etnopsicólogo em trabalho de campo

200px-William-Adolphe_Bouguereau_%281825-1905%29_-_A_Calling_%281896%29.jpgParece-me importante começar por definições, para que o leitor não se engane, mas definições leves, para não aborrecer. Um etnopsicólogo, é quem faz psicanálise às crianças no sítio em que moram. Normalmente, por serem crianças, a análise é em grupos de brincadeiras, a imitar a vida dos seus adultos, a melhor forma que um investigador sabe ou aprende, o que acontece em casa, sem ter entrar nas vidas privadas de grupos domésticos. Grupo Doméstico, como define Jack Goody em 1974, no seu módulo Addison-Weslley da Universidade de Nova-Iorque: os que partilham o mesmo teto, a mesma comida e colaboram nos mesmos trabalhos produtivos.

O conceito tem sido criado por mim, retirando ideias do meu colega etnpsoquiatra George Devereux, do Collège de France em Paris, quem estudara a partir de 1961, as formas de análises da etnia Mohave. Como narro em outro texto, o deserto de Mohave começa no Sul do Estado de Nevada e desce para a Califórnia. Ocupa 40 mil quilómetros quadrados. Alberga o Vale da Morte, que é a região mais funda da América. Está 85 metros abaixo do nível do mar. Vários leitos de lagos de outrora são depósitos de sal. Joshua é a árvore deste deserto. Texto que pode ser lido aqui

Forneço esta citação para o leitor esta ligação, para ler de forma completa.

Reuníamos as crianças do grupo rural ou vila onde estudávamos a sua mente, na escola em tempo de férias e brincávamos a sermos doentes – havia uma médica no nosso grupo de assistentes a realizarem a sua tese de doutoramento comigo – e podíamos observar que de doentes nada tinham, apenas não queriam ir as aulas. O método que criei, revelava todo. Especialmente as intimidades da casa. O melhor jogo, foi um matrimónio, desde o namoro até o casamento, com roupa adequada e elegante, para acabar com a lua-de-mel. O ambiente de confiança inspirado pelo nosso grupo, permitia, connosco calados e num canto de imensa sala a observar e tomar notas, como o amor aparecia em todos eles e elas. Até i pinto que os quarenta garotos e garotas, escolhiam o seu canto para fazer amor. Observamos que marido e mulher beijavam-se com recato, não pelo jogo, mas porque era assim no seu lar. Depois de um profundo beijo, ele adormecia e ela ficava insatisfeita e se levantava para fazer a comida ou se entreter em qualquer coisa. Estudamos também as preferências sexuais, como garotos de dez anos ou praticavam a sodomia, ou um mais velho a pedofilia com rapazitos de três anos.

Como é natural, eu tomava notas, mas no permitia que se desnudarem nem ficarem muito eróticos. Havia um ponto em que a brincadeira acabava e passava-mos a arrefecer os amores inventados, em desenhos e em livros que fabricávamos em folhas de papel de 40×30 cm de espaço. Ainda estão comigo. Era de rigor, realizar dois assuntos: explicar à garotada que era assim como, já em adultos, eram feitas as crianças, papel que me correspondia efectuar; o segundo, ir as casas dos pais, onde tinha entrada livre por ser o Senhor Doutor – duvido que na aldeia conhecessem meu nome, era apenas o Doutos ou o Professor. Apenas a médica da equipa ia comigo para as conversas, porque o resto não aprovava as minhas indagações. No entanto, todos aprendemos coisas que antes no estava no nosso pensamento; para mim, que os netos pequenos dormiram com o avô ou avó viúvos. Por confissão de parte, as crianças contavam-me o que esses adultos maiores realizavam com eles. Sempre calei, apenas ouvia e eles falavam e falavam para desabafar as tristezas que estas relações causavam em eles. Razão tem Freud no seu texto de 1923: O eu, o ego e o Id o Isto, Penguin Londres, ao provar que a libido comanda o raciocínio e os corpo, e que o Id ou Isto, esse subconsciente que não conhecemos, dai as sessões de análises, como fazíamos nós com as crianças. Estava a hipóteses de Wilfred Bion discípulo britânico de Melanie Klein, quem conseguiu provar que os sentimentos da libido começam ao quarto mês de gestação, como diz no seu texto de 1961: Experiences in group, Tavistock Publications, Londres. Picos quiseram acreditar esta hipóteses, mas Boris Cyrulnik, escapado de um campo de concentração nazi aos dez anos, aprendeu esta ideia dentro das suas desventuras: en todo ser humano há resiliência ou essa inaudita capacidade de construção humana

