Um bilhete da TP de Lourenço Marques-Lisboa. Sem volta (I)


“Há 35 anos inventámos a palavra retornado. Mas eles não retornavam. Eles fugiam. Retornados foi a palavra possível para que outros – os militares, os políticos e Portugal – pudessem salvaguardar a sua face perante a História. Contudo a eles o nome colou-se-lhes. Ficaram retornados para sempre. Como se estivessem sempre a voltar.”

Este post da Helena Matos surge como quase resposta à campanha de promoção de um conjunto de textos coligidos em livre de saison politique que ultimamente tem sido promovido nos santuários do costume. Os dislates do politicamente correcto de alguns conjugam perfeitamente os interesses que hoje servem os seus mais lídimos herdeiros directos, exactamente os mesmos que hoje acorrem a Moçambique à cata de desinteressados negócios. Há coisas que não mudam.

Tudo começou há uns meses quando uma bastante efémera “ex-residente em Lourenço Marques” decidiu editar a sua experiência pessoal, sendo sem surpresa apoiada pelo carpidismo militante que sempre arranja um espaço reactivo para as suas ilusórias verdades de convenção. Essa também ex-menina e autorajamais viveu em Lourenço Marques, a Maputo cujas avenidas o Sr. primeiro-ministro ontem entusiasmadamente percorreu em mini-maratona de salutar oxigenação pulmonar. A dita ficcionista, Isabela de seu nome, limitou-se a vegetalizar-se num buraco-negro de paranóia circunscrito a pouco mais de 400m2. Filha de um tipo de homem a quem local e depreciativamente se designava de maguérre (1), diz ter assistido a um infindo rol de iniquidades caseiras. Por isso mesmo, sendo branca, aparentemente loura e confortavelmente alvenarizada em residência na Matola – uma espécie de melhorado Cacém local – , sentiu como absoluta missão agigantar a pequenina, grotesca e marginal figura paterna, fazendo-a subdividir-se tal como uma amiba, a todo o corpo colonial estabelecido em Moçambique. As lamentáveis aldrabices grasnadas pela ignorância de uma totalmente desconhecida realidade, tornam-se em factos que se compõem uma perfeita ficção de cordel mais própria das sebentas “revolucionárias” e justificativas de outros tempos, estão, no entanto, muito longe da verdade do período final da presença portuguesa em Moçambique. Afinal tudo se resume a uma questão de facturação, à procura de um suburbano êxito à Harry Potter. A ficção vende bem e se for sob patrocínio alinhado, melhor ainda.

Segundo a autora e os seus apressados promotores, os brancos de Moçambique eram todos uns malvados torcionários, sequiosos de divertimentos tão exóticos, como o intencional e impune atropelamento dos negros que cruzavam as ruas da capital. O branco dedicava-se ao espancamento, violação de qualquer tipo de “logicamente negados” direitos e claro está, “vivia enclausurado nas festas sociais, colégios chiques, Clube Naval, de Pesca, no Grémio” e pouco mais. Enfim, eram uns tantos milhares de ociosos parasitas semi-negreiros.

A ignorância intencional dos escribas que se prestaram a corroborar na ignomínia, chega ao ponto de manifestar o mais risível desconhecimento acerca da própria cidade, designando vagamente o todo extra-Isabela, como Polana. Ou jamais lá estiveram, ou a memória é curta e susceptível de habilidosos esquecimentos. Não tendo a parvoeira limites aceitáveis, imagina-se a Polana como uma espécie de alargada Avenida do Restelo ou uma Quinta da Marinha dos grandes do actual regime, mas transplantada na meseta sobranceira à Baía do Espírito Santo. Numa confusão inextricável, o leitor que jamais caminhou nos largos passeios da Maputo de hoje, ficará para sempre sem saber que a dita Polana não consistia num bairro em sentido restrito. Na verdade, a progressiva extensão da cidade acabou por designar genericamente a parte alta que se situava entre a Ponta Vermelha – a zona do Governo Geral de Moçambique – e toda a vasta área que chegava aos limites do Prédio Buccelatto, como Polana. Aliás, os limites com a Sommerschield – a zona dos muito abastados como os Mascarenhas Gaivão, Carregal Ferreira, os Donato ou os Almeida Santos – jamais foram explicitamente definidos tal como em Lisboa entendemos as Telheiras e o Campo Grande, por exemplo. Não existia uma zona demarcada.

No que diz respeito aos delirados country-clubs e selectos colégios privados evocados pelo oportuno esquecimento do sr. Pitta, gostaríamos que este nos indicasse mais concretamente o que quer dizer porque a distorção parece fazer norma: jogos de polo a cavalo – a terem alguma vez existido, talvez fossem bastante esporádicos e sem qualquer tipo de continuidade ou culto enraizado (2) -, mahjongs que nos remetem para os filmes africanistas dos anos da Segunda Guerra Mundial e os apontados colégios privados, por exemplo. A Pittada vertida em prosa, bem poderia ser mais clara acerca do que quer descrever, pois que se saiba, o único Colégio privado digno desse nome, era o Barroso, destinado a meninas e apenas frequentado por uma camada muitíssimo restrita da comunidade branca.

