Alentejanos do mundo

                    (adão cruz) (adão cruz)

Aqui há uns anos, no trajecto do aeroporto de Antuérpia para o hotel, um patarata de um funcionário de uma empresa farmacêutica, divertiu meio autocarro com anedotas de alentejanos e de pretos. Até na Bélgica os alentejanos e os pretos foram chamados à baila para fazer cócegas à mediocridade! Não tive coragem de o mandar abaixo de Braga porque era longe, e hoje estou arrependido.

Eu podia estar calado, mas respeito as pessoas e a verdade, e sinto, apesar de incapaz, uma grande obrigação de as alertar para as lavagens mentais do nosso povo. Enquadram-se neste esquema as anedotas referidas que, a brincar a sério, não têm outra finalidade senão injectar nos cérebros menos atentos, a ideia de que os alentejanos e os negros são estúpidos e malandros, grosseira forma de escamotear a sua consciência política de explorados, que muitos dos portugueses explorados não têm. Pretos, alentejanos, sul-americanos, asiáticos, muçulmanos, os “avessos” do homem, os “paralíticos” do tempo e da inteligência, negra como a pele e magra como a fome! Ou os índios mexicanos de Chiapas, uma espécie de alentejanos lá do sítio, uma enorme fartura de fome para engordar ditaduras de séculos. O que se pretende é fazer crer que os “alentejanos” deste e de outros países são todos umas anedotas, uns malandros e subversivos, que têm de ser metidos na ordem, a fim de que a sua fome continue a ser o sustento da voraz “inteligência” dos finos e dos espertos.

 A minha vivência, a minha profissão e as minhas leituras proporcionaram-me durante décadas, um contacto muito estreito com as diversas gentes, brancas e negras, alentejanas e minhotas, portuguesas e estrangeiras. O suficiente para considerar quem quer que veja a inteligência a preto e branco, amarelo ou mestiço, ou quem quer que alentejane a estupidez, como um infeliz que não atingiu a maturidade mental.

 

Comments

  1. xico says:

    Não se mofine homem. As mesmas anedotas são contadas em França, onde os alentejanos são substituídos pelos belgas e no Brasil os pretos e alentejanos são substituídos por portugas. Na Inglaterra fazem o mesmo com os escoceses e vice-versa.
    Quando lhe contarem uma de alentejanos ou de pretos, conte-lhes:
    Sabem porquê que os alentejanos atiram pedras às cegonhas? É para não terem filhos. E sabem porquê que os Lisboetas atiram pedras aos alentejanos? Pelo mesmo motivo!
    E pronto, ficamos todos bem.

  2. Luis Moreira says:

    Em Itália, contam as mesmas anedotas “alentejanas” sobre os “carabineros”, não se pode levar tudo a peito amigo Adão, a não ser que a intenção seja ofender, isso não!

  3. maria monteiro says:

    em Itália também se contam muitas anedotas sobre padres, freiras e beatas

  4. Carlos Loures says:

    Seja em França com os belgas, seja em Itália com os carabineiros, em Espanha om os galegos, tudo isso são provas de menoridade intelectual e o Adão tem razão em não as aceitar. Um exemplo: Samora Machel, não tendo grande estudos pois era um simples enfermeiro, era um homem de uma grande inteligência e argúcia. Pois ouvi atrasados mentais a contar anedotas sobre a«estupidez» do Samora Machel; os portugueses têm gente estúpida de fugir (como bem sabemos), mas também têm génios, ficando pelo meio pessoas de inteligência e cultura médias – pois ouvi brasileiros analfabetos e imbecis a contarem «piada dji portuguéis», sabendo-se que (apesar das carências que temos) somos um povo mais evoluído, quase sem analfabetismo, enquanto no Brasil é o que se sabe – subnutrição, iliteracia, miséria extrema dae 80% da população e riqueza ostentosa de uma minoria – a Belindia, como lhe chamam, mistura da Bélgica com a Índia. Os alentejanos são, estatisticamente (estou certo) tão inteligentes ou tão estúpidos como os demais portugueses. Porém, enquanto povo considerado no seu conjunto, possuem uma maneira inteligente de estar na vida do tipo – vive e deixa viver. São, quanto a mim e considerados colectivamente, o povo mais inteligente de Portugal. E a maneira calma com que reagiram ao aluvião de parvas anedotas a seu respeito, contando-as eles próprios, demonstra outra superioridade. Se as anedotas inciissem sobre oriundos de outras paragens do País, não teria sido tão pacífico. Venham de quem vierem e sejam contra quem forem, as anedotas que visam ridicularizar uma etnia, uma cultura, uma idiossincrasia, são uma prova de menoridade intelectual de quem as conta. O texto do Adão, revelando a sua revolta, faz todo o sentido.

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