Mais uma vez a disfunção eréctil

 

(Já aqui publiquei, no Aventar, parte deste texto. Volto a publicar por ter sido aumentado e completado).

Eu sou da área da cardiologia e portanto este não é um assunto da minha especialidade, mas como ultimamente há estudos sobre a etiopatogenia da disfunção eréctil que sugerem que esta alteração representa uma manifestação precoce de aterosclerose, pensa-se que a disfunção eréctil poderá ser um marcador precoce de doença cardiovascular, nomeadamente coronária. Daqui o interesse dos cardiologistas. Sobre isto gostaria  de deixar aqui umas breves notas.

Nos países industrializados a prevalência de disfunção eréctil tem vindo a aumentar, em paralelo com todas as doenças cardiovasculares. O facto destas doenças se associarem a uma grande morbilidade e mortalidade cria um enorme peso na sociedade. Daí a necessidade de se obterem métodos de prevenção e detecção precoce. O estudo da disfunção eréctil, dado que esta pode corresponder a uma aterosclerose ou arteriosclerose, como queiram, das artérias penianas, tem levado urologistas e cardiologistas (duas especialidades aparentemente tão distantes), a convergirem esforços no sentido do diagnóstico, identificação e prevenção precoce da doença cardiovascular.

Neste sentido, tem vindo a ser proposto aos doentes com idade superior a 45 anos, que referem disfunção eréctil, sem outra sintomatologia cardiovascular, a avaliação para os factores de risco cardiovascular, na tentativa de detectar a presença de doença coronária assintomática ou numa fase sub-clínica.

Numa mesa-redonda promovida pela Bayer Schering Pharma, o Prof. Doutor Michael Zitzmann disse que a disfunção eréctil pode ser desencadeada por factores físicos e psicológicos, independentemente da idade do homem. Diz este especialista do Center for Reproductive Medicine and Andrology, que algumas destas condições desencadeantes da disfunção eréctil podem estar associadas a níveis reduzidos de testosterona, a chamada Síndrome de deficiência da testosterona. Esta opinião é confirmada pelo Prof. Doutor Siegfried  Meryn, que diz haver uma relação muito grande entre Síndrome metabólica, disfunção eréctil e Síndrome da deficiência de testosterona. Esta última síndrome, prevalente depois dos 70 anos, pode surgir no grupo etário entre os 30 e 70 anos, causando um grande impacto na qualidade de vida. Pode originar irritabilidade, ansiedade, depressão, fadiga crónica, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, disfunção eréctil, diminuição da libido, redução do número de erecções e disfunções orgásmicas e ejaculatórias.

Houve sempre um certo medo em relação à “segurança na relação da testosterona com a próstata”, pois pensava-se que a testoterona facilitaria o desenvolvimento de cancro da próstata. O Prof. Doutor Ridwan Shabsig do Maimonids Medical Center diz que, actualmente, não há qualquer evidência de que a terapêutica com testosterona favoreça o aparecimento de cancro da próstata.

Assim sendo, constitui uma boa notícia, dado que a ministração de testosterona sob a forma de gel (Testogel), na pouca experiência que tenho com alguns doentes, me parece muito eficaz na redução de todos estes sinais e sintomas. Actualmente existe um outro produto “Nebido”, ainda em fase de estudo, a única testosterona injectável de longa duração, que, apenas com quatro injecções por ano consegue oferecer níveis fisiológicos adequados da hormona. Claro que não tenho qualquer experiência.

Tenham paciência! Não vão a correr às farmácias, sem falar com o vosso médico. Aqui fica apenas a informação, que pretende ser um pequeno alerta, e nunca um factor de preocupação e pânico, que desses já estamos fartos e cheios através da espectacularidade que os meios de comunicação social  fazem quando se põem a falar destas matérias.

Comments

  1. graça dias says:

    o estudo cientifico, cuidado de laboratórios e a opinão dos Dois Prof Doutores, são aceite pelos médicos da especialidade e não só.
    quanto ao produto ou produtos em fase ainda de estudo penso, salvo melhor opinião sr Adão não fazer qualquer tipo de publicidade?
    Ah os laboratórios!
    penso que para bom entendedor boa palavra basta?
    O melhor Sr Adão é estar calado?
    Não fazer publicidade/Laboratórios / medicamentos em fase de estudo?
    Pense…?


  2. Diga o que quiser. Mas peça a alguém que a ensine a escrever ou que escreva por si. Este “pretuguês” é uma desgraça dias.


  3. Não conhecia o “Nebido”. Sei que também existem bons resultados com a nandrolona e o “Alprostadilo”, mas este último bem mais doloroso porque a aplicação é intracavernosa…


  4. Caro Dylan, o nebido é testosterona. O alprostadil não, actua directamente ao nível dos corpos cavernosos. A injeccção é chata no início mas depois torna-se fácil e é muito eficaz.

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