Esta gente fala daquilo que jamais conheceu porque simplesmente não podia ter vivido uma realidade que deve ser dissecada pela evolução de umas tantas décadas que percorrem gerações! Estabelecidos em Lourenço Marques desde 1890, os meus trisavós paternos ali fizeram nascer a minha bisavó, tal como esta traria a este mundo a minha avó e as suas irmãs e irmãos. Naturais de Lourenço Marques são o meu pai e o seu irmão, assim como na Zambézia (Ile) nasceria a minha mãe e o meu tio. Gente nascida, criada e conhecedora da terra ao longo de várias gerações, pertenceram sempre a um extracto médio que jamais permitiu o acesso a núcleos muito restritos como aqueles que o sr. Pitta menciona e que se porventura alguma vez os terá frequentado, saberá do diminuto ou quase irrisório micro-cosmos que era indiferente à esmagadora maioria dos laurentinos. Gente esclarecida, na melhor tradição monárquico-liberal oitocentista, era avessa a todo o tipo de arrivismo que a autoridade de uma Metrópole bastante despótica, condenava os naturais de Moçambique ao pouco invejável estatuto “de segunda classe”.
O tal Grémio e as imaginativas piscinas dos country-clubs (!) – deve unicamente querer aludir ao Clube de Pesca – eram locais tão alheios à maioria dos naturais de Moçambique, como algumas das curibecas regimenteiras da Lisboa ou dos Estoris/Cascais de hoje. Quantas centenas de licenciados, chefes de serviços, directores de organismos do Estado ou pequenos empresários, jamais colocaram os pés – ou quiseram colocá-los – no dito Grémio? Por regra os seus frequentadores eram gente olhada com um certo – ou despeitado – desdém pelos hegemónicos remediados e amplamente considerados como os patetas, parvalhões, pedantes ou páchiças-pretensiosos. De facto a maioria destes privilegiados pela Situação – Almeidas Santos e adjacentes incluídos -, foi sempre gente que pouco mais de uma vintena de anos residiu no território, enriquecendo depressa e juntando cabedais calculadamente entesourados na Metrópole. Com eles convivia um punhado de velhos colonos, mas eram a excepção que confirmava a regra. Existiam alguns nomes que os avatares da fortuna tornaram mais sonantes, como por exemplo, os Santos Gil. Tendo iniciado a actividade na recolha de detritos urbanos, foram subindo na roda da fortuna, polindo-se e passando a ostentar aquele tipo de postiço panache que emprestava estatuto. Trocistamente, a altivez das senhoras da dita família foi com gáudio brindada com o pouco cobiçável título de Princesas da Merda.

Foram novíssimos colonos quem aconselhou os demais a ficar para a “construção de um novo país”, embora tivessem sido os primeiros a tudo empacotar á pressa e em segredo, retirando-se logo nos meses transactos ao 25 de Abril. Bem pouco lhes interessou a posição da gente do velho reviralho oposicionista à 2ª República, onde o Dr. Neves Anacleto – avô de Francisco Louçã – se indignava contra a apressada, vergonhosa e catastrófica debandada teleguiada de Lisboa. Mas isso é outra história.

O que se torna insuportável é a escabrosa intencionalidade de enlamear a memória de uma imensa maioria que jamais conheceu o círculo de restritos horrores alegadamente vividos por uma garotinha que abandonou aos 11 anos a terra que infelizmente jamais pôde conhecer. O ajuste de contas pessoais com um pai ao qual se juntaria facilmente no divã de um qualquer psicanalista, é um acto perfeitamente legítimo de catarse dentro de quatro paredes, ou no tal universo dos 400m2 matoleiros a que assumidamente se limitou. Mas isso não lhe confere qualquer direito em arrastar para inexistentes e impossíveis “pactos de silêncio”, aqueles que ainda conhecem de cor os bairros, ruas, avenidas, becos, jardins, escolas públicas, lojas, mercados e bazares, cafés, praias, grupos desportivos populares. Aqueles que saíram com amigos, foram à praia, brincaram no Parque José Cabral e foram por 5$00 ao cinema ao sábado á tarde, na Sociedade de Estudos. Nem a menina Isabela e muito menos a Sra. Dª Fernanda Câncio poderão alguma vez ter percorrido à tarde a Praça 7 de Março. Não fazem a mínima ideia da distância que separa a avenida D. Luís da Massano de Amorim. Nunca poderão dizer ter perdido as havaianas no derretido asfalto do cruzamento da rua de Nevala com a rua da Cadeia. Jamais poderão ter comprado uma revista Pisca-Pisca na Spanos, passado uma tarde de leitura na livraria da Coop, na Minerva Central ou na Biblioteca de LM (antigo edifício da Fazenda). Nunca trincaram um prego no Djambo, uma arrufada na Princesa, um rissol de camarão nos Irmãos Unidos, uma sanduíche de carne assada na Fábrica da Cerveja. Não frequentaram as quase gratuitas aulas no Núcleo de Arte ou poderão adivinhar a localização da Associação dos Naturais de Moçambique. Nunca poderão ter lido o velho Guardian – inicialmente redigido em inglês -, passado a vista pelas crónicas de Manuel Luís Pombal ou de Guilherme de Melo no Notícias. Sabem, por acaso, o que foi o jornal O Brado Africano? Folhearam alguma vez as revistas Actualidade ou Tempo? Conhecerão porventura a existência da fabulosa revista Monumenta, ou a Moçambique (história e sociedade moçambicana)? Escutaram a Maria Adalgisa no Rádio Clube de Moçambique, ou A Palavra é de Prata do Manuel Luís Pombal (RCM), a Estação C ou a emissão em landim do RCM? Nunca, nem sabem ou poderão jamais saber do que falo. Terão tido à mesa de casa, homens como Malangatana Valente, os escultores Chissano e Pfumo, os angolanos visitantes Duo Ouro Negro, ou jornalistas abertamente frelimistas como Areosa Pena? Foram alguma vez ao velho Varietá – onde no início do século XX actuaram companhias de ópera -, às matinées do Scala, Gil Vicente e Infante? Claro que não, nem sequer lhes conhecem os nomes, nem um pouco lhes importa.

