordéus.

Pelas ruas da cidade, descobri, numa transversal do Faubourg Saint-Antoine, o Mercado de Aligre. Ali se vendem, desde o sec. XIII, todos os produtos hortícolas e frutícolas a preços que não são nada de especial se pensarmos no salário médio dos franceses.

Goosto de caminhar à noite pelas ruas desertas da cidade. Foi assim que descobri, cá como aí em Portugal, a luta dos cidadãos contra o encerramento dos servicos públicos por razões puramente economicistas.
Anteontem, fui pela primeira vez ao Centro. Era o último dia do Mercado de Natal dos Campos Elíseos, que vai na segunda edição e ocupa as duas alas da histórica Avenida, desde a Grande Roda ao Arco do Triunfo. Mais uma vez, os preços eram muito acessíveis, até para os portugueses.

Ontem, meti-me numa aventura e fui de carro emprestado a Fontainebleau, a 70 quilómetros daqui. Mas isso já vai ficar para amanhã.

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Rua Jean Mace                                              Protesto contra encerramento de Posto de Correios

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Sopa de Peixe com croutons, rouille e queijo ralado       Tabua de queijos e Vinho de Bordeus

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Campos Eliseos (a direita, o Arco do Triunfo ao fundo)

Para o anedotário nacional, mais um contributo do Ministério da Educação

Imaginem que numa escola apenas existem dois professores que leccionam uma dada disciplina. Imaginem que ambos pretendem atingir um determinado escalão, para o qual haverá uma quota de 30%.

Segundo a proposta ministerial de avaliação os professores, ou pelo menos o que entendi dela, uma vez que ambos os professores necessitam de quem lhes assista a umas aulas, terão de assistir às aulas um do outro. As aulas assistidas, a maior imbecilidade de todo este processo já que qualquer calaceiro prepara 2 ou 3 aulitas à moderna, com uns paurpóins e tudo, mesmo que nas restantes se limite a ditar apontamentos retirados de um manual qualquer, serão uma espécie de intercâmbio: hoje assistes à minha, amanhã vou eu à tua.

Num caso destes (que não é uma raridade, mas a banalidade nas escolas mais pequenas) é suposto que ou chegam a um acordo, ou cada um  tramará o outro, o que até pode dar jeito, sempre se poupam uns tostões nos 30% (que não sei muito bem como se aplicam, já que se for a nível de escola/disciplina apenas 2/3 de um dos professores poderá subir na carreira).

Há mais anedotas destas, mas agora vou cogitar noutra coisa: como serão avaliados os assessores de comunicação que andam numa azáfama doida desde ontem nas caixas de comentários de tudo o que é online. Terão quotas? Os comentários são lidos por um supervisor? É que dado o insucesso que tiveram nos últimos tempos, eu se fosse do governo já os tinha chumbado.

Como uma onda, como uma onda que ninguém pode parar

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Póvoa de Varzim, Setembro, 2008: “Tudo começou aqui e hoje”.  Assim inaugurava  Manuel Pinho o Parque de Ondas da Aguçadoura, na Póvoa de Varzim, o primeiro parque mundial de aproveitamento da energia das ondas.

Um milhão e 250 mil euros de investimento público depois, aliás, de  4 milhões de euros repartidos não se percebe muito bem entre quem,  Manuel Pinho pode orgulhar-se de ter inaugurado o primeiro parque mundial deste género a encerrar. No mundo e provavelmente no universo.

Já agora, ouçam com atenção o sr. da EDP. E depois leiam isto:

“Neste momento, não estamos ainda perante uma tecnologia completamente estabilizada. As máquinas do Parque da Aguçadoura tiveram um Inverno duro, do ponto de vista marítimo, e vieram para terra fazer algumas reparações, isso não é nada de especial. Não podemos esquecer que isto é um projecto”, afirmou o administrador, refutando as declarações de Rui Barros, da Companhia da Energia Oceânica, que considerou estar “seriamente comprometido” o projecto do ‘cluster’ português da energia das ondas, devido à paragem do parque de ondas de Aguçadoura.

