religião, confissão do medo-II parte

La Pietá, Michelangelo Buonorroti, 1494

2.- Confissão do medo. IIª parte

Duvidei. Duvidei e volto a duvidar. Não da divindade[1], mas sobre se uma qualquer Confissão é de medo ou do medo. Caso escolha a primeira opção, não tenho outra alternativa que desorientar o leitor de que os seus sentimentos de fé ou Confissões foram organizados para assustar os seres humanos da sua divindade. Se escolher a segunda alternativa, é-me possível explicar o que tenho observado em trabalho de campo. Um dia, um rapaz sem trabalho, deslocou-se ao centro de emprego para se inscrever na lista dos sem trabalho. Acendeu uma vela. Como faria um antropólogo qualquer, perguntei porquê. Respondeu de imediato: para pedir pelas almas dos meus defuntos Bem sabia eu que não era assim, era pelo medo que tinha de não obter uma resposta positiva. A anima rogada era ele próprio e seu medo do insucesso. Foi e voltou sem nada, endereçou-se à vela e disse com raiva: vela maldita que nada fizeste por mim, e apagou-a. Lá foram os seus defuntos e as suas almas rogadas! Queria cobrar ânimo, valor. Sem essa vela, não havia coragem. No meu próprio caso, filho de pai Engenheiro e de mãe formada em Matemáticas, tinha horror às fórmulas, aos teoremas, mesmo até às adições e subtracções, enfim, à tabuada, essa aprendida em casa onde recebi os primeiros estudos, até à idade que a lei permitia. Só depois é que ingressei no colégio. Normalmente, o que eu fazia, era pedir à mãe que rezasse um terço para ser bem sucedido nos meus testes da matemática, seguro como estava, nesses dias, da eficácia da oração – para mim, com ou sem divindade, desde muito cedo confiava nesse poder mágico da oração e nem preparava o exame. Sempre ganhava: talvez por ter ouvido ao meu professor privado ou explicador, ou, mais tarde, a cantilena da tabuada, ou de tanto ouvir de aritmética em casa, que ia fiando, incutindo em mim esse saber temido. Será que o saber ficava em mim como vaga imitativa por ter medo? Em psicanálise, dizemos que o mais temido é o mais aproveitado. Tanto tememos, que esse sentimento fica dentro de nós. Foi assim que aprendi matemática, foi assim que o rapaz obteve trabalho.

Foi assim também, que em sítios muito definidos e especiais, diria eu, muito escolhidos e assinalados, lugares onde a divindade e a sua obra aparece aos seres humanos proporcionando curas e milagres e aceitando os agradecimentos dos favores por ela prestados, como Knock na Irlanda[2], Lourdes em França[3] e as suas mensagens a Bernardette Soubirous[4], ouvidas apenas por ela, sendo-lhe proibido transferi-las a qualquer outra pessoa. Como é natural Fátima[5] em Portugal, Turim em Itália e a Basílica de São Pedro, em Roma, onde alegadamente está o túmulo do primeiro Papa Romano, após a sua crucificação na Colina Vaticana. Sítios todos de dor e de agradecimentos, até ao cansaço infinito. Lugares de peregrinação, para solicitar favores à divindade, nomeadamente quanto às melhores de partes doentes da natureza humana.

Há duas ideias que nascem no meu pensamento: a divindade nunca aparece, é como se tivesse uma embaixatriz, a mãe de Jesus, nomeada sob diferentes apelativos, segundo a língua e o local geográfico do milagre, ou conforme o sítio das aparições. A outra, uma anedota, que aconteceu comigo e o Bispo de Leiria – Fátima. Falava eu perante uma multidão de pessoas no Santuário de Fátima, com o Bispo ao pé de mim, no seu trono. Entre as várias ideias que me surgiram na cabeça relembro a que me levou a falar sobre o Sudário de Turim[6].

Comentei que o Papa (Karol Wojtila) cometeu um erro ao aceitar que o lenço, que mostra a cara de Xristos, fosse examinado com provas de Carbono XIV. O meu comentário foi simples: as pessoas vão a Turim não para ver relíquias históricas com prova científica da sua autenticidade. Que sabe um homem de fé do Carbono XIV? Ou se souber e acredita na divindade, não está interessado em provas. O sentimento de fé está vivo nessa pessoa É por isso que vão a Turim, com a esperança da divindade lhes oferecer uma alternativa aos seus problemas, talvez um milagre, um portento, uma maravilha, um prodígio, esse facto sobrenatural oposto às leis da Natureza., ou porque a divindade concede favores e faz milagres. Vão com medo, com um certo receio de que o pretendido não seja concedido. Com ou sem prova de ser um sudário autêntico, as pessoas concorrem na mesma por sentimento de fé. A prova do Carbono XIV mata esse sentimento, faz abandonar Confissões ao ver que nada de especial acontece com elas. Seja real ou pura invenção a Confissão do medo, dito por outras palavras, a sua religião, não ouve estas histórias, o seu problema é outro: Deus e a sua força para proteger. De imediato, o Bispo ergueu-se e disse que as minhas palavras eram blasfémicas ao semear uma dúvida sobre a infalibilidade do Papa. Ripostei com o Código de Direito Canónico de 1983 (reformulando, por iniciativa de Karol Wojtila, o do Século XIX que tinha sido mandado escrever por Pio IX) que define esse conceito como o dom de não poder errar em matéria de fé. Quem andava em maus lençóis era João Paulo II, Papa Wojtila, ao admitir em frente dos membros da sua Confissão Católica Romana, uma sombra de dúvida. Imediatamente fui declarado herege e excomungado. Lembrei ao Bispo que a heresia era de quem perdia a paciência e entendia boas palavras como engano, por ter pecado devia confessar-se de imediato: se não o fizesse morria em pecado e ia directo para o inferno. O Bispo saiu e eu levei uma salva de palmas das freiras e dos padres que mal suportavam a arrogância do dito Bispo. Lembro que semanas depois foi mudado o Bispo e criada uma subsecção apenas para assuntos de Fátima,[7].