Esta era uma boa parte da vida colonial nos últimos trinta anos da administração portuguesa em Moçambique. Não está em causa qualquer tipo de anacrónica comparação com a actualidade. Estamos já a falar de História.

Muito ficará por dizer num outro post, embora tal não tenha qualquer interesse para gente apenas assoberbada pela sua própria agenda político-remuneratória. De Moçambique, talvez conheçam – pela presença numa qualquer comitiva – o Polana Hotel, o buffet dominical do Hotel da Inhaca ou o resort do Bazaruto. Degustaram uns camarões na Costa do Sol e frango à cafreal no piri-piri e terão contemplativamente perorado diante da caída estátua de Mouzinho. Ou bem vistas as coisas, talvez não. Nem sabem onde actualmente se encontra depositada.

(1) Maguérre: em dialecto local, um tipo bimbo, rasca, grosseiro, ordinário e brutal. Atribuído pela generalidade dos negros e brancos naturais, a certa gente que nos anos 60 – algum oficialato incluído -, começou a desembarcar na Província. Fazia o pleno do pequeno racista recém-chegado de uma Metrópole onde fora copiosamente calcado pelo imobilismo social vigente. Em Moçambique julgava-se transportado para o limbo reservado aos entes superiores, menosprezando os pretos e a “maricagem” (como considerava serem os brancos naturais daquela terra). Sempre de camiseta interior e de transistor junto da orelha aos domingos, lá se deliciava com os relatos do futebol metropolitano, coçando-se enquanto emborcava Laurentina atrás de Laurentina, submissamente servidas pela mulher, eternamente de bata. Isto não o impedia minimamente de proceder a rotineiras surtidas à zona das Lagoas e da Rua Araújo, no sempre prazenteiro momento de barato gozo nos braços de uma rechonchuda mulata ou de uma negrinha tombazana com a mesma idade das filhas. Nisto, assemelhavam-se bastante aos desprezados boers que em tempo de férias chegavam da terra do Apartheid. Típico.
(2) De 1959 a 1974, jamais ouvi falar de qualquer actividade semelhante. Confundirá Moçambique com a Índia do Raj britânico?

* Na imagem, o meu bilhete de avião – sem volta – do dia 30 de Agosto de 1974.

Comments

  1. Vasco Pessoa de Andrade says:

    Parabéns pela bela, realista e contundente prosa. Normalmente, quem toma estas atitudes, são as gerações mais novas, que abandonaram o território em idade de não terem podido viver a terra. Nestes casos tomam duas posições ou a de verem todos os habitantes brancos como negreiros, ou como possuidores de grandes cabedais, que lá deixaram.
    Prosas como a sua, ajudam a esclarecer e a desmistificar muita coisa e principalmente informar de toda uma cultura e uma sociedade em desenvolvimento que se perdeu, devido ao modo como se passou a nossa saída, ( como diria o meu pai, o nosso repatriamento ).
    Mais uma ves os meus parabéns

  2. Nuno Castelo-Branco says:

    Vasco, existem muitos mitos e preconceitos difíceis de abater. Moçambique ou Angola estavam muito longe de ser sociedades idênticas à da África do Sul. Cabedais que lá deixámos? Alguns poucos, talvez. Mas a imensa maioria vivia o dia a dia sem luxos.

  3. Pedro Frederico Pitta Azinhais Mendes says:

    Concordo com os Srs. Vasco e Nuno
    Uma bela análise das últimas decadas de Portugal em Moçambique……Uns foram para Portugal (ditos retornados) outros como eu e alguns familiares viemos á luta no Brasil…dificil, muito dificil mas também agradável e compensador….obrigado pela cronica

    • P.ARNALDO TAVEIRA DE ARAÚJO says:

      Andava eu à procura do meu amigo do côro da Polana quando me vem à mão esta crónica, pintando em côres naturais, o que aconteceu em Moçambique após o 25 de Abril. Eu que poucos anos antes tinha estado uma tarde inteira na Praia Sepúlveda, no Xai-Xai, conversando com o Dr Alberto Mabwiangue, que sem rodeios me segredou: Moçambique precisava de trinta anos para se tornar independente. Primeiro formar quadros: segundo colocá-los na administração e terceiro assumir a independência. Este homem falou demais e liquidaram-no. Por mãos de quem?
      Parabéns e obrigado

  4. R Palhau says:

    A sua descriçao cola-se à pele dos verdadeiros Coca-Colas. Parabéns.