Dito ao Público em Março por Jorge Cruz Morais, administrador da EDP.

Via Blasfémias. E já agora, na Wikipédia, no artigozinho de propaganda, as ondas ainda não pararam.

Le soutien (sutiã) = apoio

Quando a escritora e feminista Maria Velho da Costa comandou as mulheres no movimento de libertação feminino, começou pelo soutien. E com razão! Se há alguma peça de vestuário bem feminino e que caracteriza as mulheres é o apoio. Às mamas!

Fizeram uma bela fogueira ali entre o Marquês de Pombal e o Parque Eduardo VII, tiraram os soutiens e vá de fazer um “auto de fé” com a peça feminina por excelência.

Claro, que foi o ínicio de muitas outras coisas, como os jeanes, as t-shirts e as sapatilhas de que resultaram estas mulheres maravilhosas, eternamente jovens e meninas. Eu aderi imediatamente. Desde logo porque ficaram mais jovens e bonitas (nunca gostei do tipo mulher “marqueza” ) e porque tudo era mais simples e prático. Para elas e para nós.

Mas o problema (há sempre um problema) é que as mulheres querem fazer a vida militar e para andarem a correr e ” à batatada” não podem e não dá jeito andarem com as “pendurezas” a oscilar demasiado. E, aí está, o primeiro movimento a favor dos soutiens que já partiu das mulheres Suecas, que criticam não haver no seu uniforme uns soutiens “à maneira”.

São elas próprias que têm que comprar o seu próprio soutien, normal, que não está adaptado e que se rasga com relativa facilidade.

Agora começo eu ( e elas, aposto) a tentar perceber porque nunca foi colocada a questão de, em vez de se chamar ” soutien”, que dá logo a ideia de uma peça íntima e feminina, não lhe termos chamado aquilo que ele é na verdade. Um simples apoio. Lá se vai a carga erótica e feminina, mas eu, por uma vez, deixo de andar aqui feito “tolo”, ora bato palmas por deitarem fogo à peça (literalmente) ou grito de contente por ver as mulheres com as mamas a saírem do decote!

Os amigos dos correios: manual prático de gamanço

Compra-se um edifício por 20 milhões de euros, por acaso vendido uma hora antes pelos CTT por 15 milhões , mas isso agora nem vem ao caso. No edifício ficam instalados os mesmos CTT (55000€ mês), o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (22000€), a Associação de Informática da Região Centro (23000€] e a Associação Fernão Mendes Pinto, transformada em IPSS com protocolos firmados com o estado (136000€).

O jornalista Nelson Morais fez as contas e diz que 7 anos depois os 20 milhões foram recuperados.

Ah, e os CTT ainda foram alugar outro edifício à Bascol, mas não dizem por quanto.

Pergunta de algibeira: quanto é que teriam os CTT  ganho se não tivessem vendido e  tivessem mantido os inquilinos que já lá estavam (todos menos a tal espécie de IPSS) e arranjado outro para o espaço que ficava vago com a saída dos seus serviços de distribuição?

Eis os amigos do alheio, aliás os amigos dos correios, em todo o seu esplendor, e assim vai o gamanço em terras de Portugal.

Não há acordo possível

Com uma proposta que é pior que o pesadelo Maria de Lurdes.

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)
Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

O low profile de Isabel parace ter adormecido as coisas, mas com essa capacidade não consegue disfarçar outra – a de que o ME está transformada na maior secção do Ministério das Finanças.
Uma coisa há de positivo – deixaram-se das tangas da qualidade da educação, de que isto tudo é para melhor, etc…
Assumem que é tudo uma questão financeira.
Muito bem. Vamos então à guerra no terreno onde ela tem que ser feita – o da política pura e dura.
A pergunta que todos podemos fazer: a educação custa muito dinheiro? Mas… já não se lembram do que ainda estamos a pagar pela ignorância do Salazar?

