A Democracia do “Money"

De debates do conceito de democracia, está a História cheia. Desde Sócrates, o autêntico, a filósofos, políticos e ideólogos da actualidade. O dinheiro, em abundância e embora ganho por métodos desrespeitosos da ética, transformou-se em valor supremo das sociedades actuais. As elites vivem na luta obsessiva pela expansão de fortunas, à custa da desigualdade e da transgressão, naturalmente perversas, de direitos básicos de milhões de seres humanos.

Dos EUA à China, da Europa à Índia, do Japão a África, o desenfreado domínio material de poucos dizima a dignidade de milhões. Contraditoriamente, e a crise financeira mundial tornou o fenómeno transparente, o materialismo converteu-se na prática de multimilionários e acólitos que, em exibições falaciosas, se fazem passar por interpretes de inspiração metafísica. São os actores dessa comédia divina e providencial, o neo-liberalismo.

Portugal, país frágil e mal governado há muito, caiu inevitavelmente nessa rede selectiva, cuja malha é apropriada para engrossar o exército dos pobres. Segundo o Eurostat, o nosso País é o 9.º mais pobre da UE, considerando que, em média, o PIB ‘per capita’ – sempre o terrível PIB! – é apenas 78% da média dos 27 países da dita União (?). No topo da lista está o Luxemburgo, com 268%, o que ratifica o efectivo fosso de desigualdade – o Luxemburgo, onde vivem milhares de portugueses, é uma praça financeira povoada de ‘paraísos fiscais’.

O referido país é, pois, o paradigma do ‘Governo do Bancos’, título de Serge Halimi no EDITORIAL – Le Monde Diplomatique – Edição Portuguesa. Em lúcida análise, o autor refere vários males: entre eles, a perversidade do sistema financeiro internacional, assim como os antigos ‘apparatchicks’ soviéticos metamorfoseados em oligarcas industriais e os patrões chineses que ocupam um lugar destacado no Partido Comunista.

Enfim, a ‘idade do dinheiro’, já havia sido retratada através da frase ‘Money makes the World Go Around’, no filme ‘Cabaret’, com Liza Minnelli.

Comments


  1. As maravilhas do capitalismo.

  2. Pedro says:

    Muito bom, o atigo de Halimi a que te referes e que, infelizmente, retrata bem a situação a que se chegou. O valor de um café com um primeiro ministro pode ser incalculável, em lucros para que o toma e prejuízos para quem nem o cheiro lhe sente.

    Interessante, também, é o artigo que se segue, de onde repesquei isto: É um inesperado cartaz de campanha, aquele em que o primeiro ministro trabalhista Gordon Brown proclama, jovial: «Aumentei o fosso entre os ricos e os pobres. Deixem-me continuar». A citação é apócrifa, mas o facto evocado não. No fim dos anos Thatcher-Major, 1% dos britânicos mais ricos detinham 17% do rendimento nacional; desde que Tony Blair e Brown os substituíram, essa percentagem subiu para 21%. ”

    Tens estatísticas portuguesas sobre isto, Carlos?

  3. António Soares says:

    …Para quê,estatísticas,se nem a chamar-mos os Boys pelos nomes isto vai lá!!!

  4. Carlos Fonseca says:

    Pedro,
    Tenho um livro sobre a distribuição de rendimento que ainda não li, de autoria de um professor do ISE. Vou ver se tem essa informação.
    Mas sem ser exactamente isso, há uma estatística da Eurostat sobre a pobreza. Podes consultá-la no ‘site’ Eurostat.
    Se, entretanto, encontrar algo mais, dir-te-ei.

  5. maria monteiro says:

    “o nosso País é o 9.º mais pobre da UE” mas, como se costuma dizer que a fé move montanhas, pode ser que com os dois novos templos católicos que estão a ser erguidos em Viana do Castelo (3,5 milhões para construir duas novas igrejas) as coisas melhorem… pelo menos para as gentes do norte (vai proporcionar “conforto” aos fiéis que, frequentemente no final das cerimónias religiosas, “têm os pés gelados” … uma igreja prá frentex segundo o Pe. Artur Coutinho)

  6. Carlos Fonseca says:

    Maria, tenho o hábito de evitar discussões de Fé – cada um sabe das suas crenças.
    Todavia, a ICAR não pode incorrer em iniciativas incoerentes com os direitos elementares de um povo em sofrimento, sem empregos e com cerca de 2 milhões de pessoas a viver na miséria. Gastar avultadas somas em obras sumptuosas e não acorrer aos mais necessitados é PECADO, segundo os canônes do cristianismo. No Norte como no Sul.

  7. António Soares says:

    E está mais que provado, isso que dizes Carlos…Quanto mais templos, mais miséria tem o povo…mas o povo,pá…gosta disso!!!E eu tenho Fé,mas não é no Vaticano!!!!

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