  5. Cresci no alto-Maé, e nele percorri, como estudante, todas as escolas, desde a primária até ao liceu. Tive colegas de todas as “raças” e convivi com todas elas. Nunca poupei nem críticas nem louvores àquilo que presenciei, que vivi, e que de mim fez o que sou hoje.
    Li excertos do livro dessa senhora que dá pelo nome de Isabela, e que, além de ser uma MENTIROSA, COMPLEXADA e COBARDE, é também um desastre como filha, ainda que de um bronco maguerra. O senhor seu pai poderia ter sido o diabo e mais metade – porque os houve, e muitos, em Moçambique – contudo, cobardemente, essa senhora esperou que ele “patinasse”, já sem direito a defesa, para dele tecer os mais intragáveis considerandos. Um nojo, um nojo que a alguns terá passado embrulhado nos mais estúpidos elogios.
    A dita senhora tem o direito de ficcionar sobre o que bem entenda. Há sempre burros para os fardos de palha certos. O que não tem é o direito de fazer passar por verdade mentiras que só mesmo são engolidas pela matrecagem que o que conhece de África/Moçambique é que os leões, cobras, macacos e tubarões eram um perigo para quem andava na rua. E leões, lá, além dos macacos, foi-me mais difícil encontrar que mentirosos “isabelinos”, que, diga-se, já por cá encontrei em boa quantidade.
    Costumo frequentar sites “moçambicanos” onde não poupo críticas a alguns que gostam de branquear e apenas enaltecer a nossa permanência em Moçambique. Relembro-os de muita coisa, e de entre elas, por conhecimento-de-causa, de como alguns mainatos, depois de estarem à “experiência” um mês em casa dos “patrões” maguerras eram despedidos a murro e pontapé sob falsa acusação de roubo. De como os negros eram encharcados, nos passeios, pela matopenta água que tinha chovido, por outros maguerras que se divertiam em os ver a pingar nas roupinhas brancas a “bater xtilo”. Lembro de muita coisa errada, miserável, mas não lembro de ninguém ter feito esperas a pretos para os atropelar nos cruzamentos, nem lembro de ninguém – ainda que dotado de prodigiosa memória e precocidade, inventar tanto como a senhora Isabela. Quem lê, leva a sério e acredita no que essa dona escreveu é porque engole qualquer coisa, e então o livro tem a sua razão de ser. Quem realmente conheceu, quem viveu e ama aquela terra e aquela gente e que gosta da Verdade, mesmo a que dói, então depressa dele fará bom papel para fraca serventia.
    Um abraço ao Nuno Castelo-Branco por aquilo que aqui dele li, porque me pareceu muito honesto.
    Viva a Verdade Histórica.
    Victor Passos


  6. Um dia destes ainda faço outro post sobre o tema, Victor. sabe, existem várias receitas para o sucesso: colocam-se as coisas da situação no papel, para não “parecer ml” às medrosas editoras. Assim, fica-se Situado. Depois, para apimentar a coisa, vai-se direitinho ás partes baixas com umas doses de masturbação, umas línguas aqui e ali e o resto que se sabe. se se puder esfaquear o pai post mortem, melhor ainda. E aí por diante é só a abrir, como se usa dizer!


  7. Olá Nuno:

    Destes “indígenas” já eu tenho encontrado uns quantos exemplares. O que mais me custa acreditar é como nem sequer se leva em conta a idade dessa senhora à data do que hoje relata, de qual era, na generalidade, a nossa cultura política nessa altura, e, ainda por cima, crendo no que ela diz sobre o próprio pai, não deveria ter senão o valor zero lá por casa.
    Tenho refinada embirração, sempre tive, com aqueles que comeram da gamela enquanto puderam e hoje, revolucionários de meia-tijela, vomitam porcamente, mentirosa e estupidamente, e mais embirração tenho com aqueles, matrecos estupidinhos e ignorantes, que capaceteiam um sim-sim sem apelarem a um mínimo de racionalidade com que, presumo, tenham sido abençoados à nascença.
    Há muita coisa – da nossa presença em Moçambique – que deve ser passada para o papel. Deve sê-lo, com Verdade, sem complexos, para que sirva para as novas gerações, moçambicana e portuguesas, tenham a exacta noção do que foi o nosso desempenho pelo Ultramar. Escreva-se, relate-se, mas não se engane, não se opte pela desonestidade, porque a Realidade por si só já mostrará muita coisa boa e outra má.
    Eu vou a Maputo, quando posso, e sei como é a relação dos moçambicanos com os portugueses, e, principalmente nos moçambicanos mais velhos, ainda prevalece uma cumplicidade saudável para connosco, portugueses. Esta senhora, mentindo desta forma, está a educar os moçambicanos mais novos da forma mais errada e enganosa. Existe hoje uma moçambicanidade naquela juventude que felizmente já se ergue salutarmente dos escombros da guerra. Lerem estrume mentiroso que é este livro é levá-los ao engano e à revolta, sem necessidade. E que ganha a dita senhora com isso senão alguns euros? Sentir-se-à ela de bem com a sua própria consciência, se é que a tem? Ainda por cima, professora. Inadmissível, angustiante, e intolerável.
    um abraço
    VP