Observando estas crianças, é evidente que em breve os maus momento passavam, apesar de, se seguimos a teoria de Freud, ficam guardadas no Id, para esquecer ou para evitar acções semelhantes.

As crianças trabalhavam duro na terra dos seus pais, mas ainda tinham tempo para se entreterem com os senhores doutores como éramos denominados e passar um mês completo de divertimento pelas palhaçadas inventadas por nós. as 7 da manhã já estavam na nossa casa a gritar por nós para nos entretermos com as nossas brincadeira que bem podiam denominar-se Imitação à Vida, título retirado de um filme dos anos 60 do Século passado. Filmes que os pequenos não conheciam, por não haver cinema nas redondezas e TV em apenas algumas casas. Mas, connosco na aldeia, não precisavam outro divertimento. Havia aulas de História na rua, comparando casas feitas em pedras e outras em cimentos. Cada um de nós se especializou em épocas para ensinar aos mais novos e a todos os quarentas que moravam na, já agora, a nossa aldeia de Vila Ruiva, Concelho de Nelas, antiga propriedade de condes de Mangualde, hoje em dia cada um proprietário do naco de terra, denominadas belgas, que lhes correspondia ou por compra, cedência, herança.

Nos etnopsicólogos apenas ouvíamos, com respeito solicitávamos aos adultos se podíamos tomar nota nos nossos diários de campo, que, em casa passavam a papel de máquina de escrever. Nos anos 80, época do meu relato, o computador não tinha entrado ainda ni País. O primeiro que adquiri, por insinuação do um amigo, foi em 1994!

É isto o que fazemos os etnopsicólogos em trabalho de campo. Conceito que significa viver com eles, partilhar comidas e dinheiros, aceitar convites e, especialmente, ver, ouvir e calar, sem jamais transferir o que sabíamos de outras pessoas, para outros grupos sociais, que tentavam saber por meio de nós como eram os outros, parentes, vizinhos e amigos. Mas, ao reparar que nada dizíamos, primeiro, nunca mais perguntaram, e, a seguir, confiaram em nós: sabiam que éramos discretos. Que todo o que sabíamos, estavam nesses pequenos livritos para tomar notas das suas confidências. Nos meus quarenta anos de pesquisa, a minha casa é um bordel de seiscentos pequenos livros, imensos cadernos feitos por eles, e outro tipo de apontamento para sempre consultar genealogias, histórias de vida e os trabalhos que realizávamos junto a eles, com pá, bois atados a um jugo para puxar uma grade de sete bicos, para abrir a terra, ou um arado de um bico. Trabalho que fazíamos de boa vontade, especialmente no meu caso, em Vilatuxe, Galiza, com apenas 26 anos de idade. Hoje em dia com moas anos nas costas, falta apenas escrever todo o que saiba, antes desta cabeça não pensar mais!

Para enfeitar o texto, envio a ligação que leva às alfaias agrícolas:

http://www.google.pt/images?hl=pt-PT&xhr=t&q=alfaias+agricolas&cp=7&pq=alfaias+agricolas&wrapid=tljp130107311818740&um=1&ie=UTF-8&source=univ&sa=X&ei=1cyMTcGBMcjBhAf1x92oCw&sqi=2&ved=0CDcQsAQ&biw=1003&bih=567

Em esta citação, acaba esta parte do meu trabalho de campo, que é indagar as mentes de forma analítica e saber o que apenas a imaginação não consegue saber

Raúl Iturra

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