A história acabou de duas maneiras: a primeira, nunca mais fui convidado para falar em Fátima; a segunda, a datação do tecido do sudário ficou marcada como sendo do Século X, por causa de não existir essa semente de linho do sudário à época do enterramento de Xristos. Contudo, como afirmam os Apóstolos: João, C.19-v38-42; Mateus, 27-57.60; Marcos15:42-46 e Lucas: 23, 45-50, os hebraicos cristãos José de Arimateia e Nicodemo, hebreus de posses, ofereceram o melhor linho dos seus armazéns para sepultar o corpo de Xristos, como se chama Jesus em Aramaico, a língua que ele falava, e providenciaram uma sepultura de pedra para o enterrar[8]. Sobre essa anunciada ressurreição… havia dúvidas… muitas…. Nunca tinha acontecido antes…. Mas a divindade criou a religião do medo…, essa que faz duvidar. Especialmente por causa dos milagres. No caso de Mohamed (ou Muhamed ou Maomé), como no de Xristos, Confúcio e Buda, existia uma grande adesão das pessoas às suas explicações da vida. As parábolas, ou narração alegórica, que envolviam algum preceito de moral, alguma verdade importante, eram como o mel. Os seres humanos aprendiam a ser solidários e caridosos, no sentido de ser uns para os outros. Especialmente por causa do rigor exigido no comportamento social. Os Dez Mandamentos ou leis reguladoras do comportamento social, antes referidos, comuns para muçulmanos, hebreus e cristãos de qualquer denominação, parece-me a mim uma criação humana para poder governar a vida em interacção. Esse amar a divindade sobre todas as pessoas e coisas, como define o primeiro mandamento, é uma transferência para um terceiro que não se vê nem se ouve, mas que é temido porque pune como está narrado nos textos sagrados ou, para não denominar sagrados, nos livros religiosos. Estes Mandamentos organizam em hierarquias o elo do agir. Mal acaba essa ordem de amar a divindade sobre todas as pessoas e coisas, cria um dia especial para louvar com descanso e orações essa desconhecida entidade. Temida também, porque acredita-se ter criado o mundo e ter o poder de duvidar, punir ou de louvar. No Budismo, acontecem casos semelhantes: Budismo é uma família de crenças e práticas considerada por muitos uma religião, baseada nos ensinamentos atribuídos a Siddhartha Gautama, comummente conhecido como “O Buda” (o Iluminado), que nasceu onde é hoje o Nepal. Ele viveu e ensinou na região nordeste do subcontinente Indiano e provavelmente veio a falecer cerca do ano 400 antes da nossa era. Os ensinamentos de Buda passam primeiro pela realidade da existência humana, como acontece com os mandamentos (5º ao 10º) dos cristãos[9].

Xristos e Sidarta, fazem-nos passar pelas penas do inferno[10] para nos explicar o que é a interacção humana. A nossa vida é um cartão vermelho, tenhamos ou não sentimentos de fé. Na Lei Islâmica e a Muçulmana, entre várias outras ocidentais, ou mesmo nas etnias denominadas primitivas, a penas do inferno estão sempre connosco. Há, entre todas as religiões ou confissões, abordadas neste texto, uma importante diferença: as que acreditam na reencarnação ou na ressurreição. Como acontece na religião Baloma dos Massim, no arquipélago das Kirivina, na Melanésia, estudada por Bronislaw Malinowski[11], nas orientais Budista, de Confúcio, Islamistas, Hebreu; e as outras como a também oriental cristã, a Arménia, A Copta, e  a ortodoxa (Grega e Russa).

Nem todas as confissões têm um amaldiçoamento com penas de Inferno e de perca da alma. Bem ao contrário. Se os cristãos esperam uma ressurreição a seguir à sua morte, devem passar primeiro pelas tristezas e penas das doenças e do inconsciente de ser defunto, com luto da família que continua a viver.

Não resisto dizer que esta é a melhor prova de ser a Religião uma confissão do medo. Pode-se entender, como explica Freud, que a separação de um ser amado causa luto ou sentimento, pesar pela morte de alguém, como define no seu texto de 1915, Luto e Melancolia, que passo a citar: Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer actividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto envelhecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. Esse quadro torna-se um pouco mais inteligível quando consideramos que, com uma única excepção, os mesmos traços são encontrados no luto. A perturbação da auto-estima está ausente no luto; afora isso, porém, as características são as mesmas[12].

Pensa-se que uma pessoa de fé de qualquer confissão, é capaz de ultrapassar essa tristeza porque sabe que em breve estará com a pessoa defunta mais uma vez e para sempre. É o que comentam os catecismos, as ideias teológicas e as teorias patrísticas do Ocidente, Oriente e Tribais. É um sentimento de perca que pode passar a ser de envelhecimento ou de desprezo de si próprio, ainda de recriminação, como define Freud nos textos citados. A minha própria observação do facto e após ter passado por lutos pessoais, mais do que de recriminação é de perca, é o começo da falta do quotidiano que pode ter durado inúmeros anos, é, no meu ver, um facto cultural especialmente se amamos a pessoa que perdemos. A falta dos acontecimentos de todos os dias, aos quais estávamos habituados com a pessoa que desaparece, faz sentir uma tristeza muito pessoal que pode ser oculta ou expressa em desespero. Tudo depende da nossa maneira de ser e de como sabemos entender esses factos culturais e os manipulamos.