  8. A dona “cabeça-de-cão” deve estar com alguma retornadopatia aguda lancinante. Ateste-se:

    http://novomundoperfeito.blogspot.com/2010/08/essa-terra-ja-nao-eexiste.html#links


  9. Bah… nem sequer me dou ao trabalho, Victor. Nunca me cheiraram bem, estes “soldados da fortuna”. Ela que vá fazer dieta, que bem precisa!


  10. Pois p`la parte que me toca vá é…


  11. E relendo – na paz-de-espírito a que me obriguei, dedicando-me apenas àquilo que não contenha a “paciente” – desfiou-se perante os meus olhos a velha Lourenço Marques minha mãe que me educou. Um texto límpido e admirável que devo felicitar.
    VP


  12. Pois… fui reler a coisa e vejo que a pontuação é, como de costume, uma desgraça. Entre outras coisas. Obrigado pela atenção, Victor. Já agora, em que escola andou? Ou em que secundária, liceu…?


  13. Oi Nuno, podes tratar-me por tu, até porque temos (quase) a mesma idade, com diferença de um ano (tenho 50).
    A pontuação é também o meu “calcanhar”. Já nem ligo.
    As escolas por onde passei foram:
    1- Escola Primária João de Deus.
    2- Escola Primária Paiva Manso.
    3- Escola Preparatória Joaquim de Araújo.
    4- Liceu António Enes.

    abração
    VO


  14. 1-Escola Primária Moreira de Almeida (Rua de Nevala)
    2-Escola Preparatória General Machado (à 24 de Julho)
    3-Escola Industrial (na 24 de Julho)
    Andei sempre perto de casa, ou seja, num raio de 1,5km. Podia ir a pé e a Escola Industrial ficava um pouco mais longe. Mas na altura, quem não andava a pé? Sem qualquer problema, ia com o meu irmão desde a Princesa Patrícia até à Baixa, passávamos a tarde a ler na livraria da Coop (perto da Praça 7 de Março. Às 5 íamos ter com o nosso pai à Sonap e lá voltávamos para casa. Por exemplo…


  15. O meu irmão andou na Machado, também. E se não estou em erro o meu velho também trabalhou na Sonap, ou Sonarep. Sinceramente, nem lembro.

    Um abraço, Nuno.
    VP

  16. josé luis domingos says:

    Já tive a oportunidade de fazer um comentário no facebook desse objecto chamada ISABELA FIGUEIREDO que deve ser uma recalcada ou atrasada mental. a editora angelus para mim é uma irresponsável porque na mira de ganhar dinheiro fácil publica um caderno de memórias coloniais que mais parece uma novela de terror e ainda por cima mal contada. esta editora devis ter vergonha. é matéria para esquecer e dizer à comuna Isabela que se vá tratar.


  17. Ser comuna não significa nada a não ser ter uma opção política, Zé Luís. Não é a minha mas, acredita, é com quem me tenho divertido mais, no meu círculo de amigos, onde também se incluem. Como em tudo, há comunas e comunas, e há gente e gente. Quanto a esta senhora, mais carece de dó que de outra coisa. Enfim, é este o mundo em que vivemos e temos que nos saber relacionar com todos os animais, chilreiem eles, grasnem ou mujam…

    um abraço

    VP

  18. Miguel Fonseca says:

    Caro Nuno,

    Nasci em Lourenço Marques seis dias antes da independência e, para grande pena minha, nunca tive a oportunidade de conhecer a cidade, quanto mais o País. O pouco, ou nada, que “conheço” é das histórias que a minha mãe (e avós) conta apaixonadamente.

    Uns 15 anos depois tive a oportunidade de conhecer Maputo que, apesar de ter a mesma localização geográfica de Lourenço Marques, não é, claramente, a mesma coisa. Num recanto ou outro mais escondido ainda se encontravam alguns vislumbres do que a cidade tinha sido, pelo menos foi assim que quis ver a cidade. Tive a oportunidade de ver parte daquilo que o meu avô lá fez (a Spanos, por exemplo – ainda detida por antigos funcionários dele que me receberam de braços abertos e com um sorriso rasgado na cara de levar às lágrimas pela alegria e emoção com que viam pela primeira vez em anos um desconhecido que os fazia viajar a outros tempos), tive a oportunidade de ver muitos outros locais míticos dessa linda cidade e de tentar sonhar como tinha sido antes.

    Também tive a oportunidade de visitara antiga casa do meu avô, que antes de partir doo a uma pessoa de família que lá ficou, não com o intuito de contribuir para o crescimento do país, mas para enriquecer à conta dele e agir qual negreiro, como o Nuno tão bem classifica esse tipo de gente.

    Não li o livro de que fala, mas o que dele relata, infelizmente, não me surpreende. São muitos os que gostam de falar de cátedra sem qualquer tipo de experiência.

