Escolas com contrato de associação – uma tragicomédia em dois ou três actos, no máximo

O Aventar pratica a pluralidade. Imagine o leitor que até adeptos do Futebol Clube do Porto há por aqui, o que prova que não é possível ser-se mais tolerante. No meio desta pluralidade, houve três de nós (dois são do FCP, mas enfim…) que se têm vindo a dedicar, mais amiudadamente, à árdua tarefa de denunciar a existência de algumas escolas que traem o que está estipulado nos contratos de associação que assinaram. A pluralidade do Aventar pratica-se, igualmente, na caixa de comentários e as críticas feitas pelos três aventadores têm suscitado um debate animado que, sem dúvida, engrandece o blogue, mesmo quando houve lugar a alguma agressividade e a alguns mal-entendidos, a par de outras contribuições mais cordatas, mesmo que discordantes. Entretanto, apercebi-me de que há um défice de texto dramático neste n(v)osso blogue e resolvi juntar tudo: as pequenas dramatizações que irei publicar terão o objectivo de sintetizar algumas opiniões nossas e satirizar as reacções de alguns comentadores. Para representar os aventadores criei o Antunes (que não é mais do uma lyoncificação dos nomes João José Cardoso, Ricardo Santos Pinto e António Fernando Nabais); para representar os comentadores mais irados, fiquei-me por um festivo “Comendador”, até pela paronímia. Espero que alguns não gostem e que levem a mal.

Antunes – Há uma escola, no centro da cidade, perto de escolas públicas, que tem um contrato de associação.

Comendador – Você está é contra os contratos de associação! Deve ser comunista ou, pior, deve ser professor!

Antunes – Não, eu estava a falar de uma escola, uma escola que, de acordo com espírito dos contratos de associação, deveria servir para compensar a ausência de oferta pública. Não estava a falar dos contratos de associação.

Comendador – Pois, já percebi, está contra as escolas com contrato de associação, é o que é!

Antunes – É uma escola, uma! Ainda por cima, selecciona os alunos, o que não deveria poder fazer porque tem contrato de associação. Devia ser como na escola pública, que só pode recusar os alunos se estiverem fora da sua área geográfica.

Comendador – Ah, ainda por cima acha que os pais não têm direito a escolher a escola dos filhos! É isso e é contra os contratos de associação!

Antunes – Não, os pais têm direito a escolher, não estou a dizer isso. Estou a dizer que, a partir do momento em que uma escola tem um contrato de associação, tem de se reger pelos mesmos critérios da escola pública relativamente à aceitação dos alunos e mais nada!

Comendador – Você é mesmo um esquerdóide nojento! Quer pôr o governo a mandar nas escolas privadas!

Antunes – Nada disso, é muito simples: se uma entidade, pública ou privada, assina um contrato, tem de o cumprir. Se é uma escola com contrato – contrato, ouviu? – de associação, tem de cumprir – cumprir o quê?! – o contrato.

Comendador – Quanto mais você fala, mais estou convencido de que é contra os contratos de associação e contra a iniciativa privada e contra o uso de talheres de sobremesa.

(Não perca a próxima sessão)

Comments

  1. Nightwish says:

    Infelizmente é esse o discurso que temos dos neoliberais e ninguém lhes dá dois tabefes a ver se páram de se portar como criancinhas; antes tentam apaziguá-los e fazer o que querem.

  2. Hakeem says:

    Junto mais um Colégio para a colecção dos que se andam a portar mal: O Colégio da Nossa Senhora da Assunção, concelho de Anadia. Deixo aqui um link de um blogue local onde ando a debater o mesmo que vocês e parece que estou a falar para paredes. Denunciem mais este caso paradigmático, pois vocês têm muito mais capacidades que eu para “entalar” estas corporações.

    http://anadia100gente.blogspot.com/2011/01/sos-movimento-educacao-fecha-colegio-de.html

  3. manuel aparício says:

    caro Nabais.

    a sua ideia é boa mas parece-me um pouco distorcida. pelo que tenho visto aqui a ira não é dos comentadores mas de UM aventador que, a bem do vosso blog, deveria ser controlado porque dá uma imagem péssima de si próprio e deste espaço.
    quanto à referência ao FCP não podia estar mais de acordo.

  4. António Fernando Nabais says:

    Caro Manuel

    A sátira corre sempre o risco de acertar um bocado ao lado ou de exagerar, mas olhe que se reler muitos comentários verá que até fiquei aquém, porque – relembro – tratámos casos específicos e fomos criticados como se estivéssemos a atacar o ensino privado, com ou sem contratos de associação, o que, num espaço de opinião, seria igualmente legítimo.
    Quanto ao estilo dos aventadores, ainda bem que somos todos diferentes.
    Vá lá que concordamos na referência ao FCP!