O luto é uma melancolia de que não podemos fugir. Com ou sem divindade, a perca de uma pessoa, por morte, separação ou mal entendimento, acaba por ser, também, remediada pela confissão que professa quem sofre a perda. Crentes ou não, toda a cultura de qualquer sociedade tem meios de se solidarizar com quem sofre. Existe o sentimento de simpatia, especialmente se há colaboração e empatia simpática entre os que são parentes, vizinhos e amigos. Há também a distância, rara entre pessoas que andam sempre juntas e se entendem. Quando não se entendem,  a solidariedade acaba e é substituída por dezenas de desculpas para justificar a distância e o silêncio. Quem guarda luto por essa distância, é também um bom ser humano que sabe entender os outros. Excepto se a lei cultural manda chorar aos berros e cobrir o corpo para sociaizar o luto, como acontece entre o grupo Pueblo dos EUA[13] . Nunca esqueço o caso de umas filhas, na aldeia que analiso em Portugal, que tratavam o seu pai como um cão. A população não aceitava o facto e guardava distância, com um rancor escondido. No dia da morte e a seguir ao funeral, as filhas faziam-se ouvir em pranto e aos gritos. A população, comovida por essa emotividade perdida, calou. Mas, nunca mais acreditou nelas. A melancolia era fingida…, e se assim era com o pai, o que não seria  com outros factos… Nasce a desconfiança. Desconfiança nascida, aproximação perdida, deveria dizer um adágio.

No caso dos Massim do arquipélago Kiriwina, o luto é guardado conforme as normas culturais. Sabe-se perfeitamente que a perca é recuperada pela inserção de uma alma no corpo de uma rapariga. Não há divindades, há crenças e factos, como se lê no texto Magia, Ciência e Religião, anteriormente referido. O texto completo, especialmente Baloma: o espírito dos mortos está em linha[14]. O pranto é natural, mas há alternativa: é a utilidade da divindade, seja Deus, seja Baloma.

Há outras Religiões, verdadeiras confissões do medo. O Islão é uma delas[15].

O Islão ensina seis crenças principais: A crença em Alá (Allah), único Deus existente; A crença nos Anjos, seres criados por Alá; A crença nos Livros Sagrados, entre os quais se encontram a Torá, os Salmos e o Evangelho. O Alcorão é o principal e mais completo livro sagrado, constituindo a colectânea dos ensinamentos revelados por Alá ao profeta Maomé; A crença em vários profetas enviados à humanidade, dos quais Maomé é o último; A crença no dia do Julgamento Final, no qual as acções de cada pessoa serão avaliadas; A crença na predestinação: Alá tudo sabe e possui o poder de decidir sobre o que acontece a cada pessoa. O texto al-qur’ān, traduzido por nós como Alcorão, que significa recitação, tem crenças semelhantes às das várias confissões cristãs do Ocidente. Não é estranho, porém, que contenha incentivos para comportamentos solidários e de punição até ao apedrejamento para quem transgride as normas definidas, como diz o Livro, pela divindade. A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no monoteísmo. Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (com a excepção de um) começa com a frase Em nome de Deus, o beneficente, o misericordioso. Uma das passagens do Alcorão frequentemente usada para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo (sura) 59:

Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, Que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso!

Ele é Deus e não há outro deus senão ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens Lhe associam!

Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos (59, 22-24).

Ver Noventa e nove nomes de Alá para uma visão muçulmana sobre os atributos de Deus.

Parece-me evidente que as formas de falar da divindade islâmica e da divindade da Bíblia que, paradoxalmente, é o mesmo livro para todas as confissões monoteístas ocidentais a orientais, são muito semelhantes. Os muçulmanos acreditam que Deus recorreu a profetas para revelar as escrituras aos homens. A revelação dada a Moisés foi a Taura (Torá), a Davi oferecidos os Salmos e a Jesus, o Evangelho. Deus foi revelando a sua mensagem em escrituras cada vez mais abrangentes que culminaram com o Alcorão, o derradeiro livro revelado a Muhammad.

Há, simultaneamente, a crença no qadar, palavra geralmente traduzida como “predestinação“, mas cujo sentido mais preciso é “medir” ou “decidir quantidade ou qualidade”. Uma vez que, para o islamismo, Deus foi o criador de tudo, incluindo dos seres humanos, e sendo uma das suas características a omnisciência, ele já sabia quando procedeu à criação as características que cada elemento da sua obra teria. Assim sendo, cada coisa que acontece a uma pessoa foi determinada por Deus. Esta crença não implica a rejeição do livre arbítrio, pois o ser humano foi criado por Deus com a faculdade da razão, pelo que pode escolher entre praticar acções positivas ou negativas. Este debate, como sabemos, é actual, entre os cristãos, especialmente entre os membros da confissão luterana. Na confissão calvinista guarda-se segredo relativamente a esta matéria, pois não há dúvida, tratar-se de uma confissão do medo. A discussão segue com imensas achas na fogueira, entre os cristãos romanos. Nem o mais poderoso dos papas recentes, como Karol Wojtila, quis entrar como voz infalível no debate[16]. Os membros da confissão islâmica, além do Alcorão, têm tribunais, leis e jurisprudência para julgar os delitos cometidos contra pessoas, entendidos serem contra a divindade. A lei islâmica chama-se Xariá. O Alcorão é a mais importante fonte da jurisprudência islâmica, a segunda a Suna ou exemplos do profeta. A Suna é conhecida graças aos ahadith, trata-se de narrações acerca da vida do profeta e de actos que ele aprovava, que chegaram até nós graças a uma cadeia de transmissão oral a partir dos Companheiros de Maomé. A terceira fonte de jurisprudência é o itjihad (raciocínio individual), ao qual se recorre quando não há resposta clara no Alcorão, ou na Suna, sobre um dado tema. Neste caso o jurista pode raciocinar por analogia (qiyas), para a resolução do problema.