Quero com isto avançar um primeiro argumento para justificar o que me parece MUITO evidente – a Educação e a qualificação das pessoas têm que ser a nossa prioridade número um porque é a única coisa que nos pode valorizar quando comparados com outros povos.
Mas, apesar de parecer o Sócrates a falar, quero com estas palavras significar uma mudança TOTAL na realidade presente – na escola quase tudo tem que mudar, nomeadamente os currículos e a sua centralidade: temos, enquanto sociedade, que responder à pergunta:
– o que é que se aprende nas escolas públicas?
Pois… eu nem vos dou a resposta… CEF, EFA… Novas Oportunidades… zero reprovações…
Voltaremos em breve a esta discussão.

A máquina do tempo: em demanda de Eça* (2)

Na manhã seguinte, sob um sol magnífico, num fiacre de praça chegamos ao palacete de Neully onde vive Eça de Queirós. Quando me apeio e enquanto o Sousa paga ao cocheiro, ouço gargalhadas de crianças. Venho depois a saber que, na casa ao lado, funciona um Orfanato. É a hora do recreio.

Uma criada abre-nos a porta. D. Emília, a esposa de Eça, vem-nos receber e apesar de sorridente o seu rosto não esconde as sombras de uma viva preocupação. Depois da troca de amabilidades de circunstância, diz-nos que o Dr. Melo Viana, que com o Dr. Bouchard, tem acompanhado a evolução da doença de Eça não acredita já na cura. Havia alguma esperança em que os ares de Glion, perto de Genebra, lhe fossem favoráveis. Ramalho Ortigão, de passagem em Paris, oferecera-se para o acompanhar à Suíça.

Porém, ao cabo de duas semanas regressara a Paris, pior do que partira. O médico francês ministrou hoje pela manhã um soro especial vindo do Instituto Pasteur e o doente está melhor, mas teme-se que sejam falsas melhoras. Ontem, a esposa e os médicos interrogavam-se sobre a oportunidade da entrevista, mas Eça, com ouvido apurado, percebeu o que diziam e insistiu em nos receber:

– Ora, digam aos moços que venham. Mal não me pode fazer. Até me vai distrair.

Por isso, nessa manhã recebi no hotel o telefonema a confirmar a entrevista.
Acompanhados por D. Emília e por uma prima sua, carinhosa enfermeira do doente, entramos no quarto iluminado pelo sol da manhã. Muito magro, muito branco, de olhos encovados, Eça espera-nos, sorridente, sentado num divã, vestindo uma leve «cabaia». Oferta do conde de Arnoso que a trouxe da China, como nos disse depois, durante a conversa. «Pareço um mandarim», comenta. Continuar a ler “A máquina do tempo: em demanda de Eça* (2)”

O preço dos erros

O caso iraniano, é mais um exemplo do preço dos erros que se cometem. Um preço com elevados custos humanos.

Se em tempos idos os EUA tivessem dado melhor atenção ao Xá Reza Pahlavi, muito do que se passa agora no Irão, e do que já se passou, ter-se-ia evitado.

 Apesar da sua concepção autocrática, Reza Pahlavi promoveu a modernização do Irão com a laicização do Estado, a igualação de direitos entre homens e mulheres, dinamizou as artes e as mentalidades imprimindo um forte cunho ocidental. O Xá estabeleceu os fundamentos para a estanquicidade do avanço do clero xiita e a delimitação das influências muçulmanas, ao mesmo tempo que travava as influências soviéticas junto da Jordânia e da Síria, de modo a permitir um melhor equilíbrio geopolítico naquela região.

Acontece que Reza Pahlavi quis libertar-se do jugo norte-americano, começando a estabelecer as suas próprias cotações de crude. Porque percebeu que só verdadeiramente autónomo é que poderia construir o Irão moderno e de matriz ocidental que tanto ambicionava. Mas com isso feriu os interesses das companhias petrolíferas norte-americanas, e os EUA fizeram aquilo a que já nos habituaram: deixaram cair quem já não lhes era útil no imediato, sem medir as consequências no médio e longo prazo.

