E se os idosos saem à rua armados com coktails molotov?

O Que se Leva Desta Vida, vídeo de Bruno Canas, a estória no Ionline

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Claro, a malta desta idade já não tem tempo a perder, os gajos nunca mais passavam à acção, propriamente dita…

  2. Carlos Loures says:

    Não conheço a peça nem a companhia, mas estamos perante um evidente choque de culturas. Os artistas, pelo que pude ver não eram de elevada qualidade, o público de tipo rural, de uma faixa etária pouco propensa a experimentalismos e de um nível cultural pouco favorecido, não seria o mais adequado. Quem teria propiciado a maldade de juntar estes ingredientes? Uma autarquia? O artista deve conhecer o público a quem se dirige. Não me parece que o espectáulo tivesse alguma coisa a ver com o público. Ó João José Cardoso esclareça-me lá, pois pelo vídeo não se percebe tudo e fiquei curioso.

  3. Carlos Loures says:

    Agora, já percebi. Não conheço a peça, mas deve ser tudo menos adequada ao público que o Inatel traz aos teatros. Aqui há uns anos, no Teatro da Trindade, representava-se uma peça de um autor americano, muito dramática, sobre o problema da velhice e da solidão. Entre o público estavam umas largas dezenas de idosos trazidos em excursão. A peça era muito boa e a interpretação excelente, com o Ruy de Carvalho no papel principal. Diziam-se muitos palavrões. E, a cada um, os idosos das excursões, que eram a maior parte dos espectadores espectadores, explodiam em gargalhadas que não deixavam ouvir o que se passava em cena. O Ruy de Carvalho, a certa altura interrompeu a fala e veio à boca de cena. Pedagogicamente, embora em tom um pouco zangado, explicou que aquelas gargalhadas impediam os actores de representar e que, quanto mais não fosse por respeito ao trabalho daqueles profissionais, as pessoas não deviam rir. As risadas moderaram-se, mas algumas pessoas não as conseguiam conter. Anos antes, ainda no teatro Avenida, assisti a uma representação de «A Cantora Careca», do Ionesco, pela companhia brasileira do Luís de Lima. Um grupo de jovens, onde eu estava, não resistiam ao absurdo dos diálogos e riamo-nos. Choviam os «schiu» de todos os lados. O Luís de Lima comentou, também em cena aberta, que a intenção de Ionesco era precisamente as de provocar o riso. Porém, o snobismo daquela gente fazia-a julgar que era indecoroso rir de uma peça de uma autor tão famoso. Públicos…

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