    Já eu, espero voltar à minha terra no próximo ano com a minha mulher para conhecer aquilo que nunca tive a oportunidade de conhecer graças a este rectângulo à beira-mar plantado e à escória que sempre o governou (generalizando, é claro. Há uns quantos bons que se enganaram e passaram pelo poder, mas rapidamente fugiram por não conseguirem suportar todo o nojo que é a nossa forma de ser e estar na política). Dizia que espero voltar para conhecer o país, a cidade e, confesso, tentar ver-lhe a alma de que tantas vezes ouço falar em casa dos meus pais.

    Quanto à sua crónica, pena não haver mais quem escreva com a, permita-me, raiva com que escreve. Não me interprete de forma negativa, pelo contrário; mais houvessem a escrever assim, com tanta alma, e talvez estivéssemos melhor.

    Abraços,
    MF


  19. Miguel Fonseca,

    A Spanos situa-se na antiga rua Consiglieri Pedroso, ao pé da Pç. Mac-Mahon. Era lá que comprava as revistas Disney, a Pisca-Pisca e outras, além de cadernos e material escolar. Uma das empregadas, a escultora Maria da Luz, era amiga dos meus pais e por acaso, dois dos seus filhos eram nossos colegas no coro da Sto. António da Polana. Como vê, sempre nos encontramos.

    Quanto à raiva, talvez não possa ser considerada no sentido que geralmente lhe dão. É raiva pelas generalizações, pelo infame do politicamente “correcto”, pelo açular de ódios contra terceiros. No fundo significa o mesmo que dizer “todos os boeres são nazis”, “todos os franceses são porcos”, “todos os italianos são mafiosos”, etc. Ora, a esmagadora maioria dos brancos era gente tão anónima e banal quanto nós (sem ofensa). Sem um tostão furado, sem casa própria, sem idas à Metrópole para férias, por exemplo. Agora, é inadmissível que uma na “engorda do sistema” venha com as tretas do costume. Dá asco.

  20. Miguel Fonseca says:

    Nuno,

    Queria apenas deixar claro que a minha ideia de “raiva” é precisamente essa que acabou de referir.

    Quanto ao resto, gostava de ter todas essas recordações.

    Abraços

  21. Armando Coelho says:

    É lamentável que ainda exista tanta ignorância e agravada por um grau elevado de estupidez. É ainda mais grave que editoras, se permitam escrever e publicar tal javardice. Este tipo de escrita somente alimenta os ignorantes, dos factos. E como já se dizia na minha terra, Moçambique, contra factos não há argumentos e como tal julgo que a dita não merece quaisquer comentários, além de coitada


  22. Pois é, caro Armando, mas há coisas vendáveis e se mete “sexo”, melhor ainda.

  23. A.Bolito says:

    Miguel Fonseca :
    Nuno,
    Queria apenas deixar claro que a minha ideia de “raiva” é precisamente essa que acabou de referir.
    Quanto ao resto, gostava de ter todas essas recordações.
    Abraços

    A rua Cosiglieri Pedroso em Maputo,aínda mantém o nome,
    estive lá há dois meses.
    Só acrescento e como constatação, que estive agora um mês em Maputo/Beira/Tete/Nampula/Pemba,etc, posso afirmar,que a vivência entre Portugueses e Moçambicanos,é bem cordial e de um modo geral,falasse do passado com saudade.
    Também vivi muitos em L.Marques.
    António C.Bolito


  24. Ainda lá irei um dia, quem sabe?

  25. Giorgia Nicoletti says:

    Boa tarde ,
    sou uma estudante de literatura portuguesa na Universidade de Veneza , em Itália , e estou a pensar em escrever a minha tese de licenciatura sobre os portugueses que tiveram que deixar Moçambique . Estou a ler o livro de Isabela Figueiredo , e achei interessante a sua opinião .
    Gostava de escrever uma tese sobre este assunto , sobre estas ” duas visões ” que existem do Moçambique colonial : queria perguntar-lhe , portanto , se conheçe um livro de literatura que fale de Moçambique do século XX no qual o Senhor encontrou as próprias recordações da vida em África , um livro que , na sua opinião , fale do ” verdadeiro Moçambique colonial”.

    Obrigada , Giorgia Nicoletti


    • A Isabela Figueiredo escreveu – acredito – sobre a personalidade do pai enquanto “colonialista”. Mas o “colonialismo” não era o pai dela. Ele não era a bitola p`la qual o colonialismo se guiava, felizmente. Há mentira e invenção no que a autora escreveu, contudo – sejamos honestos – houve muita gente – enquanto “colono” – que ombreava com o Diabo.
      Enquadrar a presença portuguesa numa relação “colono-colonizado” e tecer considerando apenas nessa realidade é como comer um estreita fatia de um qualquer bolo. Há muito mais a ser falado, estudado e publicado. Um dos grandes capítulos é o da decalage social entre a própria população “europeia”, e entre esta e a chinesa, indiana, paquistanesa e outras, já residuais.
      Isabela Oliveira não pode – é impossível, dada a idade – ter tido consciência de coisas que escreveu. Escreveu por indução, com todos os perigos que daí se podem acarretar, a começar p`la pouca verdade.