A quarta, e última fonte de jurisprudência, é o consenso da comunidade (ijma). Algumas práticas também chamadas de charia têm raízes nos costumes locais (Al-urf).

A jurisprudência islâmica chama-se fiqh e está dividida em duas partes: o estudo das fontes e metodologia (usul al-fiqh, raízes da lei) e as regras práticas (furu’ al-fiqh, ramos da lei)[17].

Não é apenas o Islão quem fornece regras de comportamento. Há uma outra confissão, normalmente pensada como Islâmica, mas há distância entre elas, apesar de serem ambas islâmicas: os muçulmanos xiitas que invadiram a Península Ibérica e os muçulmanos alemães ou jihdas e os sunitas, que expandiram a sua fé por sítios remotos. Eu diria que são ramificações do Islão e que há guerra entre eles pelo poder de governar os islamitas e para se apoderarem das riquezas dos povos conquistados.


[1] O conceito de divindade assumiu, ao longo dos séculos, várias concepções, evoluindo desde as formas mais primitivas provenientes das tribos da antiguidade até às dogmáticas definições das religiões.

Divindade é um ser sobrenatural, usualmente com poderes significantes, cultuado, como dizem os luso brasileiros, tido como santo, divino ou sagrado, e/ou respeitado por seres humanos. Normalmente as divindades são superiores aos seres humanos e à natureza.

Divindades assumem uma variedade de formas, mas são frequentemente antropomorfas ou zoomorfas

[2] Nossa Senhora do Silêncio

Apesar de Maria não ter dito uma palavra nesta aparição, não é por isso que ela não nos fala ao coração.

A aldeia de Knock está situada a oeste de Dublin e a norte de Galway, no condado de Mayo. Em 1829, foi construída uma pequena e pobre igreja paroquial onde não cabiam mais de 30 pessoas, dedicada a S. João Baptista. Nas imediações da Igreja havia uma pequena escola para rapazes e outra para raparigas. Esta área (igreja e escola) era demarcada por um muro de pedra.

Durante todo o século XIX, a Irlanda sofreu uma depressão da sua economia por causa das más colheitas, sobretudo da batata. No ano de 1879, os agricultores praticamente já sem nada para comer, as condições agravaram-se com mais uma desastrosa colheita de batata, prenúncio de mais miséria e fome. As pessoas morriam de fome e de doenças, minadas por uma vida muito dura. Bartholomew Cavanah, foi nomeado prior da igreja em 1867. Era um santo homem, profundamente devoto de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Era de bom grado que sacrificava os seus bens materiais para ir em auxílio dos pobres e famintos, e nunca teve conta bancária. Também nunca descurou as pobres almas do Purgatório. Considerando a Virgem Maria como Mãe de Deus e de todos os filhos de Deus, recorria à sua intercessão por todos os que haviam entrado no Purgatório. Na verdade, alguns meses antes da aparição em Knock, o Padre Cavanah iniciou a celebração de 100 missas pelas pobres almas do Purgatório que Nossa Senhora desejasse ver libertas. Surpreendentemente, foi no dia da centésima missa que Nossa Senhora visitou Knock, ao final da tarde de 21 de Agosto de 1879. Foi um dom maravilhoso que exprimiu a gratidão de Nossa Senhora e das almas que foram para o Céu. Nesse dia, com o céu coberto de pesadas nuvens, o Padre Cavanah, visitou paroquianos em regiões vizinhas. Durante a tarde, uma chuva cerrada encharcou-lhe a roupa e na aldeia choveu pela noite fora. Mary McLoughlin, a sua empregada, acendeu a lareira para lhe secar as roupas depois saiu para visitar uma amiga, Mary Beirne, que morava próximo.

Ao passar junto da igreja deu conta de estranhas figuras e de um altar junto à empena da igreja voltada a sudoeste, envolvidos por uma luz, algo estranha também, que julgou ser resultante do efeito da luz brilhando através da bruma. Depressa pensou que talvez o prior tivesse encomendado algumas imagens novas. Mais ou menos ao mesmo tempo, um outro membro da família Beirne, Margaret Beirne, chegou à igreja para a fechar. Também ela deu conta de um brilho estranho que vinha do lado sudoeste do templo. Mas, com pressa de se abrigar, não olhou mais, nem disse nada a ninguém sobre o que viu. Quando terminou a visita, a amiga Mary Beirne acompanhou Mary McLoughlinde de volta. Quando se aproximaram da igreja, o que julgavam ser imagens iluminadas pela luz, não eram, Mary Beirne exclamou: Mas não são imagens, estão a mexer-se! É a Santíssima Virgem! Em 1880, a primeira comissão eclesiástica aprovou o testemunho de todos os 15 videntes como digno de confiança e satisfatório. Em 1936, provas confirmadas e centenas de curas milagrosas foram enviadas para Roma. A aparição de Knock teve a sua aprovação total e o reconhecimento da Igreja Católica. Cem anos depois da aparição, em 1979, o papa João Paulo II abençoou o local com a sua presença na celebração do centenário. Meio milhão de peregrinos juntou-se no santuário onde o papa declarou a passagem da Igreja de Nossa Senhora, Rainha da Irlanda, a Basílica.

