O homem não é o centro de nada

O homem não é o centro de nada e poderá não ser, tão pouco, o ser mais desenvolvido do planeta

 Todo o indivíduo está envolvido em sistemas de redes culturais e sociais que têm uma profunda influência no ser e no saber dos próprios indivíduos, criando identidades, visões do mundo e das coisas, convicções culturais e sentimentos muito diversos.

Na metafísica tradicional, todos os níveis “superiores” à matéria são realmente “metafísicos” isto é, estão para além da física e da matéria. Estes grandes pensamentos metafísicos constituíram estruturas interpretativas que os homens mais sábios foram dando às suas experiências mentais, também ditas espirituais.

 À medida que a evolução se desenvolve, novos horizontes são usados para recontextualizar e remodelar o saber, através dos resultados científicos das experiências modernas. Em minha opinião, todas as mentes racionais e lúcidas foram abandonando as interpretações metafísicas, por incongruentes e desnecessárias, e por não conseguirem uma aceitação perante o juízo do pensamento moderno.

 

O conhecimento dos fantásticos mediadores de toda o nosso mundo neurobiológico, dopamina, serotonina, metanefrinas, os circuitos sinápticos, a regulação hipotalámica etc. não estavam disponíveis para os antigos. É de crer que os grandes metafísicos da altura, se hoje fossem vivos, dedicariam grandes capítulos à neurofisiologia cerebral e à neurobiologia. As realidades “metafísicas” dos sábios dos nossos tempos, são, na realidade intra-físicas. Não estão acima da matéria nem para lá da natureza, isto é, não são metafísicas nem sobrenaturais.

 As tradições culturais sempre consideraram que os níveis “superiores” à matéria (emoções, sentimentos, reflexão e consciência) são invisíveis e excluídos dos sentidos exteriores. Hoje sabemos que a matéria não é o degrau inferior da existência, mas, por assim dizer, a forma exterior da existência, contendo no seu interior, através dos tempos mais remotos, todas as potencialidades evolutivas da sua estrutura, incluindo as formas primárias e evolutivas de todas as pró-emoções e pró-sentimentos que permitiram o que hoje denominamos de esfera “psíquica”, obviamente não exclusiva do homem.

 Este pequeno texto constitui uma espécie de preâmbulo a um outro texto, que penso escrever em breve, sobre uma dúvida que sempre me acompanhou, e que para a maior parte das pessoas não constitui qualquer dúvida:

Será o homem o ser mais desenvolvido na terra?

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