      • Nuno Castelo-Branco says:

        Precisamente, Vctor. Isso é um problema que a Sra. Dª Isabella terá de resolver. No entanto, duvido. A lenda vende mais, porque beneficia da propaganda vigente.

  26. Nuno Castelo-Branco says:

    Cara Giorgia, estou ao seu dispor. É certo que eu tive uma vivência e uma percepção muito diferentes daquelas que a sra. Dª Isabel declara no seu livro. A minha família era perfeitamente normal e velha naquela terra (desde 1895?).
    Vou pensar naquilo que lhe poderei recomendar, embora as opiniões variem consoante a experiência de cada um. No entanto, aponto-lhe desde já ASombra dos Dias, da autoria de Guilherme de Melo, um jornalista até há pouco tempo activo no Diário de Notícias. Sendo uma auto-biografia, percorre algumas décadas da vida na então Província de Moçambique. Muito interessante e honesta. Aliás, Guilherme de Melo foi um homem que ajudou imensa gente, não olhando a meios sociais ou outros preconceitos vários. Vai gostar, Giorgia.
    Entretanto, se se quiser dar ao trabalho de me aturar, contacte-me para o ncb@sapo.pt. Estou ao seu dispor e tenho um manancial inesgotável de histórias: os meus pais estão bem vivos e a minha avó também. nasceram todos lá.


    • Guilherme de Melo ajudou – e bem – muita gente, e não olhava a cores de pele. Foi homem que ajudou uma familiar minha, através dos meios de comunicação, e foi também através deles que, lembro bem, ajudou o “Continua”, o artista negro, moçambicano, que se tornou conhecido actuando em esplanadas de cervejaria, tocando a sua velha viola, mais tarde trocada por uma nova precisamente devido à ajuda de Guilherme de Melo, que foi meu colega de trabalho no Diário de Notícias, já cá na “tuga”. Está já muito cocuana.

  27. adao moreira says:

    Gostava de saber o paradeiro dos antigos jogadores de hoquei patins nos anos 60 nomeadamente, Roussol,Serilo,José Pedro e outros.
    Roussol lembras-te do Moreira que trabalhava contigo na Boror Comercial e que chegou a treinar contigo no Desportivo Hoquei(aquele que dava shou para vocês que nada sabia de patinagem), era o treinador o Meireles,possivelmente o Zé Pedro tambem se lembra.
    Bons tempos amigos que já não voltam.
    Digam qualquer coisa.

    Um abraço
    Moreira(Moreirita)

    • Hernâni says:

      Olá Moreirita,
      O Rossou, foi meu colega de escola na Beira onde viveu muitos anos antes de ir para L. Marques jogar hoquei depois de ter feito a tropa. Eu vivi em Mocambique 53 anos (em 2 “tranches”), para onde fui inicialmente com 4 anos, em 1949, com os meus pais. Regressei de lá em 2006, e o Rossou estava bem (depois de ter feito uma operação grande aqui em Portugal), e tinha um Restaurante há uns anos na Associação Portuguesa em Maputo. Também quem lá está e sempre em contacto com o Rossou, é o Zé Capelão que também é da mesma altura no hoquei. Se quizer, posso arranjar os contactos desta malta. Não sei se ajudei!?
      Um abraço (embora penso que não nos conhecemos)
      Hernãni Mata

  28. CARLOS GUILHERME Rebelo Nunes says:

    Caro Senhor:

    Como Moçambicano de gema e Laurentino de nascimento e coração, revejo-me inteiramente nas suas palavras as quais saúdo pelo rigor e pela forma irrepreensível como foram escritas.
    Sou cantor lírico, cantei com a Maria Adalgisa no querido RCM, acompanhado pelos Maestros Arur Fonseca e António Gavino e fui Rei da Rádio Moçambicana em 1970 juntamente com Natércia Barreto. Fiz três anos e meio de tropa, dos quais dois e meio no Niassa, em zona operacional. Actualmente mantenho-me a cantar um pouco por toda a parte, em Portugal e no estrangeiro, entrando este ano na minha 31ª temporada sem interrupção de qualquer ano, no Teatro Nacional de S.Carlos.
    De tudo quanto escreve no seu depoimento tiro uma certeza: jamais lerei o livro da senhora que dá pelo nome de Isabela Figueiredo pois não quero passar a sofrer do coração.

    Bem haja pelo seu desabafo.

