Heresias de um catavento

será que assusta os mercados?

Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.

 

Dia Internacional contra a Corrupção.


” Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.”

Manuel Alegre, in ‘Praça da Canção’

Tu, que Virginalizas o Paleio

Imaginemos que num Regime como o nosso um Primeiro-Ministro estava mesmo a tornar-se perigoso [o que de facto já aconteceu e só se resolveu graças a eleições, tardias!, PM cuja periculosidade mostra-a o respectivo legado, este mar de merda em que vogamos, meio mundo de contas para pagar, desemprego massivo, carências básicas, emigração angustiosa, choro e ranger de dentes]. Quem, dentre todos os caramelos da política, dentre toda a fauna de avençados e subvencionados vitaliciamente graças a ela; quem dentre os mega-advogados do Regime, os proenças, os júdice, os abancados nas TV, os abonados dos Orçamentos porque sim; quem dentre todos os filhos dilectos do Regime poderia falar e ser credível para nos avisar?! Qualquer um, menos Alegre, um hipócrita, perito em virginalizar o discurso capitão-gancho de uma vida passada a descansar, a passear e a suspirar. Qualquer um, menos Soares. No entanto, a cansativa jacobinância alternante está sempre aí, à boca da antena. Surge sumo-sacerdotal, indigna-se, caga sentenças, opina definitivamente. E é sempre a mesma, para nos lembrar quem efectivamente tutela isto com os seus vastos abdómens e quem é que tem o direito exclusivo a apascentar a nacional mediocridade tal como ela é, com as bancarrotas corruptas que pariu desde os idos de setenta e o statu quo que a nada aspira senão à cepa torta.

Sucumbirá Seguro à Pressão Interna?

Morsa Soares

Muito cuidado com a morsa Soares e a morsa Alegre, Seguro. Um filhote como tu pode ser esmagado. Que seria de um partido de Governo sem tais figuras… tutelares, exemplos de trabalho, uma vida inteira longe da teta generosa do Estado?!

Repare-se no triste espéctáculo que nos dá o PS, pelas suas figuras e figurões com acesso fácil aos microfones patéticos do Regime e às antenas repetidas e passentas das TV e das Rádios. Dois PS avultam. O PS extinto e o PS ainda a fumegar de ter sido Governo. Ambos exercem uma pressão insolente e pornográfica sobre Seguro, capaz de suscitar compaixão por Seguro, terna condescendência por Seguro. Quantos PS há, afinal?! Quantas falanges, falangetas, alas, nichos? E por que motivo a Esquerda dentro do PS esperneia tanto?! A ameaça de cisão desse partido é a mais cómica e sonsa ameaça de que há memória na história recente politico-partidária nacional.

Refresquemos a memória de rato dos promotores da pressão interna com que Seguro tem de se haver: a crise política não começou com uma grave crise no Governo de Emergência Nacional. Começou com o grave desafio eleitoral colocado pelo cumprimento escrupuloso e sério do Memorando só pela via financeirista, cujo peso foi quase absoluto até 1 de Julho último. Mesmo a admissão de falhanço a que inaudita e humildemente o próprio Vítor Gaspar alude é, antes de mais, a admissão de um falhanço pessoal, não das políticas. Um falhanço das previsões. Um falhanço da dose, graduação e temporização dos efeitos negativos das políticas antes de os seus efeitos virtuosos começarem a surgir. O falhanço, sobretudo, do apoio e adesão, dentro do próprio Governo, para que, junto da Troyka, Gaspar pudesse manter a face e declarar possível garantir o cumprimento dos cortes mais decisivos para 2013 e 2014. [Read more…]

Assunção Esteves, porta-voz da Assembleia da República?

Será que, em 21 de Junho de 2011, Assunção Esteves foi eleita porta-voz da Assembleia da República? Terá Assunção Esteves sido a primeira mulher a assumir o cargo de porta-voz da Assembleia da República? Será que um porta-voz da Assembleia da República ocupa o segundo lugar nas Precedências do Protocolo de Estado? Poder-se-á dizer que estes cavalheiros foram porta-vozes da Assembleia da República? Claro que não

Ontem, no Telejornal da RTP, a propósito desta notícia, disse-se – e muito bem – que Nigel Evans era ‘Vice-Presidente’ (Deputy Speaker) da Câmara dos Comuns. Por esse motivo, não se percebe a razão de se chamar ‘Porta-Voz’ (sic) ao seu Presidente,  John Bercow. ‘The Speaker of the House of Commons chairs’, ou seja, o Presidente da Câmara dos Comuns preside. Bercow, porta-voz? Nem por isso. Nem John Bercow,  nem os seus antecessores Michael Martin e Betty Boothroyd, nem sequer os homólogos neozelandeses.

JBercow

Aliás, para que não haja dúvidas, o próprio John Bercow esclarece: «(…) the Speaker shall act as representative and spokesman for the Assembly and for Parliament to the outside world». Isto é, nem “the Speaker shall act as speaker”, nem “the spokesman shall act as spokesman“, nem, mais importante, “the spokesman shall act as Speaker“. Já agora, aproveitando a onda dos porta-vozes

Fantástico!

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Na sua ansiosa corrida pelo poder, AJS anuncia urbi et orbi a boníssima nova. É a notícia do dia, a bomba mediática que garantirá a regeneração nacional. Soares e Alegre fizeram as pazes. Óptimo, aqui está um projecto de futuro a longuíssimo prazo!

Alegre com Dylan por um Mundo livre

alegre_dylan

«Manuel Alegre ao lado de Bob Dylan, John Lennon e Leonard Cohen» anunciou hoje a Leya, feliz da vida por Alegre passar a estar ao lado de tão notáveis poetas (e Chico Buarque também lá está) no âmbito da antologia italiana Canto Por Um Mundo Livre. Marketing é marketing (essa ciência que é um remédio santo) mas talvez José Afonso fosse realmente o único nome que faria sentido nessa representação portuguesa de grandes poetas/músicos. Alegre é doutra guerra.