Fonte: o meu trabalho de campo em Knock, como visita, graças a Bárbara Bradway, Leitora do Dublin College, República da Irlanda, os livros consultados sobre o caso e as palavras de http://cheiadegraca.free.fr/ficheiros/knock.htm.

[3] Lourdes ou Lurdes (em francês Lourdes, em occitano gascão Lorda) é uma comuna francesa situada no departamento dos Altos Pirineus, região do Midi-Pyrénées. Em 1999 contava com 15.203 habitantes e uma área geográfica de 37 quilómetros quadrados.

Em Lourdes, numa pequena gruta junto ao riachozito Gave, terá alegadamente aparecido algumas vezes a Virgem Maria a uma menina de seu nome Bernadette Soubirous (1858). Após aprovação da Igreja Católica, nesta matéria das aparições, Lourdes tornou-se numa das localidades de maior destaque em toda a França. Hoje em dia, o Santuário de Lourdes é um dos maiores centros de peregrinação do mundo católico assim como o Santuário de Fátima em Portugal, Santuário de Međugorje na Bósnia Herzegovina, Basílica de Guadalupe na cidade do México e a Basílica de São Pedro, em Roma. Ainda em vida de Bernadette Soubirous realizaram-se os seguintes milagres: 3.1 O milagre do círio ; 3.2 A cura de uma deficiente ; 3.3 A cura de um Tuberculoso ; 3.4 A cura de um Aleijado. Após a sua morte, são-lhe atribuídos ainda mais milagres e curas, que podem ser lidos em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernadette_Soubirous.

A minha fonte advém da visita que fiz a Montpellier, depois dos seminários com Maurice Godelier e Pierre Bourdieu, e as minhas leituras, nomeadamente do texto de TROCHU, Francis. Bernadette Soubirous, ISBN 0-89555-253-1, ISBN 13:978-0895552532.

[4]Marie-Bernard Soubirous ou Maria Bernada Sobeirons em occitano (Lourdes, 7 de Janeiro de 1844Nevers, 16 de Abril de 1879) foi uma religiosa francesa canonizada pela Igreja Católica.

Em Lourdes, cidade com uma população de cerca de quatro mil habitantes, no dia 11 de Fevereiro de 1858, Bernadete disse ter visto uma aparição de Nossa Senhora numa gruta denominada “massabielle”, o que significa no dialecto birgudão local – “pedra velha” ou “rocha velha” –, junto à margem do rio Gave, aparição que de outra vez se lhe apresentou como sendo a “Imaculada Conceição“. Enquanto o assunto era submetido ao exame da hierarquia eclesiástica que se mostrava com céptica prudência, curas cientificamente inexplicáveis foram verificadas na gruta de “massabielle”. Em 25 de Fevereiro de 1858, na presença de uma multidão, por ocasião de uma das suas visões, surgiu sob as mãos de Bernadette uma fonte que jorra água até os dias de hoje com um volume de cinco mil litros por dia. De acordo com o pároco da cidade, padre Dominique, que bem a conhecia, era impossível que Bernadette soubesse ou pudesse ter o conhecimento do que significava o dogma da “Imaculada Conceição”, então recentemente promulgado pelo Papa. Afirmou ter tido dezoito visões da Virgem Maria no mesmo local entre 11 de Fevereiro e 16 de Julho de 1858.

[5] O meu comentário para este Santuário pode ser lido em dois textos meus: Portugal Fatimizado (num país anticlerical) em: Jornal a Página da Educação ano 8, nº 81, Junho 1999, p. 26 e “Práticas Religiosas em Portugal”, publicado em Português, Inglês e Francês nas Actas do 13º Congresso Europeu de Sociologia Rural, realizado em Braga, em 1986. O último texto está comentado nas entradas Internet da Página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+em+Aspectos+de+Portugal+Rural+13%C2%BA+Congresso+de+Sociologia+Rural&btnG=Pesquisar&meta=.

[6] O Sudário de Turim, ou o Santo Sudário é uma peça de linho com a imagem de um homem que aparentemente sofreu traumatismos físicos de maneira consistente com a crucificação. O Sudário, não exposto ao público, encontra-se guardado na Cappella della Sacra Sindone do Palácio Real de Turim (Itália), desde, sensivelmente, 157. Em 1983, foi doado ao Vaticano pelos proprietários da casa de Saboia. A última exibição pública da peça ocorreu no ano de 2000. Muitos católicos acreditam que se trata do tecido que cobriu o corpo de Jesus Cristo no momento do seu enterramento. A imagem no manto é na realidade muito mais nítida na impressão branca e preta do negativo fotográfico que em sua coloração natural. A surpreendente imagem do negativo fotográfico foi vista pela primeira vez na noite de 28 de Maio de 1898 através da chapa inversa feita pelo fotógrafo amador Secondo Pia que recebeu a permissão para fotografá-lo durante a sua exibição na Catedral de Turim. De acordo com o próprio, quase deixou cair a chapa fotográfica ao ver nela, nitidamente, a imagem de uma pessoa. Para além das minhas fontes pessoais sobre o debate do sudário, pode-se ler em linha: GOVE, H.E. Dating the Turin Shroud – An Assessment.

A Igreja Católica não emitiu opinião acerca da autenticidade desta alegada relíquia. A posição oficial deixa ao crente a decisão sobre a autenticidade da peça. O Papa João Paulo II confessou-se pessoalmente comovido e emocionado com a imagem do sudário, mas afirmou que uma vez que não se trata de uma questão de fé, a Igreja não se pode pronunciar, ao mesmo tempo que convidou as comunidades científicas a continuar com a investigação. A Catholic Encyclopedia, editada pela Igreja Católica, no seu artigo sobre o Sudário de Turim afirma que o sudário está além da capacidade de falsificação de qualquer falsário medieval. Esta acabou por demonstrar que o tecido era resultado de sementes de linho da espécie cultivada no Século X.

