Fernando Nobre, o independente

Nutro por Fernando Nobre um respeito que apenas concedo a homens-livres, a livre-pensadores, a criadores e artistas, a pessoas não enfeudadas a interesses partidários e corporativos, a quem não dá tréguas às iniquidades e injustiças do mundo, a humanistas e independentes.

Tenho seguido com atenção e admiração – e confesso que não sou dado a grandes admirações – o percurso da AMI, o seu foco e prontidão para responder a catástrofes em qualquer parte do mundo, independentemente de crenças e alinhamentos políticos, religiosos ou outros. E admiro, entre outras qualidades, a sua capacidade de mobilização e de implementação de medidas em terrenos adversos, às vezes inóspitos e hostis, sempre precários. Não há organização portuguesa que se assemelhe a esta, nascida de quase nada, pioneira entre nós na ajuda humanitária internacional, respeitada mundialmente, sem a mácula de negocismo, mercantilismo, oportunismo e o despesismo sumptuário que hoje minam a credibilidade de grande parte das ONGs que por aí pululam.

Já aqui disse que Fernando Nobre abrange transversalmente parte da sociedade portuguesa. Divide a esquerda? Não mais do que a esquerda política sempre dividiu a esquerda. Peão de Mário Soares? Eu acredito no que escrevi no primeiro parágrafo e não respeito paus mandados. Agradará a Soares, mas Soares é um político de carreira, esculpiu o PS à sua imagem, joga num tabuleiro que evita o surgimento de independentes e que os cidadãos livres sucedam na política. Ajuda Cavaco? Não acredito, contra o que tenho lido, que esta candidatura agrade a Cavaco. Primeiro porque lhe retira também votos, segundo, porque estou convencido – e o actual PR também estará –  de que Alegre, sozinho, não terá condições para evitar a reeleição de Cavaco, terceiro, porque é precisamente de uma reeleição que se trata e a tradição diz que presidente em exercício é presidente reeleito, excepto, talvez, se um dado novo vier baralhar os cenários.

O caso poderá mudar de figura se, à segunda volta, os votos conseguidos por Nobre e Alegre se juntarem. Mas Alegre, mais poema, menos poema, está muito longe de ser um homem-livre, um livre-pensador, prova-o a sua vida partidária, o seu carreirismo, as vezes  que defendeu o PS quando o que o PS defendia era indefensável. Quando muito será um homem corajoso. Já é alguma coisa, mas essa é uma virtude que ninguém nega, por exemplo, a José Sócrates. E, apesar disso, eu não gostaria de ver Sócrates como Presidente da República.

Posto isto, não sei se votarei em Fernando Nobre, não passo cheques em branco. Venha a campanha e convença-me. Mas aviso já que sou, não por natureza, mas por experiência, descrente e desconfiado.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Fernando Nobre tem que estar acima da esquerda e da direita, tem que ser o Presidente de todos os portugueses. Essencialmente, acima e fora dos partidos!

  2. António Caldeira says:

    Vejo nesta candidatura de Fernando Nobre a resposta a um chamamento que grita por todos aqueles que ainda amam o seu país e se sentem capazes de arcar com a responsbilidade de fazer diferente e sobretudo fazer melhor.
    Revejo na candidatura dele um capital de esperança e expectativa idêntico àquele que o mundo depositou em Obama.
    Espera-o uma campanha difícil como a de nenhum outro.
    A ousadia ser-lhe-á cobrada e eu espero que o Fernando Nobre tenha força suficiente para resistir.
    No que depender de mim terá todo o apoio enquanto não desvirtuar o capital de esperança que lhe atribuí.
    Oxalá nasça com esta candidatura um movimento de despertar que leve os portugueses a reformarem o sistema partidário, a maneira de fazer política, para finalmente voltarem a ter nas suas mãos o destino do país.

    • Luís Moreira says:

      António, todos os que não estão nos partidos vêm nesta candidatura uma luz de esperança!

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