Direito à greve e ao trabalho

-Muitas dúvidas podem ser levantadas a propósito da paralisação dos camionistas, desde logo porque a maioria são pequenos empresários, e não é suposto que uma empresa possa forçar um trabalhador a fazer greve, no limite se a mesma não tiver condições para funcionar, deverá cessar actividade e declarar insolvência, colocando os trabalhadores no desemprego, estes ainda gozam alguma protecção social, ao contrário dos empresários, que ficam abandonados à sua sorte e caridade de amigos e familiares. 

É no entanto inadmissível impedir de trabalhar quem o queira fazer, seja atirando pedras a camiões que circulam, colocando em perigo todas as pessoas que circulam na estrada, pelo que aplaudo a actuação das forças da autoridade, que detiveram e algemaram os arruaceiros, que reclamando para si o legítimo direito a paralisar, não respeitaram o direito dos outros, pouco importa os motivos de cada um, ao trabalho.

Mas não posso deixar de registar a hipocrisia dos sindicalistas, neste caso concreto a CGTP apressou-se a lembrar, e bem, aos trabalhadores, para não se deixarem instrumentalizar por uma luta que não é sua, mas se estivéssemos por exemplo, perante uma greve de empresas públicas de transportes, já teríamos assistido ao discurso de Carvalho da Silva a justificar a actuação dos piquetes de greve. É exactamente esse o ponto, a greve é um direito que não contesto, mas não é maior nem menor que o direito ao trabalho. Doa a quem doer, sejam os motivos justificáveis ou não, os piquetes não podem exercer intimidação nem cercear a liberdade de quem quer trabalhar. Num Estado de Direito, cabe às forças policiais fazerem cumprir a Lei e não actuarem de acordo com a maior ou menor capacidade de mediatização e mobilização, dos organizadores da greve, sob pena de cairmos na bandalheira…

 

Comments


  1. por partes:

    – Quem faz a greve são as empresas/empresários.

    – Os trabalhadores dessas empresas devem cumprir as ordens do patrão, Certo?

    – Se lhe dão ordens para parar, eles param. O salário não é afectado por estarem a cumprir ordens de que lhes paga.

    – Concordo que os piquetes não servem para o que deveriam servir.

    – Não percebo porque razão é preciso deter pessoas e ficar de arma em punho a apontar para gente algemada.

    • Vitor Manuel says:

      – Não percebo porque razão é preciso deter pessoas e ficar de arma em punho a apontar para gente algemada.

      Quê?
      Os gajos do Kadafi fazem isso?
      Filhos da ganda puta!


    • Imagina que vais na estrada a circular com a tua família, nada tens a ver com a greve, mas um energúmeno atira uma pedra a um camião que passa, corre o risco de estilhaçar o pára-brisas e provocar vítimas terceiras, tu, eu, quem quer que circule. Se foi esse comportamento que levou à detenção, estou de acordo com as forças policiais…

  2. Alex says:

    Sr. Antonio de Almeida
    Este acordo entre o governo e as grandes empresas de camionagem, vai levar à falência de centenas de pequenas empresas do sector, como aconteceu em 2008. Pessoas ligadas ao partido do governo, colocaram-se como porta-vozes para dividir os camionistas sendo as suas empresas as principais beneficiadas. Hoje depois das autoridades deterem um dos organizadores que não estava no circulo do governo mas sim a lutar pela sua sobrevivência e de outros na mesma situação, entraram em acção os mesmos que dividiram os camionistas no passado. Tudo foi encenado para o acordo ser celebrado aquando da entrevista do 1º ministro.


    • Infelizmente temo que possa ter alguma razão, as pequenas empresas do sector já estão a ser esmagadas como todo o pequeno comércio ou indústria, pela excessiva carga fiscal. Verdade que algumas não terão razão sequer para existir, o que não significa que não tenham direito à existência, proliferam porque interessa às grandes empresas não possuírem frotas descomunais. Depois existe todo um sector que se alimenta da importação de veículos, peças, etc, isto merecia um trabalho de investigação sério…

  3. Nightwish says:

    Longe de ser o caso (ainda), mas é preciso lembrar que foi com ilegalidades e violência que se conquistam direitos laborais. O respeitinho é muito bonito, mas é quando é recíproco.

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