Fonte para esta delicada prova, uma enciclopédia em linha, Britannica Encyclopedia, os jornais da época e as minhas notas pessoais.

[7] Fonte: o meu eterno Diário de campo e notas que guardei para proferir essa conferência.

[8] José de Arimatéia (ou Arimateia), assim conhecido por ser de Arimatéia, cidade da Judéia. Homem rico, senador da época, era membro do Sinédrio, o Colégio dos mais altos magistrados do povo judeu. Também conhecido como `Sanhedrin´, formava a suprema magistratura judaica. É venerado como santo católico no dia 31 de Agosto. Arimateia, juntamente com Nicodemos, providenciou a retirada do corpo de Cristo da cruz após solicitação feita a Póncio Pilatos. Era o dono do sepulcro onde Jesus Cristo, seu amigo, foi embalsamado, numa esplanada a cerca de 30 metros do local da crucificação e de onde ressuscitou três dias depois da morte. José de Arimatéia, de acordo com alguns pesquisadores, teria ficado de posse do cálice da Santa Ceia, levando-o para a Europa. Este cálice ficou conhecido como o Santo Graal, tão mencionado nas lendas Arturianas.

Atribui-se também a José o lençol de linho em que Jesus foi envolvido, conhecido como Santo Sudário. Fonte: os Evangelhos Cristãos, editados pela Biblioteca de Autores Cristãos – BAC, Madrid. 1959, em formato de papel, em linha: Biblioteca Electrónica Cristiana. Os Evangelhos em linha: http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/bible6_p.htm, assim como o texto de André-Marie Gerard, 1989: Dictionnaire de la Bible, Editora Robert Lafont, Paris, 1478 pp, comentado em todas as entradas Internet da página web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Gerard-Marie+Gerard%2C+1989%3A+Dictionnaire+de+la+Bible&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=&aq=f&oq= .

  1. [9] De Siddarta, aprendemos estas ideias, que para os budistas são verdades: A primeira nobre (ou sublime, ou majestosa doravante), verdade: (…) esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que causa desgosto ou retira o prazer é sofrimento; a separação daquilo que é prazenteiro ou agradável, é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento (…).
  2. A segunda nobre verdade: (…) esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir (…).
  3. A terceira nobre verdade: (…) esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele (…).
  4. A quarta nobre verdade: (…) esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correcto, pensamento correcto, linguagem correcta, acção correcta, modo de vida correcto, esforço correcto, atenção plena correcta, concentração correcta (…).

[10] Passar pelas penas do inferno, é uma metáfora muito usada nas várias línguas de sociedades que praticam a emoção de fé de acreditar na existência de uma divindade que nos governa. Indica o que a vida faz sofrer, especialmente se está governada pela economia, hoje em dia uma terceira via de um governo que procura universalizar a economia, ao modernizar a social-democracia de Karl Marx. A terceira via é uma corrente da ideologia social-democrata. Também conhecida como social-democracia contemporânea.

Este pensamento defende um Estado necessário, em que sua interferência não seja, nem máxima, como no socialismo, nem mínima, como ocorre no liberalismo. Mas que a actuação estatal seja adequada à conjuntura vivida pelo país.

Esta teoria também defende a responsabilidade fiscal dos governantes, o combate à miséria, carga tributária proporcional à renda, com o Estado sendo o responsável pela segurança, saúde, educação, previdência etc.

Algumas figuras políticas como Bill Clinton, Barack Obama, Zapatero, José Sócrates , Tony Blair – conhecido também como o corifeu da terceira via, Gordon Brown, Gerhard Schröder e Fernando Henrique Cardoso são exemplos da terceira via.

Um dos principais defensores e difusores do pensamento da Terceira Via é o sociólogo britânico Anthony Giddens. Ele expõe regularmente as suas visões por meio de contribuições ao think tank Policy Network do Reino Unido. Outros académicos que contribuíram para a formação desse pensamento foram Robert Putnam, Ian Winter e Mark Lyon, entre diversos. Giddens escreveu, editou e publicou na sua imprensa Polity Press de Cambridge, no ano 2000: The Third Way and its critics, essa terceira via que procura a igualdade, mas não a encontra, analisada no meu texto Para Sempre tricinco. Allende e Eu, Editora Tinta da China e no meu livro: Marx, um devoto luterano, no prelo.

Bem sabemos que nas várias confissões, o inferno é uma advertência para um bom comportamento.  No resisto contar um episódio que me aconteceu em 1981, ao me transferir de Cambidge, UK, para o antigo ISCTE, hoje Instituto Universitário de Lisboa. As amáveis pessoas ao cumprimentarem-me perguntavam-me como estava. A minha britânica resposta era sempre: Muito bem, muito obrigado, como faço ainda hoje. Acompanha-me o meu amigo Vítor Matias Ferreira, que me chamou à atenção: em Portugal dizer isso é má educação. Estar bem é uma ofensa à divindade e às pessoas que andavam sempre pelas ruas da amargura, cá vamos andando, mais ou menos, nem sempre bem e outras frases que não desafiam a divindade nem dão azar. Não resisti, no dia das suas Provas de Agregação, nas que me coube arguir o curriculum, perguntar: então meu caro, estamos bem hoje ou andamos pelas ruas da amargura? As gargalhadas foram gerais dentro de um Auditório cheio de docentes, discentes, amigos e familiares. As provas foram um sucesso pelo seu saber e pela simpatia das nossas brincadeiras. Aliás, era outro ISCTE, na minha fala, o isctecito, todos amigos, todos companheiros, todos a almoçar juntos em mesas bem compridas. Não havia inferno, apenas um pequeno Purgatório, estudado por mim e a minha eterna amiga Maria Eduarda do Cruzeiro.