    Sempre ao dispôr,

    Carlos Guilherme

  29. Nuno Castelo-Branco says:

    Caro Carlos Guilherme,

    Como se precisasse de dizer quem é! Já tive o prazer de o escutar “ao vivo” bastas vezes, mas em Lourenço Marques, ainda era um garoto, embora o RCM estivesse sempre ligado. Habituei-me à estação C (lembra-se?), embora também gostasse de escutar o pop que as “produções Tan-Tan”, cuja sede era ali para a Pinheiro Chagas (no prédio onde morava um amigo dos meus pais). A estação nativa também era uma constante, porque o nosso empregado, bem ao contrário de certas “lendas e narrativas” que por aqui correm, é que punha e dispunha! Fiquei a gostar daqueles sons que o Ocidente hoje adoptou e integrou na nossa música ligeira e de dança. É ou não é?
    Sem pretensões algumas, devo dizer-lhe que talvez já me tenha escutado, integrado no grupo dos Pequenos Cantores da Polana. Nunca fui grande coisa, mas fazia o melhor que podia e isto, até aos meus 14 anos. O momento pelo qual esperávamos era sempre o final, quando o Aleluia de Haendel colava toda a assistência aos bancos da igreja da Polana. O padre Alvim era exímio no órgão e o padre Arnaldo Taveira, incentivava-nos. Bons tempos, ainda me parece ver as caras das pessoas que lá iam, algumas para nos escutar.
    Quanto ao livro da Isabela, bem pode lê-lo como uma ficção. Se puder, aproveite, não perde nada.

    Abraço,

    Nuno

  30. Marília Mendes says:

    Caro Nuno Castelo-Branco,
    Parabéns pela maneira honesta como descreve o que era o dia-a-dia da maioria dos brancos naquela maravilhosa cidade de Lourenço Marques que nos viu nascer e onde tivemos o privilégio de viver.
    Gostei imenso de saber que fez parte do coro da Igreja de Sto António da Polana pois deve ter sido um dos Pequenos (Grandes) Cantores que cantaram a Avé Maria de Franz Schubert no meu casamento, em 1968. Foi um momento lindo, inesquecivel e muito emocionante. Muito obrigada.
    Depois de ler o seu comentário ao livro que a tal senhora escreveu, optei por não o comprar. Obrigada.

  31. Nuno Castelo-Branco says:

    Cara Marília, é bem provável ter estado no seu casamento, pois em 1968, já estava na 3ª voz. Como muito bem diz, foi um privilégio ter nascido e vivido naquela terra que jamais esqueceremos.
    Quanto ao livro, se puder lê-lo, faça-o, ficando ciente da existência de gente com uma mente prodigiosa. Para inventar, claro.

  32. marcelo antonio says:

    cheguei a L. Marques a 11 de maio de7O,como militar, algum tempo depois fui convidado a prestar provas para me candidatar a pertencer ao elenco do Radio Clube de Moçambique. Entre muitos candidatos e candidatas, fui aprovado. houve uma segunda aprovação, uma cantora que tinha vindo de angola e que já lá cantava. Vivi em Lourenço Marques, até Setembro de 72. Testemunhei alguns episódios que me envergonharam, como uma família ir a uma marisqueira, à noite`, levar o seu mainato, devidamente fardado, conduzindo o carrinho com o bébé, e todos se aconchegaram à mesa, menos o mainato, que ficou a alguma distância junto ao carrinho com o bébé, simplesmente a olhar, e nada mais. Não teve direito a nada do que à mesa chegava. Este, apenas um exemplo. Não li o livro nem sabia que existia. Talvez a autora devesse pôr como título: Memórias do meu pai em Moçambique. Vi algumas situações, sim, mas não confundir a árvore com com a floresta. Um abraço para todos, li-vos com muita atenção e prazer.

  33. Maria Joao Freire says:

    Deixe de me sentir ostracizada!
    Maguerre.!!!!!
    E eu,por 35 anos pensando que nunca encontraria quem soubesse.
    Foi o Zefanias, que me deu aos meus 11 anos de idade esta defenição após eu ter perguntado como é que em landim eu podia por palavra caracterizar o branco, com aspecto cabresto e focinheira, buçal, sem maneiras e ignorante e zás diz-me ele MAGUERRE. Cá designo-os por emergentes, rebotalho, restolho, depende da acasião e do contextoi..
    Confesso que fiquei agradávelmente surpreendida

  34. Nuno Castelo-Branco says:

    Cara Maria João, aqui na Metrópole os ditos cujos até têm ocupado o Palácio de Belém. Conheço-lhes os nomes de ginjeira.

  35. P.ARNALDO TAVEIRA DE ARAÚJO says:

    Caro Nuno
    No meu comentário ao “comentário” do Pedro Frederico Azinhais Mendes falei no Alberto Mabwiang, quando me referia ao grande estadista Moçambicano Dr. Eduardo Mondhlane.
    As minhas desculpas.


  36. vivo no brasil ,fugi de lourenço marques porque meu pai era militar ,quiseram no matar era o que mais tinham sido iludidos a matar para ficarem com tudo que os brancos iam deixar , mas enganaram lhes o governo comunista ficou contudo,inclusive no tempo dos portugueses nào se pagavam impostos pelas palhotas e depois disso foram obrigados a pagar. Estudei na escola josé machado e depois na industrial mouzinho de Albuquerque e em 76 vim me embora com toda a familia para S. Paulo.Nunca mais lá voltei porque tenho medo de nào aguentar a emoção de ver toda a minha infancia lá deixada .Mas para dizer o que eu acho de tudo isso ,foi a danada da traição que o português tem no sangue ,e que mostrou desde o tempos do Brasil ,só falta Açõres e Madeira dai prá frente não tem mais nada a dar, para os outros e nem para o próprio portugês. Obrigado

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.