O próprio Kissinger apercebeu-se da importância vital que seria sustentar o Xá, dando-lhe mais e melhor apoio político e militar. Disso deu a devida conta em Washington DC, mas de nada adiantou: como sempre os interesses corporativos do petróleo falaram mais alto. Foi um dos maiores erros de política externa do Presidente Jimmy Carter.

A França, com fortes interesses no mercado do crude soube aproveitar, e após dar exílio político a Khomeini, manteve uma postura no mínimo dúbia que permitiu o regresso em força do xiita.

O resultado está à vista: desde que o khomeinismo se instalou no Irão, o retrocesso civilizacional foi enorme. Sendo que os actos de violência hoje relatados em toda a comunicação social mundial, com especial enfoque na perseguição do governo iraniano aos líderes da oposição, serão mais um capítulo da herança sangrenta e castradora que a vitória xiita representou no rumo do Irão.

Infelizmente, uma das vantagens de se ser super-potência é que os erros são quase sempre pagos pelos outros.

Um Padre solidário

Um Padre anglicano defende que as pessoas muito desfavorecidas devem roubar os produtos que estão nas montras das grandes superfícies.

O Padre Tim Jones de York (bonita cidade do norte de Inglaterra com um centro medieval absurdamente belo por parado no tempo) diz que é preferível roubar a quem tem muito do que andar a prostituir-se ou a usar a violência.

Uma sociedade que deixa que alguns dos seus caiam na mais funda das misérias, merece ter uns “achaques” de medo e de consciência, que o senhor Padre trocaria de bom grado por uns roubozinhos.

Ora bem, o senhor Padre está a dizer que os roubos são legítimos por matarem a fome a quem nada tem para comer, ou são próprios para que a sociedade não tenha que pagar mais caro?

Isto pode ser visto como uma caridadezinha, estilo chá dançante ? Ou é mesmo “roubem a eito até que os vossos filhos tenham o suficiente “?

Por falar em família tradicional

Jacopo Pontormo, Anunciação, S. Felicita, Florença, 1528
Jacopo Pontormo, Anunciação, S. Felicita, Florença, 1528

Disse Maria ao Anjo: “Como se fará isto se não conheço varão?”

O Anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, e por isso o Santo gerado de ti será chamado Filho de Deus”. Lucas (1,26-38)

2 580 000 000 ou os excessos natalícios

Os portugueses gastaram 2,58 mil milhões de euros em compras e um valor médio de 44 euros, entre os dias 1 e 26 de Dezembro deste ano, indicam os dados da SIBS, a entidade gestora dos sistemas de pagamento, que junta os bancos a operar em Portugal. Feitas as contas, algo em que não somos grande coisa, “investiram” (palavra mais bonita que “gastaram”) o equivalente a 2,9% do produto interno bruto.

Perante estes números assola-me uma dúvida: os portugueses são completamente doidos pelo Natal? Perderam a cabeça de vez? Ou a história da crise é uma treta?

Já São Mil e Duzentas

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FUNDAÇÕES, COMO COGUMELOS

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Pelo que se sabe, devem ser já cerca de mil e duzentas as fundações.
Desde 2001, foram criadas mais de setenta e cinco, e só os governos do nosso estimado líder, Sócrates II O Dialogador, já terão criado ou aprovado cerca de cinquenta, desde que ele chegou ao poder.
Estas coisas estranhas, recebem milhões de euros anuais em subsídios e isenções fiscais, e não existe qualquer controlo para as fiscalizar.
Por causa das coisinhas menos claras que se vão passando com a Fundação Magalhães ( na realidade chama-se Fundação para as Comunicações Móveis, e até para calar quem afirma que o controlo não existe, o Tribunal de Contas lá se pôs, muito a custo, a caminho, e está a realizar uma auditoria.
Das outras mil cento e noventa e nove, quase nem se ouve falar, excepto, claro, e porque nem tudo se esquece, na Fundação Para a Prevenção e Segurança, de António Vara (o homem dos dez mil euros), que, no tempo de Guterres (outro Dialogador), suscitou mais um escândalo.

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