[11] Bronisław Kasper Malinowski (Cracóvia, 7 de Abril de 1884 –  New Haven, 16 de Maio de 1942) foi um antropólogo polaco, considerado um dos fundadores da antropologia social, fundou a escola funcionalista. As suas grandes influências incluíam James Frazer e Ernst Mach. Malinowski foi o primeiro antropólogo de campo a observar a representação fisiológica da reprodução na representação de uma sociedade tradicional. A ênfase atribuída por ele a um aspecto considerado subjectivo na pesquisa de campo aproximou-o da lógica e da importância da fertilidade num sistema social diferenciado. Malinowski captou as conversas nativas sobre o poder da reprodução humana, desempenhado pelo corpo feminino juntamente com o mundo espiritual (o Baloma), em detrimento do conhecimento da paternidade fisiológica dos nativos. Em Magia, Ciência e Religião (1948), Malinowski argumenta outros factos que distanciam o sémen masculino da produção de um filho, como as histórias sobre as mulheres feias “assexuadas” que tiveram muitos filhos. Anteriormente, Malinowski já havia iniciado essa observação do mundo reprodutivo quando esteve nas ilhas Mailu, em 1914, no ensaio crença e costume sobre procriação e gravidez. Os nativos da praia, segundo Malinowski, acreditam que o Baloma espiritual entra na vagina feminina após um banho de mar e deixa a mulher grávida e que as meninas que ainda não menstruam (solteiras) tomam banho de mar e não engravidam porque não há passagem para o Baloma entrar (1914:1948:128). O ensaio anteriormente mencionado, o seu estudo sobre os Mailú, bem como Baloma, o espírito dos mortos, páginas 125-210, aparecem no texto citado de 1948. Na obra, Magia, Ciência e Religião e, na datada de 1924, Os Argonautas do Pacífico Ocidental, não há nenhuma referência a punição nem ao inferno. A divindade é a alma da própria pessoa à espera de um corpo para renascer. Os Argonautas podem ser lidos em: http://classiques.uqac.ca/classiques/malinowsli/les_argonautes/les_argonautes.html.

O de 1948 não está em linha. É o melhor texto para definir Religião como confissão do medo.

Os espíritos procriativos percebidos por Malinowski serviram de guia para pesquisas posteriores que desejavam conhecer a representação que os povos nativos fazem do mundo reprodutivo. No mesmo sentido Vítor Turner- Maio 28, 1920 – Dezemnro, 1983) foium cultural anthropologist, melhor conhecido pelos seus trabalhos sobre simbolos, rutuais e ritos de passagem. Na sua obra O processo ritual entendeu que os Ndembu tribe in Central Africa ou Ndembos da África Central acreditam que são os ancestrais mortos os responsáveis pela fertilidade das mulheres descendentes da mesma linhagem.

Fonte: o livro citado de Malinowski de 1948: Magia Ciência e Religião e Outros ensaios, livro póstumo organizado e prefaciado pelo seu discípulo Robert Redfield, The Free Press:Glencoe Illinois. Também, o motor de Clássicos das Ciências Sociais, em: http://classiques.uqac.ca/classiques/malinowsli/malinowski.html.

[12] Freud, S., 1915 Luto e melancolia, Edição Standard brasileira (SB), v. XIV, p.275. O texto original, de sete páginas, pode ser lido na primeira entrada Internet da página web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Freud+Luto+e+Melancolia&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=&aq=f&oq= .  As outras entradas são comentários, explicações e aprofundamentos da temática, especialmente do conceito e sentimento de melancolia.

[13] Estudado por Ruth Benedict em 1935, com o título Patterns of Culture, traduzido ao luso-brasileiro, pelos Livros do Brasil em 1980 e em 2006. Ruth Benedict, nascida Ruth Fulton, (Nova Iorque, 6 de Junho de 1887 — Nova Iorque, 17 de Setembro de 1948) foi uma antropóloga estadunidense.

Ela nasceu na cidade de Nova Iorque, tendo estudado no Vassar College, onde se formou em 1909. Ela iniciou sua graduação na Universidade de Columbia em 1919. Lá entrou em contacto com Franz Boas e se tornou PhD.

Los indios pueblo son un grupo nativo norteamericano de unos 40.000 individuos que habita sobre todo en el estado de Nuevo México. El término “pueblo” se refiere tanto a la agrupación como a su modelo de vivienda: un complejo de habitaciones de varios niveles hecho de barro y piedra, con un techo de vigas cubierto con barro.

Los grupos pueblo incluyen a los hopi, los zuñi, y otros grupos más reducidos. Son los modernos descendientes de los anasazi, una antigua civilización que floreció entre los siglos XIII y XVI. La aldea pueblo más antigua es Acoma, que tiene una historia sem interrupção de unos 1.000 años. Eran agricultores eficientes, que desarrollaron un sistema de irrigación. Los poblados pueblo se construían sobre una plataforma alta con propósitos defensivos.

En la actualidad los indios pueblo viven en una combinación de viviendas antiguas y modernas y ganan su sustento con la agricultura y la cerámica, por la cual son famosos en el mundo. Las fricciones continúan existiendo hoy en día entre los indios pueblo y los navajo, a quienes consideran los últimos invasores de su territorio.

