Tintarella di luna

Frequento uma tertúlia interessantíssima, com gente ligada ao teatro, médicos psiqiatras (não quer dizer que haja conexão..), onde se fala de assuntos pouco habituais.

Ontem, tivemos uma autêntica lição de um Psiquiatra sobre “misticismo e o seu correspondente  nas doenças de hoje” Curiosamente , começou com esta canção da Rita Pavone, uma voz muito fraquinha e que se ficou por esta canção. O que eu não sabia é que esta canção corresponde a um costume ancestral, das regiões de sul de Itália, em que nas noites de verão de lua cheia, as pessoas se banham à luz do luar. O resultado é uma pele com uma tonalidade rosa/azulada, linda, e que segundo os entendidos exarceba os sentimentos e as emoções levando à troca de casais (quem não tiver parceiro…é melhor evitar a lua…) e que perdura por dois dias.

É esta cor rosa/azulada que levou a dicotomia “lunático” / “aluado”. “Lunático” é a pessoa que se impressiona com a acção que as várias fases da Lua exercem sobre todos os seres vivos, enquanto “aluado” tem a ver com esta acção no comportamento sexual dos indivíduos. De um lado a “materialidade” do outro o “misticismo”.

Já no norte e nas regiões mais frias, em que o “centeio” é o alimento base, há a chamada “cravagem do centeio” em que os indivíduos são obsequiados com uma intensa penugem em todo o corpo, e que levou directamente ao “lobisomem”, cheio de pêlo e a andar “sobre quatro ” procurando, afanosamente no chão, os grãos de centeio de que tanto necessita.

A ciência moderna tem hoje explicação para comportamentos que, nuns casos, levaram à fogueira da Santa Inquisição (fase última de purgação) bruxas e duendes e para  “misticismos” observados como sobrenaturais, como é o caso de Joana D’Arc, Tereza D’Avila, Catarina de Siena e João Deus da Cruz. Todos nos deixaram textos impressionantes de “êxtase” e “catarse” (purificação; purgação) e que se desenvolveram depois, no seio da Igreja Católica, para as Companhias Dominicanas e de Jesus, correspondentes ao actual “Directório de Todos os Santos”, a chave da pureza e os seus guardiões, que acabam quase sempre em Papas, como o actual Ratzinguer.

Estas manifestações têm hoje correspondência em doenças psiquiátricas bem conhecidas, como a “obcessão compulsiva”, “bipolar” e “porfíria” esta, uma estranha doença, em que os pacientes urinam “azul” o que por sua vez vai ligar aos banhos de luar e à pele azulada do sul de Itália…

Comments

  1. madalena says:

    hi , hi . não sei porque , este post fez-me pensar que daqui a umas centenas de anos hão-de ler com um sorriso nos lábios as teorias do XXI sobre aquecimento global , sorriso igualzinho ao nosso quamdo lemos que trovões eram a fúria dos deuses

    • Luís Moreira says:

      Madalena, estou em crer que vão ficar muito surpreendidos sobre certas coisas que damos como adquiridas…

  2. Carlos Loures says:

    A Ciência vai roubando espaço de manobra às crenças. Os milagres já não são tão frequentes como eram (hoje, passados 5 minutos, chegava a TVI, esmiuçava, e lá ia o milagre de pantanas). As visões, não raro eram sonhos ou pesadelos, quando não mesmo resultantes de doenças do foro neurológico ou psiquiátrico. Muito do que hoje é trivial, televisão, telemóveis, computadores – há dois séculos seria magia e há três daria direito a fogueira. Bem sei que sou ateu convicto, mas para mim as crenças são fruto da ignorância e da superstição, do medo da morte e de não querer acreditar que nada existe para além dela. Isto, embora pessoas de grande inteligência e lucidez sejam religiosas. O teu texto, Luís, entra neste território infinito que sempre existirá – o do desconhecido. Daqui por mil anos rir-se- ão da nossa ignorância e daqui por dois mil, estarão outros a rir-se da deles. Enquanto houver gente a risota não acabará.

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