É assim que o PSD quer ser alternativa de governo?

O deputado do PSD, Bacelar Gouveia, rebelou-se. Incompatibilizado com Paulo Teixeira Pinto (PTP), que preside à comissão do projecto de revisão constitucional ‘laranja’, o demissionário acusa o citado presidente de prepotência e falta de respeito pelos pareceres de terceiros. Em particular, de manipulação da informação veiculada por PTP para Pedros Passos Coelho (PPC).

Seguidor de ideais afastados do republicanismo e da social-democracia, Paulo Teixeira Pinto era a pior escolha que Pedro Passos Coelho poderia ter feito para tamanha tarefa. E a história das divergências na comissão já vêm do passado, como então destacámos no ‘Aventar’.

Por muito que Miguel Relvas – o Vitalino Canas do PSD – queira disfarçar as divergências em matéria tão séria como o projecto do texto constitucional, são cada vez mais evidentes as dificuldades e incapacidades do PSD quanto à concepção desse projecto. Alegam ainda por cima ser vital para o país. Com estas demonstrações de inabilidade, a verdade é que pouco ou nada distingue PSD do PS de Sócrates. E queiram ou não, ambos estão condenados pela UE a entender-se sobre o OGE. Façam o ruído que quiserem. É folclore.

Tudo isto e muito mais me faz acreditar tanto no PSD como no PS; ou seja, rigorosamente nada.      

Os motivos para desconfiar de ambos são inúmeros e eloquentes. Desde há 34 anos, quando se iniciou a saga do ‘bloco central’, em alternância ou coligada, assisti ao desmantelamento cavaquista da indústria – tarefa delegada no comissário Mira Amaral – da agricultura e das pescas; depois, ao esbanjar guterrista de avultadas somas de fundos europeus na continuação de incessantes obras de estradas, de auto-estradas e de outras faraónicas; Guterres acabou por se refugiar na ONU; veio o Barroso que, logo que teve oportunidade, também fugiu do pântano, a caminho da fama e do proveito pessoal (o país que se lixe!); tivemos o interlúdio santanista e, finalmente, viemos parar à governação de Sócrates, com o desfile das políticas desastrosas, que sofremos no dia-a-dia.

Com o sector económico destroçado, financeiramente endividados, dependentes das ordens da UE e com dois líderes dos chamados partidos do poder com idêntico grau de incapacidade, o que é que a maioria dos cidadãos deste país poderá esperar? O agravar das dificuldades que já sentem.

Comments

  1. A. Pedro says:

    Caro Carlos,
    O teu texto contém uma pequena imprecisão logo no título: O PSD quer ser governo, ponto final. Não quer ser alternativa de coisa nenhuma, senão lá se ia a alternância (que é mais do mesmo com mudança de fotografados).
    Quanto ao resto, de acordo.

  2. carlos fonseca says:

    Caro A. Pedro,
    Foi o título me saiu e nem sempre somos felizes na opção.
    Quanto ao conteúdo, já é bom não haver divergências. Até por grande parte do mesmo constituir matéria de facto, como dizem os homens de direito. E tenho provas abundantes, como ex-quadro da Covina, Cuf/Quimigal e Sociedade Nacional de Sabões. Só nestas, a perda de produção industrial e de empregos foi de enorme dimensão.
    Cumprimentos

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