O estudo foi feito a pedido do Governo dos EUA, para entender melhor as formas de vida do largo grupo de etnias que habitavam o território e assim saber como manipular para os transferir a reduções de terras de lavradio e ficar o Governo com as terras originais, que vendiam ao melhor comprador. Todo foi feito contra a recomendação de Ruth Benedict, quem afirmara que se eram removidos dos seus sítios originais, perdiam a sua história, aos seus antepassados porque os espíritos ficavam no lugar da morte. Os corpos podiam ser transferidos, mas esse Governo ambicioso não queria entender as opiniões de esta Catedrática da Universidade de Columbia. De facto, a pouco e pouco, as etnias originais foram desaparecendo com esta política de ambição do Governo mencionado. Como no caso do Chile ao querer transferir aos Picunche da Cordilheira Alta, latitude de Temuco, Sul do Sul do Chile, para terras do vale. Os Picunche lutaram e com o apoio dos indigenistas do Chile, ganhara a sua luta, apenas que ficaram reduzidos a uma estreita margem do território, e terras onde estavam enterrados os seus mortos e residia o Pehuen, a sua divindade. O resto da terra foi vendido pelo Estado Chileno a uma Empresa que produzia força eléctrica – ENDESA – para construir um barragem e vender electricidade ao povo chileno.

Fonte: os livros de Ruth Benedict, os textos de Franz Boas a minha investigação, leitura de jornais e as palavras de  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ruth_Benedict#.22Padr.C3.B5es_de_Cultura.22

[14] http://stormblast.wordpress.com/2008/05/14/vontade-de-falar-do-the-baloma-the-spirits-of-the-dead-in-the-trobriand-islands/.

[15] O Islão (português europeu) ou Islã (português brasileiro) (do árabe الإسلام, transl. al-Islām) é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão. A religião é conhecida ainda por islamismo.

Na visão muçulmana, o Islão surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta, entre inúmeros outros, para diversos povos, e o último deles Maomé.

Cerca de duzentos anos após Maomé, o Islão já se tinha difundido em todo o Médio Oriente, no Norte de África e na península Ibérica, bem como na direcção da antiga Pérsia e Índia. Mais tarde, o Islão atingiu a Anatólia, os Balcãs e a África subsaariana. Recentes movimentos migratórios de populações muçulmanas no sentido da Europa e do continente americano levaram ao aparecimento de comunidades muçulmanas nestes territórios.

A mensagem do Islão caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadão, pagar dádivas rituais e efectuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.

O Islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e o temporal é, em teoria, alheia ao Islão.

Fonte: as minhas leituras do Alcorão, editado em português em 1986, Editora Europa – América, dois Volumes, as minhas aulas e os meus debates com as leituras de Al-Farabi, citado antes. Em linha o Alcorão pode ser consultado em: http://www.culturabrasil.pro.br/zip/alcorao.pdf .

Também: Saber Religioso y Poder Político en el Islam. Actas del Simpósio Internacional de Granada, Espanha, 15.18 de Outubro de 1991, Editado por Agéncia Española de Cooperación Internacionasl, Madrid, vários autores as minhas leituras, as minhas aulas e as palavras de http://pt.wikipedia.org/wiki/Isl%C3%A3o

[16]http://books.google.pt/books?id=TTfpHH8JrlgC&pg=PA132&lpg=PA132&dq=Jo%C3%A3o+Paulo+II+e+a+predestina%C3%A7%C3%A3o&source=bl&ots=1fv0DuXFPw&sig=ANo2BNw9znssXJM-P6DB01s8fag&hl=pt-PT&ei=4mA6SuHlHY-RjAek7syaDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1, no texto que tem por título A vontade salvífica e predestinante de Deus e o Cristo centrismo. Na ideia de Wojtila, a crucifixão de Xristos não teria sentido se o Pai já sabia o que devia acontecer com cada um dos membros da sua igreja. O texto de 137 páginas, pode ser lido em: http://books.google.pt/books?id=TTfpHH8JrlgC&pg=PA132&lpg=PA132&dq=Jo%C3%A3o+Paulo+II+e+a+predestina%C3%A7%C3%A3o&source=bl&ots=1fv0DuXFPw&sig=ANo2BNw9znssXJM-P6DB01s8fag&hl=pt-PT&ei=4mA6SuHlHY-RjAek7syaDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1, da autoria de Domingos Barbosa, filho, tese de doutoramento, apresentada à Universidade Gregoriana no Vaticano.

[17] Fonte: as minhas leituras, as minhas aulas e o debate, desde muito cedo na minha vida, com colegas de colégio islamitas e a minha imensa curiosidade de entender porque se recorrem à religião apenas quando se está mal.

Comments

  1. psilva says:

    Todos os argumentos do islam são inválidos.
    No inicio maomé já queria o poder todo, como o de matar inocentes indefesos e nem corão tinha ou pedia.

  2. Raul Iturra says:

    Senhor P Silva, obrigado por ler o meu ensaio. Parece-me que há um erro da sua parte. Se os argumentos do Islão fossem inválidos, também seriam os da Bíblia Cristã, texto do qual Mahomé retira vários capítulos, que ditava – não sabia ler nem escrever – a sua filha Fátima, criando primeiro o Alcorão, antes de começar a pregar. Não sei qual será a sua fé, a minha é a ciência e a priva e mais nada. Mas se é Ismaelita ou Chiita, entendo o seu argumento.
    Agradece e cumplimenta
    Raúl Iturra

  3. stormblast says:

    Que elegante de sua parte citar suas fontes! Muito bom seu texto e conduta…

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